Aliança faturando 2,4 bilhões

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A Aliança Navegação e Logística, empresa brasileira pertencente ao Grupo Hamburg Süd, está buscando focar-se, cada vez mais, na cabotagem (navegação feita junto à costa marítima ou em rios) de carga. Ela faturou R$ 2,2 bilhões em 2010 — crescimento de 35% sobre o resultado de 2009—, puxada pelo segmento, e neste ano espera expandir 10%, e atingir cerca de R$ 2,42 bilhões em receita. Em 2010, a Aliança experimentou forte aumento no volume de TEUs (capacidade de um contêiner de 20 pés) movimentados: foram 663 mil, 52% a mais do que em 2009. 

Para 2011 sua expectativa é expandir-se 10% também neste item. “Nosso principal objetivo é continuar oferecendo confiabilidade em nossos serviços de cabotagem no Brasil e no Mercosul. As alterações que estamos fazendo em nosso modus operandi nos permitirão atender melhor toda a cadeia logística do setor”, explica Gustavo Costa, gerente de Cabotagem da companhia.

Tais alterações foram o redimensionamento dos 2 anéis de serviços de cabotagem da Aliança. O Anel 1 — que ia de Buenos Aires, capital argentina, à Manaus (AM) — passa agora a integrar também os portos de Santos (SP), Navegantes (SC), Itaguaí (RJ) e Suape (PE). A remodelação desta linha permitiu que o tempo de trânsito de uma carga de Manaus a Santos caísse de 11 para 9 dias. Já o Anel 2 passa a servir aos portos de Buenos Aires, Montevidéu (Uruguai), Rio Grande (RS), Paranaguá (PR), Santos, Itaguaí, Salvador (BA), Suape e Pecém (CE), abrangendo assim todo o Mercosul. Por fim, a empresa acaba de criar o Anel 3, que cobre os Portos de Santos, Itaguaí e Vitória (ES). A companhia opera em 14 portos brasileiros e tem 12 escritórios espalhados pelo País.

Itapoá

Com o foco na cabotagem, a Aliança neste ano passará a atracar em mais um porto: Itapoá, em Santa Catarina. Haverá uma substituição das operações hoje realizadas em Navegantes e Paranaguá pelo novo terminal. “Ganharemos mais operacionalidade, uma vez que Itapoá é mais profundo, possibilitando uma melhor utilização da capacidade operacional dos navios”, afirma  Gustavo Costa. Segundo ele, outro desafio da companhia será firmar alianças que lhe permitam acompanhar de perto a chegada das mercadorias a seus clientes.

 “Atualmente, 60% da movimentação de cargas via cabotagem é feita porta a porta. Com isto, nossa contratação nas pontas é um item vital para o êxito da operação”, explica Costa. Neste sentido, a empresa vem firmando parcerias com companhias de transporte rodoviário e ferroviário. Atualmente, a Aliança opera 23 navios de contêineres que somam uma capacidade de transporte de 68.885 TEUs, e conta com mais de 1.100 colaboradores. Aliás, a falta de mão de obra especializada a tem afetado.

Conforme Julian Thomas, diretor superintendente da Hamburg Süd e da Aliança, a solução definitiva para este problema é o Brasil formar mais trabalhadores para o setor. “Mas isto demora. Creio que no curto prazo, a única opção viável seria a flexibilização das leis locais referentes ao uso de tripulações estrangeiras na cabotabem nacional.” A demanda aquecida que gera falta de trabalhadores não deixa de ser um problema, até certo ponto desejável, à Hamburg Süd/Aliança.

Hamburg Süd

Fundada no início dos anos 50, a Aliança foi adquirida em 1998 pelo grupo que controla a Hamburg Süd, player global do transporte marítimo de carga que em 2011 completa 140 anos de existência. Em 2010, a companhia transportou em todo o planeta 2,9 milhões de TEUs de carga e faturou 4,4 bilhões de euros. Um de seus maiores mercados é justamente a condução de mercadorias entre o Brasil e a Argentina, de um lado, e a Europa de outro. Da América do Sul para o Velho Continente vão café, autopeças, tabaco, frutas, frango e carnes diversas. Da Europa para cá chegam produtos químicos e também autopeças. 

Vale observar que a Hamburg Süd tem surfado no vigor da demanda europeia por mercadorias enviadas por via marítima. Ontem, por exemplo, o complexo portuário belga de Antuérpia informou uma alta de 7,9% na movimentação de contêineres no 1º trimestre deste ano. O local atingiu 2,17 milhões de TEUs escoados, novo recorde local, conforme Julian Thomas, superintendente das empresas.

Por outro lado, Thomas identifica o grande vilão da planilha de custos de suas empresas: os combustíveis. “De longe, a maior despesa é o petróleo que usamos para mover navios, tanto no Brasil como no exterior”. Os demais fatores que encarecem os fretes da Hamburg/Aliança são os gargalos logísticos brasileiros e o encarecimento generalizado da mão de obra do setor. A Hamburg Süd tem pesquisado fontes alternativas de energia para seus navios, como  gás natural e até mesmo  energia eólica.

Com as informações – Panorama Brasil

Por Caê Mahan

1 COMENTÁRIO

  1. Boa tarde,
    Sou professor de logística na cidade de Tatuí (SP), e gostaria de levar os alunos do 8.º semestre do curso de Administração para conhecer de perto as operações no Porto de Santos (SP). Seria possíveluma visitas às instalações da Aliança?; Em caso positivo como seriam realizadas as negociações para esse fim?.
    Agradeceria resposta através do e-mail: elison.caldeira@edu.uniso.br.
    Att.
    Prof. Elison

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