Aumento da demanda energética na Ásia trará mudanças na geopolítica mundial, afirma Gabrielli

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O aumento da demanda energética dos gigantes asiáticos desencadeará grandes transformações na logística e na geopolítica mundiais, considerou nesta terça-feira o Presidente da Petrobras, José Gabrielli, durante uma conferência no Uruguai.

Gabrielli foi um dos oradores da conferência 2011 da Associação Regional de Empresas do Setor de petróleo, Gás e Biocombustíveis em América Latina e Caribe (Arpel) que começou nesta terça-feira no balneário uruguaio de Punta del Este (140 km a leste de Montevidéu).

“Temos uma incerteza para as condições de oferta nos próximos dois ou três anos na produção de cru mundial. O maior crescimento da demanda de cru está na China e na Índia”, disse Gabrielli.

“Projetamos para o médio prazo uma redução do consumo per capita de derivados do petróleo nos Estados Unidos, na Europa e no Japão, mas o aumento da demanda chinesa, indiana, na África e na América Latina tende a criar grandes transformações na logística e na geopolítica mundial”, acrescentou.

Gabrielli considerou que o aumento dos preços do petróleo nos últimos meses depende mais fortemente da volatilidade financeira nos mercados, ligada às baixas taxas de juros no mundo, do que uma redução da oferta no mercado petroleiro.

“A grande mudança” no setor nos últimos meses foi o desenvolvimento de técnicas “não convencionais” de extração de gás natural, o que permitiu mais do que duplicar o nível das reservas de gás dos Estados Unidos, disse.

“A crescente produção de gás não convencional mudou o cenário da oferta e reverteu as expectativas de maior dependência das importações de gás natural liquefeito”, assegurou.

“Nessa situação, a grande ameaça no curto prazo para os biocombustíveis é o preço baixo do gás nos Estados Unidos. Isso é um importante redutor dos aumentos dos investimentos em biocombustíveis no mundo. Em 2010, 50% dos projetos de expansão de biocombustíveis foram cancelados”, advertiu.

Contudo, Gabrielli estimou que a região tem um “enorme potencial” em matéria de biocombustíveis – uma forte aposta energética brasileira – e disse que a Petrobras está disposta a dividir sua experiência com a região.

Explicou que atualmente a cooperação no tema com outros países da região é limitada, e que o país tem um acordo com a Colômbia.

“Na América do Sul, os projetos de biocombustíveis tem uma capacidade importante, não apenas pela área agrícola, mas também porque a necessidade de importação torna economicamente factível a utilização de biocombustíveis em substituição ao diesel ou à gasolina”, enfatizou, destacando que a demanda desse tipo de combustível no Brasil cresceu fortemente, ao ponto de atualmente ter de importar parte de seu consumo.

Fonte: AFP

Por Marcus Lotfi

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