Sinopec quer refino e distribuição

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A China Petrochemical Corp. (Sinopec) pode entrar no setor de refino e distribuição da América Latina e Caribe, após ganhar substancial terreno na exploração e produção de petróleo no Brasil, Venezuela e Argentina no ano passado. Um dos alvos para o investimento será o Brasil, onde a Sinopec comprou recentemente uma participação de 40% nas operações de exploração e produção da Repsol YPF, por US$ 7,1 bilhões.

Essa possível iniciativa vem da necessidade brasileira em elevar sua capacidade de refino. No mês passado, o Presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, disse que a produção doméstica de petróleo e a demanda por produtos derivados estão crescendo mais rápido que a capacidade de refino, que alcançou seu limite e levou a empresa a importar gasolina, além da tradicional aquisição de diesel no mercado externo.

O movimento da Sinopec alinhará a companhia com a sua colega nacional PetroChina, que tem desenvolvido redes de refino e distribuição no hemisfério ocidental como parte de um plano para se tornar uma empresa de petróleo globalmente integrada.

No ano passado, a Sinopec comprou também a subsidiária argentina da Occidental Petroleum Corp., por US$ 2,45 bilhões, ganhando acesso a reservas de cerca de 400 milhões de barris de petróleo. Na Venezuela, a Sinopec assinou um acordo com a estatal local, a PDVSA, para desenvolver blocos de petróleo offshore e ajudar a construir uma refinaria com capacidade para produzir 200 mil barris de petróleo por dia.

Os países latino-americanos, como Venezuela, Brasil e Argentina, são ideais para o investimento em atividades de exploração e produção, porque é desses mercados que o crescimento das reservas mundiais de petróleo está vindo”, afirmou Paul Isbell, Pesquisador Sênior para energia e mudança climática do Inter-American Dialogue, ONG de lobby político e econômico.

As importações chinesas de petróleo desses três países totalizaram 16,7 milhões de toneladas, ou 335 mil barris por dia, em 2010, volume que correspondem a 7% do total das importações. A maior parte do petróleo embarcado à China proveniente da América Latina é considerado adicional, devido ao alto custo do frete.

A atenção estará focada sobre a Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, durante sua visita à China nos dias 12 e 13 de abril. Autoridades do governo disseram que diversos acordos comerciais bilaterais serão assinados durante a viagem, mas ainda não está claro se os contratos de energia estarão na pauta.

Com as informações – DCI

Por Rodrigo Cintra

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