Petrobras não desiste de construir sondas no Brasil

0

A Petrobras não desistiu de encomendar no Brasil as quatro sondas de perfuração que tiveram a licitação cancelada na semana passada. Segundo o Diretor de Serviços da estatal, Renato Duque, as encomendas poderão ser repassadas para a Sete Brasil (Sete BR). A empresa tem seu capital social dividido da seguinte forma: a Petrobras com 5% e o Fundo de Investimentos em Participações (FIP-Sondas) tem 95%. O FIP tem como sócios a própria Petrobras, com outros 5%, e ainda os fundos de pensão Petros, Funcef, Previ e Valia; e os bancos Bradesco, Santander e BTG-Pactual. O assunto será discutido pela diretoria na semana que vem, segundo o executivo.

“Temos várias opções. A estratégia pode ser uma nova licitação e negociar com a Sete e com os estaleiros. Na medida em que a Petrobras garantir um financiamento com a Sete, pode viabilizar o afretamento dessas unidades”, explicou Duque.

Ao explicar a diferença de preços que a Petrobras espera encontrar ao transferir o afretamento das novas unidades para a Sete, Duque diz que a taxa cobrada deve ser menor porque evita uma série de contingências previstas no contrato pelas operadoras quando se tratar de uma encomenda da Petrobras. Já um executivo consultado pelo Valor acha que o preço só vai mudar se houver uma grande redução de custos de aquisição de aço ou mão-de-obra, por exemplo.

Para financiar a construção das sete sondas já contratadas a Sete BR vai utilizar capital próprio e do BNDES, que vai financiar a parcela correspondente ao conteúdo brasileiro de bens e serviços. No caso do conteúdo importado, os recursos também virão provenientes de agências de crédito à exportação e bancos comerciais. Para dar garantias aos financiadores, tanto o EAS como a Sete BR contrataram garantias do Fundo Garantidor da Construção Naval (FGCN).

A Sete Brasil já tem pelo menos dois executivos de primeira linha da Petrobras que estão se desligando da estatal para se dedicar à nova empresa. João Carlos Ferraz vai deixar a Gerência-Geral de Finanças para assumir a Presidência e Pedro José Barusco Filho, ex- Gerente Executivo de engenharia e que acaba de se aposentar, será o Diretor de Operações.

A nova empresa obteve o contrato de afretamento das sete primeiras sondas de perfuração de águas ultraprofundas, de um total de 28, que a Petrobras pretende encomendar para o desenvolvimento da produção de petróleo no pré-sal. O contrato é inédito, já que o vencedor da licitação foi o Estaleiro Atlântico Sul (EAS), de Pernambuco, que venceu a licitação com uma proposta no valor de US$ 4,637 bilhões, o que representa um preço final de US$ 664,428 milhões por sonda. Mas elas serão afretadas pela Sete BR, que vai assumir o contrato de construção. No final da operação, cada sonda terá custo diário variando entre US$ 430 mil e US$ 475 mil, segundo a estatal. O cancelamento das propostas agora foi motivado pelos preços apresentados, todos acima de US$ 600 mil por dia de aluguel, muito maiores do a Petrobras esperava, algo na faixa de US$ 400 mil obtida na licitação anterior, explicou Duque.

O Diretor da Petrobras negou que o cancelamento das quatro sondas na semana passada – que se seguiu ao cancelamento de outras duas unidades este ano – tenha sido causada por uma divisão na diretoria da estatal, que teria uma parte dos executivos defendendo a contratação desses equipamentos no exterior, e outra defendendo a construção no Brasil. “Não existe isso de divisão. E não tenho dúvidas que elas serão construídas no Brasil”, disse Duque.

No mercado, é conhecida a histórica divisão entre as áreas de engenharia e exploração e produção da Petrobras em torno da construção ou afretamento de sondas, plataformas e outros tipos de embarcação no país. Mas desde a campanha presidencial de 2002, quando o Partido dos Trabalhadores (PT) transformou as encomendas no país e a retomada do setor de construção naval como uma bandeira, primeiro do presidente Lula e agora da Presidente Dilma Rousseff, o programa de aquisição de bens com conteúdo local ganhou força.

Com as informações – Cláudia Schüffner / Valor Econômico

Por Rodrigo Cintra

Deixe uma resposta