Libra promete aumento de 20% na produtividade em 2011

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Enquanto não obtém a autorização para seu audacioso plano de duplicação da capacidade dos terminais de contêineres que controla no porto de Santos, avaliado em cerca de R$ 550 milhões, a Libra aposta em medidas de curto prazo com a meta de subir em até 20% a produtividade da operação neste ano – elevando de 35 para 42 movimentos por hora a média de embarque e desembarque de contêineres. O portfólio inclui cinco ações simultâneas de otimização de processos avaliados em R$ 9 milhões.

Segundo o Presidente da Libra Terminais – divisão do Grupo Libra – Wagner Biasoli, é preciso concentrar-se em medidas inteligentes nesses “dois a três anos”, já que Santos caminha para o limite máximo da capacidade instalada. Neste ano a empresa deve aumentar a movimentação em 10%, pelo menos, fechando em quase 750 mil Teus (contêiner de 20 pés).

O investimento será de  R$ 2,5 milhões em modelos que agilizarão o fluxo de cargas nos pátios dos terminais assim como nos armazéns, que ficam na retaguarda. A intenção é redução do tempo de atendimento das carretas, que já caiu quase pela metade desde 2008, chegando a 69 minutos no exercício passado.

A empresa também estabeleceu a meta de diminuir de 4% para 1,5% o índice de improdutividade da sua frota de nove portêineres (equipamentos usados nos cais que colocam e retiram o contêiner do navio, pilotados mecanicamente).

Para lidar com o desafio da restrição de áreas, a aposta será em uma saída caseira. Utilizará alguns equipamentos hoje considerados obsoletos para suspender as tampas dos porões dos navios de contêineres enquanto ocorre a operação. Essas peças chegam a pesar aproximadamente 40 toneladas e têm 14 metros de extensão, o que dificulta o deslocamento e exige uma energia que poderia ser aplicada à atividade fim, de embarque e desembarque de cargas.

Outra ação da companhia é a criação de uma gerência de planejamento e controle, com o objetivo de tornar mais “científico” e afinado o planejamento de cargas no terminal e no navio. Biasoli afirma que essa relação mais pró-ativa recebeu pronta adesão de armadores. “Nós já recebemos o planejamento de cargas (cada contêiner tem uma posição na embarcação), mas às vezes chega somente com um dia de antecedência”, explica.

Atualmente a Libra aguarda uma definição da Advocacia Geral da união (AGU) relativa ao que classifica como “pendência financeira” do T-35, um dos terminais arrendados em Santos. Como recebeu a instalação em desacordo com o objeto do edital de licitação, passou a recolher as tarifas portuárias devidas à Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) em juízo. O órgão federal deverá estabelecer o montante a ser pago pelo grupo privado. Somente depois de equacionado o passivo, o projeto de reestruturação e integração dos quatro terminais arrendados no porto de Santos deve ser deflagrado.

A obra dobraria a atual capacidade instalada. Atualmente é de cerca de 850 mil Teus por ano para 1,6 milhão de Teus e unificaria o cais, criando um único berço de atracação de 1,7 quilômetro capaz de receber meganavios de até 15 mil Teus de capacidade. A perspectiva é que, tão logo iniciada, a reestruturação termine em dois anos.

O terminal da empresa no Rio já está em obras e terá a oferta ampliada de cerca de 400 mil Teus para 800 mil unidades.

Biasoli, à frente do braço portuário há 90 dias, recebe a missão de fazer da Libra Terminais um concorrente de peso no Brasil e América Latina, com oferta de capacidade e movimentação em linha para concorrer com qualquer concorrente global – mercado que fareja o nicho de operação portuária nacional.

Egresso do setor de petróleo, onde foi executivo da Shell por 28 anos, Biasoli avalia existir espaço para grandes terminais em Santos – que em 2014 poderá estar com seis operadores de contêineres. Além da carga já anunciada, diz ele, existe uma demanda não projetada de mercadorias que precisa de prévia infraestrutura. “O processo de conteinerização de cargas tem crescido muito. Ainda não conseguimos mensurar a importância que o Brasil tem para o mundo.”

Fonte: Valor Econômico

Por Carla Oliveira

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