Gabrielli vai a Minas Gerais e fala abobrinha

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Foi desastrosa a palestra do Presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, a empresários mineiros e lideranças políticas de Minas, na Cidade Tancredo Neves, na terça-feira. E olha que tinha tudo para dar certo. Os empresários mineiros estavam ansiosos pelo contato com o Presidente da Petrobrás, a Federação das Indústrias havia preparado um farto material sobre o que Minas pode fornecer à empresa, o aparato técnico do Estado fora mobilizado e o Ministro Fernando Pimentel acompanhava o palestrante. Mas quem assistiu ao espetáculo ficou horrorizado. Na plateia estava, entre outros, o Governador Anastasia e o Presidente da FIEMG, Olavo Machado.

Sérgio Gabrielli veio dizer aos mineiros que a Petrobrás está com dinheiro em caixa para comprar equipamentos de todos os tipos e que a empresa que preside vai comprar muito nos próximos anos, preparando-se para exploração do Pré-Sal. Era juntar a fome com a vontade de comer porque na outra ponta a Fiemg e o Governo do Estado haviam preparado um vasto material mostrando o potencial econômico de Minas e o parque industrial local com tudo aquilo que possa interessar à Petrobras.

Mas teria sido melhor deixar o encontro para um outro dia. O presidente da Petrobrás não parecia ter passado bem a noite e não estava nos seus melhores dias. Ou estava, não se sabe. O certo é que ele não causou boa impressão à distinta plateia. Não bastassem outras coisas ditas fez uma espécie de sincero lamento ao fato de Minas não ter mar e possuir uma vocação para a mineração, coisa que, pelo entendido, poderia alijar o estado de melhores oportunidades de negócios com a Petrobras.

Foi nesse diapasão que Sérgio Gabrielli acabou por confirmar que a Petrobras não irá instalar mesmo na região de Ibirité, nas imediações da Refinaria Gabriel Passos, a fábrica de ácido acrílico acordada pela empresa e pelo governo de Minas, em 2005, em documento assinado pelo então Presidente da Petrobras José Eduardo Dutra e o Governador, à época, Aécio Neves. A explicação de Gabrielli, antes de esclarecer, irritou a plateia para provável desconforto do ministro Fernando Pimentel que a tudo assistia. Reforçou a ideia de que Minas não tem tradição petroquímica – ah, a falta de mar! E acabou dizendo que a Petrobras deixou de atuar nessa área específica, associando-se a uma empresa, da qual detém 40 por cento do capital.

E que a decisão, portanto, de levar a fábrica de ácido acrílico para a Bahia, terra de Gabrielli e onde ele é tido como pré-candidato ao Governo do Estado, teria sido da empresa, vejam só, da qual a Petrobras detém 40 por cento do capital. Ninguém achou graça no auditório porque, é de se reconhecer, o presidente da Petrobras é sério e competente. Mas também ninguém acreditou nessa história por inteiro. Curiosamente, ao terminar sua fala, sabendo que não agradara, Gabrieli assentou-se e disse aos presentes que pudessem “bater” nele à vontade. Ninguém fez isso, claro, porque, como disse o Governador Anastasia, em Minas não se agride visitantes ilustres – a despeito dos sinos dobrados em 1822 quando Dom Pedro I passava pelas velhas cidades coloniais mineiras.

O Governador Anastasia não deixou por menos. Como há um protocolo de intenções assinado entre a Petrobras e o Estado de Minas Gerais, o governador disse ao Presidente da Petrobras que não lhe cabe a decisão de escolher os investimentos que interessam à empresa, mas que irá atrás dos sócios da Petrobras, baianos como Gabrielli, para lhes mostrar que Minas é um bom parceiro comercial e que o estado tem o que oferecer, ainda que a atual direção da petrolífera não pense exatamente como a de cinco anos atrás. Em suma, Anastasia, a despeito do desdém de Sérgio Gabrielli, não jogou a toalha. Mas nesse meio-tempo, a Petrobrás bem que poderia mandar limpar a lagoa que lhe tomou o nome por empréstimo, como denunciam os que dela fazem uso.

Com as informações – Carlos Lindberg / Hoje em Dia

Por Rodrigo Cintra

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