Toda força à vante para o novo porto no Pará

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Atuando em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Companhia Docas do Pará (CDP) deverá ter, num prazo de dois a três meses, um levantamento ambiental completo da região onde poderá ser construído no futuro o Porto do Espadarte, no Município de Curuçá. De acordo com o Presidente da CDP, Carlos Ponciano, o estudo, conduzido com grande discrição, deverá estabelecer as condicionantes para todo e qualquer projeto de infraestrutura que venha a ser executado naquela área.

O Presidente da CDP observou que o estudo está fazendo um mapeamento detalhado da reserva extrativista marinha Mãe Grande, de Curuçá, de forma a oferecer uma visão completa de sua situação ambiental. Numa etapa posterior, já utilizando todo o conhecimento que se terá da área, a CDP diz que pretende desenvolver um projeto básico, contando para isso ainda com a cooperação científica da UFPA, do ICMBbio e, se possível, também de outras instituições, entre as quais a Uepa.

“Nós queremos chegar a um projeto que proporcione o menor impacto ambiental possível na área onde se pretende construir o porto, já que impacto zero não existe”, disse Carlos Ponciano. Com custo orçado em cerca de R$ 900 mil, valor modesto para trabalhos dessa natureza, o mapeamento realizado pela UFPA teve início há pouco mais de um ano. Entre outras coisas, os pesquisadores estão coletando dados sobre a diversidade biológica da área, as condições atuais de conservação dos manguezais e a relação entre a população nativa e os ecossistemas da região.

O Presidente da Companhia Docas do Pará evita paralelismos e comparações entre o estudo que a estatal vem fazendo com apoio da UFPA com levantamentos similares realizados por terceiros na mesma área. “Todo e qualquer estudo de caráter científico é bem vindo, mas nós precisamos ser cuidadosos, já que alguns levantamentos podem estar sendo feitos em cima de premissas que não são verdadeiras”, assinalou.

O Ppresidente da CDP também rejeita fazer previsões sobre a capacidade operacional de um futuro porto que possa vir a ser construído no litoral de Curuçá. O que se pode afirmar com certeza, segundo ele, é que a obra, caso venha a ser mesmo executada, será uma obra de grande porte e de custo sabidamente elevado. “Pelas próprias condições da área, e tendo em vista os seus objetivos, ou se faz ali um grande porto ou não se faz porto nenhum”, enfatizou.

Carlos Ponciano destacou que não pode ser considerada sequer razoável a hipótese de se construir em Curuçá, por exemplo, um simples terminal para exportação de minérios ou uma estrutura portuária limitada ao atendimento dos interesses específicos de um determinado investidor. Qualquer obra estruturante naquela área só fará sentido, conforme frisou, se o empreendimento tiver condições de atender integralmente os interesses sociais e econômicos do Estado do Pará, da Região Norte e do Brasil.

Na visão do atual Presidente da CDP, o Porto do Espadarte, desde que possa ser construído dentro de condicionantes ambientalmente aceitáveis, será também muito mais que um simples porto com vocação para operar com cargas gerais. “Ele deverá ser um grande porto público, com capacidade para desconcentrar e descongestionar a movimentação de cargas que hoje estão fortemente concentradas no Sul e Sudeste do Brasil, abrindo caminho para a retomada da navegação de cabotagem em toda a costa brasileira”, assinalou.

Com as informações – Diário do Pará

Por Rodrigo Cintra

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