China Sonangol consegue participações em 4 blocos do pré-sal de Angola

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A China Sonangol obteve participações em 4 dos 11 blocos do pré-sal angolano recentemente licenciados para exploração, que no total deverão implicar um investimento de perto de 1,32 mil milhões de dólares, de acordo com a Economist Intelligence Unit (EIU).

Segundo a EIU, a Sonangol Pesquisa e Produção terá as participações remanescentes nos 11 blocos de águas profundas leiloados em fins de Janeiro, em linha com os esforços governamentais de “angolanização” da indústria petrolífera, e estas serão em parte partilhadas com a China Sonangol.

Esta parceria entre a petrolífera angolana e investidores ligados ao Fundo Internacional da China (CIF) terá participações de entre 10 e 15 por cento nos blocos 19, 20, 36 e 38.

“As empresas vencedoras estão agora em conversações para formar consórcios que levem a cabo as perfurações exploratórias, sendo esperado que essas conversações fiquem concluídas em meados de 2011”, refere a EIU no seu mais recente relatório sobre Angola.

A Sonangol espera atrair investimentos de perto de 120 milhões de dólares por cada bloco pré-sal, o que equivale a mais de 1,32 mil milhões de dólares no total.

Os trabalhos de perfuração serão feitos a elevadas profundidades, de entre 1.000 metros e 2.000 metros.

“Angola espera que a exploração pré-sal nas suas águas tenha o mesmo sucesso que a do Brasil, onde numerosas descobertas na bacia de Santos desde 2006 – incluindo os enormes campos Tupi e Guara – revelaram reservas estimadas em 10 mil milhões a 20 mil milhões de barris de petróleo”, adianta.

No leilão, a BP Angola obteve 50 por cento dos blocos 19 e 24 e 20 por cento dos blocos 20 e 25.

A Total Angola ganhou 35 por cento dos blocos 25 e 40, enquanto a Statoil ficou com 40 por cento dos blocos 38 e 39.

A ConocoPhillips ficou com 30 por cento dos blocos 36 e 37, a ENI Angola com 30 por cento do bloco 35, a Repsol com 30 por cento do bloco 22 e a Cobalt Internacional Energy, parceira da Sonangol no Golfo do México, com 40 por cento do bloco 20.

A maioria das empresas vencedoras tem há muito operações em Angola e experiência em exploração em águas profundas.

Para a EIU, a “surpresa” foi o facto de a ExxonMobil ter ficado com participações minoritárias em 3 blocos.

Embora não tenha ganho qualquer bloco, a Maersk anunciou pouco depois que estava em conversações com a britânica Devon Energy para comprar a participação desta de 15 por cento no Bloco 16, o que aumentaria a sua posição para 65 por cento.

“Contudo, tal terá de ser sujeito à aprovação do governo angolano, que tem sido inconstante em anteriores transferências de interesses petrolíferos entre empresas estrangeiras”, sublinha a EIU.

O encaixe do governo com bónus de assinatura terá sido inferior aos anteriores recordes, refere, mas Luanda não deu a conhecer o valor.

Resultado de negociação privada com 13 petrolíferas, concluída no final do ano passado, esta foi a primeira atribuição de licenças de exploração petrolífera desde 2007.

Depois de ter pré-qualificado 43 petrolíferas para participar numa ronda em 2008, o governo adiou a licitação dos blocos, numa altura em que os preços petrolíferos estavam em quebra acentuada.

A produção petrolífera angolana está em alta, tendo subido de 1,61 milhões de barris diários para 1,73 milhões em Março, e deverá ascender a 1,88 milhões este ano e 1,95 milhões de barris no próximo, segundo dados da EIU.

A economia angolana tem beneficiado também do forte aumento dos preços petrolíferos nos mercados internacionais.

Com as informações – Macau Hub (China)

Por Rodrigo Cintra

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