Classe C invade os cruzeiros

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De cada dez turistas que entram hoje em um navio especializado na venda de pacotes de cruzeiro marítimo, cerca de 4 são do público emergente da classe C, número este que fará com que o setor nacional de cruzeiros marítimos feche este mês a temporada 2010/2011 (que começou em outubro do ano passado) com uma expressiva expansão nesta indústria, que corresponderá a cerca de 884 mil passageiros.

Os turistas injetam muito dinheiro neste que é um setor responsável por gerar aproximadamente 40 mil empregos em 2009/2010, diretos e indiretos. A bordo das embarcações foram 3.955 vagas, entre os contratados. Em portos, outras 530. Em 2010, o segmento ultrapassou o índice normal, quando a atividade cresceu 50% no período. Nos últimos 8 anos, a média de crescimento era de 35% ao ano.

Conforme a Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Abremar), o Brasil já ocupa o 5º lugar no ranking da Cruise Lines International Association (CLIA), que representa esta indústria a nível mundial. Um exemplo mostra a força econômica da atividade: sempre que um navio de cruzeiro aporta no Rio de Janeiro, cada um de seus turistas gasta na cidade, em média, US$ 250 por dia. Além disto, a quantidade de cruzeiros que partem do Brasil para destinos internos expandiu-se 600% nos últimos 6 anos.

De acordo com dados da Marsans Brasil (uma das maiores operadoras de viagens do País), entre novembro e março da temporada 2004/2005 havia no Brasil 139.430 passageiros em alto-mar. Este número subiu para 720.621 na temporada 2010, que foi de outubro de 2009 a maio do ano passado. Para continuar navegando a pleno vapor, as empresas do setor precisam de mais e melhores portos especializados em receber suas embarcações no Brasil. Esta é a grande demanda delas, mas não é a única.

O Terminal Marítimo de Passageiros Giusfredo Santini, inaugurado em 1998 na cidade de Santos (SP), é uma referência nesta área. Conhecido como Concais, ele disponibiliza infraestrutura de atendimento aos armadores, passageiros e a todos os envolvidos no dia a dia do segmento. Flávio Brancato é Diretor de Operações da empresa. “Quando o terminal de Concais surgiu, o Porto de Santos passou a ter uma visibilidade inédita. O empreendimento fez as pessoas olharem aquele trecho de litoral não só como uma plataforma de serviços para transatlânticos, mas também como um complexo de imenso potencial turístico, o qual se confirmou e se consolidou. Foi o marco da integração porto-cidade”, relembra.

Brancato fornece alguns números do empreendimento: “Quando Concais começou a operar, foram movimentados 94 mil passageiros. Agora, na temporada 2010/2011, devem passar por aqui 1 milhão e 50 mil turistas – o que significa um crescimento de 1.111% em 13 anos de atividade”. Ele revela que desde o surgimento de Concais já foram investidos R$ 50 milhões em ampliações no local, e só em 2001 mais R$ 11 milhões serão colocados ali.

Mão de obra

Mas há ventos nesta área que não estão batendo a favor. Um deles é a falta de mão de obra especializada, a qual dificulta inclusive a abertura de novos complexos nos moldes de Concais. “Ultimamente temos visto algumas empresas já preparadas para treinar e qualificar profissionais no trabalho em navios, mas ainda precisamos evoluir muito para acompanhar o crescimento e a demanda do segmento”, afirma Brancato.

“No caso de nosso terminal, temos enfrentado dificuldades na contratação de novos trabalhadores porque a atividade ainda é sazonal no Brasil. O complexo opera apenas 6 meses por ano, e quando termina a temporada os profissionais são obrigados a buscar novas atividades, o que leva à perda de alguns.”

Em 13 anos de operação, diz o Diretor do complexo, Concais já treinou muita gente para trabalhar em cruzeiros, mas trata-se de uma tarefa que volta a cada início de temporada. Cursos técnicos públicos específicos para o trabalho em cruzeiros marítimos talvez fossem benvindos, portanto.

Custos

As empresas de turismo de navegação que operam no Brasil, de qualquer maneira, estão animadas. A MSC Cruzeiros, por exemplo, deslocou 5 de suas embarcações para cá. Adrian Ursilli, Diretor Comercial e de Marketing da companhia, conta: “Um de nossos navios, o MSC Opera, sai de Santos e tem um itinerário inédito, chegando até a outros países sul-americanos”.

Outro grande player deste setor é a Royal Caribbean, que irá operar 3 navios por aqui neste ano. A empresa exibe bons números. Esta é sua segunda temporada no País. Para 2011, sua expectativa é atingir 150 mil passageiros: 90 mil na temporada nacional e 60 mil nos cruzeiros internacionais.

Ricardo Amaral, Diretor-Geral da Royal no Brasil, detalha: “Os custos para este tipo de negócio são, principalmente, gastos com a praticagem, as taxas portuárias, combustível, estiva etc. Já as fontes de renda provêm dos pagamentos dos hóspedes com consumo a bordo (bebidas, lojas, cassino, spa), pacotes aéreos e terrestres e excursões nos destinos de chegada das embarcações”.

A respeito das perspectivas do setor, ele afirma: “Nosso mercado de cruzeiros teve forte expansão ultimamente. Há uma tendência de equilíbrio para os próximos anos devido aos altos custos e à perda de competitividade em comparação a outros destinos. O Brasil tem tudo para ter o 3º maior setor de cruzeiros do mundo, mas os elementos para tanto não estão ocorrendo na velocidade necessária”, alerta ele.

Ainda assim, há otimismo neste campo. É o que se pode depreender das palavras de Maximiliano Santinelli, Supervisor de Vendas da Ibero Cruzeiros, que conta com 3 embarcações no País: “Temos uma ótima expectativa para as próximas temporadas. Inclusive, já previmos uma estada mais longa por aqui de nossos navios em 2011/2012. Cada vez mais o brasileiro descobre todas as vantagens de navegar e os diferenciais que estas viagens proporcionam”.

Fonte: DCI

Por Carla Oliveira

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