Hey, é rapidinho…

2

Cada embarque, cada desembarque, um novo ciclo. Pessoas novas, experiências novas, sensações novas, são algo comum na minha vida. Eu não ouso planejar demais, eu não posso. Não sei ao certo quando estarei em casa, quando estarei no ar, quando estarei no mar. Isso, como tudo na vida, tem seu lado positivo e seu lado negativo.

O positivo é a intensidade que as coisas acontecem. Nada é mais ou menos, chato, não há um copo meio vazio. Não saber quanto tempo ao certo ainda lhe resta perto dos que ama, faz você apreciar o tempo como um vinho raro. Não saber quando será a “última night”, o “último churras”, o “último beijo” torna cada beijo, cada churras e cada night os mais especiais possíveis. Até mesmo não saber quando você terá o privilégio de usufruir de um dolce far niente novamente, faz o dia que passar todo sem sair da cama um dia inesquecível.

O negativo é a falta de planejamento. Minha vida corre como a Band News: a cada 30 segundos uma notícia nova, uma possível mudança nos planos, embarco, não embarco, viajo, não viajo. Mas a falta de planejamento, até ela, tem seu ponto positivo. Ela ameniza a saudade. Saber faz sofrer. Sem saber quando voltar, eu nutro sempre a esperança de voltar mais cedo. Decepções são constantes na minha vida, mas eu assim escolhi. Prefiro me decepcionar duas vezes ao dia do que admitir que ainda faltam 40 dias pra eu poder estar em casa. É estranho, mas é verdade.

Eu já reclamei muito, já pensei em largar tudo, em jamais embarcar novamente, mas o tempo ajuda a esclarecer absolutamente tudo. Hoje eu sei que preciso embarcar. Sei que preciso dar valor ao que tenho, que preciso me manter “dignificado”, com o meu trabalho, sei que preciso deste tempo pra mudar de estação e encontrar minha sintonia.

Ok,  confesso que isto não me isenta de sentir o friozinho na barriga do dia anterior, de externar os sintomas da TPE (Tensão Pré-embarque), de bater a deprê na hora H. É, eu sei, sou um conflito.

Quem souber que escrevo o texto ao terminar de arrumar minhas malas para viajar pra Coréia pode achar tendencioso. Mas eu me pergunto “quando não seria?!” Eu tô sempre indo e vindo, sempre chegando, saindo. Sempre em trânsito, parado jamais, ou melhor, não mais. Do tempo que estive parado aprendi que pode até ser mais confortável, mas tira o gostinho confortante de poder dizer “hey, é rapidinho. Já já to de volta.”

yeah!

Por Caê Mahan

2 COMENTÁRIOS

  1. Para minha infelicidade, desconheço a experiência de viajar tantos dias no mar. Parabens às pessoas, trabalhadores que a cada dia de nova viajem – a fazem como se fosse (pra mim seria) uma tremenda aventura: “é rapidinho: já já estarão de volta”!
    E boa viagem a todos!!

Deixe uma resposta