Santos – Grupo Triunfo investe R$1,6 bilhão em complexo multiuso

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A Triunfo Participações e Investimentos construirá um complexo multiuso privativo de três terminais na área que detém no porto de Santos, no sítio Santa Rita. Com investimento total de R$ 1,6 bilhão, o empreendimento será composto por um terminal para operar granéis sólidos (com capacidade estática para 2 milhões de toneladas/ano), um para líquidos (4,5 milhões de toneladas/ano) e um exclusivo para contêineres operados na navegação doméstica (cabotagem).

Este último visa a dar mais sinergia às operações da recém-lançada empresa de transporte marítimo do grupo, Maestra Navegação e Logística. A perspectiva é que quando estiver com os quatro navios em operação – o que deve ocorrer até o segundo semestre – a Maestra movimente entre 60 mil e 70 mil Teus (contêineres de 20 pés) por ano. O terminal dedicado à carga conteinerizada terá capacidade para operar até 140 mil Teus.

O layout original previa um terminal para contêineres com capacidade para até 870 mil unidades, sem restrição à natureza da navegação. Mas, conforme o Valor apurou, a companhia desistiu desse formato.

No início do mês, o Ibama concedeu a licença prévia para a Triunfo tocar o projeto do parque multiuso

A decisão por apostar em uma estrutura exclusiva para cabotagem também é uma forma de a Triunfo não bater de frente com terminais de contêineres de uso público que já disputam o mercado de longo curso no porto de Santos. E atender um nicho menos valorizado em épocas de pico de movimentação – o contêiner do transporte doméstico não remunera tanto quanto o do comércio exterior, principalmente o de importação, que fica mais tempo no terminal e paga pela armazenagem.

No início do mês, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) concedeu a licença prévia – a primeira das três necessárias – para a Triunfo tocar o projeto multiuso, batizado de Brites (Brasil Intermodal Terminal Santos). Mas a autorização não contempla a utilização total do terreno da companhia para fins portuários. Apenas 35% da área, cerca de 700 mil metros quadrados, será destinada à operação. O restante deverá ficar intocado para preservação ambiental ou receberá investimentos de recuperação. No local, foram encontrados vestígios arqueológicos de uma antiga olaria, por exemplo.

A perspectiva é que o projeto do Brites seja protocolado na Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) em até 60 dias. Como se trata de um empreendimento privativo (que dispensa prévia licitação), a Triunfo terá de comprovar que tem carga própria em maior quantidade que a de terceiros para ser dispensada do certame público, conforme determina o arcabouço regulatório brasileiro.

O Valor apurou que, a partir de agora, a companhia buscará sócios embarcadores nas modalidades de cargas que serão movimentadas, de forma a se enquadrar na legislação nacional e legitimar o negócio. Para erguer o complexo multiuso, que será um dos maiores do porto de Santos, a empresa recorrerá a financiamento via BNDES.

O desenho do Brites também prevê um cais acostável de 1.150 metros. A ideia é que sejam construídos três berços de atracação, sendo dois para navios de granéis sólidos e um para líquidos. A operação do porta-contêiner será feita em um dos berços dedicados aos sólidos.

A ideia é que sejam construídos três berços de atracação, dois para navios de granéis sólidos e um para líquidos

Já o acesso ao terminal ocorrerá prioritariamente por ferrovia – o ramal da concessionária MRS corta o terreno – e por uma malha de dutos já existente para abastecer os terminais de líquidos da margem esquerda do porto. Os caminhões chegarão pela Rodovia Cônego Domenico Rangoni, antiga Piaçaguera-Guarujá, também por onde já transitam quando o destino são as instalações da margem esquerda.

O projeto prevê ainda uma dragagem no largo de Santa Rita, para 16 metros. Serão retirados aproximadamente 10 milhões de metros cúbicos de sedimentos, que serão utilizados no terreno do terminal. Se tudo correr dentro do esperado pelo empreendedor, as obras levarão entre 36 a 42 meses.

Durante a construção, a expectativa é que sejam gerados 1,6 mil empregos. Uma vez em operação, serão 1,2 mil vagas diretas.

Hoje, a holding Triunfo controla concessões rodoviárias, porto privativo (Portonave, em SC) e hidrelétrica. Em 2010, o grupo registrou lucro de R$ 33,9 milhões, redução de 25% em relação aos R$ 45,2 milhões do exercício anterior.

No último trimestre do ano passado, a companhia teve lucro líquido de R$ 17,1 milhões, aumento de 40,4% sobre o mesmo intervalo de 2009. Entre os principais aspectos que impactaram no resultado o destaque foi o crescimento da receita do segmento portuário.

Com as informações – Fernanda Pires/ Valor Econômico

Por Rodrigo Cintra

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