Conteúdo brasileiro finalmente valorizado na Perfuração

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Fiquei muito feliz quando na semana que passou li uma entrevista no Jornal Valor Econômico de um graduado executivo da nossa Petrobras defendendo que a contratação das sondas de perfuração da Petrobras estaria vinculada as suas construções nos estaleiros e canteiros brasileiros.

Fico ainda mais feliz pois desde quando estava à frente da Secretaria de Energia, Indústria Naval e Petróleo, lutávamos para execução exatamente desta forma de contratação, que já havia sido muito bem sucedida em uma estratégia semelhante que bolamos em 1999, para os barcos de apoio off-shore e que fez ressurgir muitos estaleiros no País e que fortaleceu o próprio segmento de apoio marítimo no País.

A tese que adotamos para os barcos de apoio off-shore: Dar contratos de afretamento de longo prazo, porém vinculados à construção das unidades no País, o que permitia inclusive sair do risco cambial de colocar toda a taxa de afretamento vinculada em moeda nacional e não somente em dólar.

Para deleite dos leitores do Blog estou repetindo o Blog de cinco anos atrás (julho/2006) como título “Plataforma de Perfuração: Acertos e erros”, onde na ocasião lamentávamos a não exigência de cláusula de contratação no País, que é finalmente agora adotada.

Segue o texto:

“Plataformas de Perfuração: Acertos e Erros (publicada em julho/2006)

Fico muito satisfeito que a tese que defendemos desde 1999 e que começamos, de forma pioneira, a utilizar com a Petrobras para os Barcos de Apoio Offshore, tenha finalmente chegado as Plataformas de Perfuração. Trata-se da substituição de Contratos eventuais “spots”, ou de curto prazo por contratos de longo prazo, superiores a 5 (cinco) anos, permitindo que investidores privados tenham a garantia mínima de receita para construir novas unidades.

Os contratos que movimentarão R$ 10,5 bilhões, que a Petrobras anuncia hoje que assinará com 4 (quatro) grandes e tradicionais Empresas Brasileiras (ODEBRECHT, PETROSERV, QUEIROZ GALVÃO e SCHAHIN) é uma vitória de nossa tese sobre a importância da criação (ou re-criação) de uma Indústria Brasileira de Perfuração Offshore, já que estas sondas no futuro poderão chegar a perfurar em 3.000 metros de lâmina d`água.

O único problema, e que considero uma grave omissão da Petrobras, foi a não colocação de obrigatoriedade da construção destas Plataformas (sondas) no Brasil ou pelo menos a colocação de um “Conteúdo Local Mínimo” no Brasil (50% a 60%), já que a sua colocação permitiria a geração de dezenas de milhares de empregos na Indústria de construção e Equipamentos no Brasil e um número de empregos infinitamente superior aos que serão gerados na operação (que são importantes mas serão muito poucos). Vale lembrar que tais práticas de afretamento sem “Conteúdo Local” sempre foram criticadas quando eram praticadas por governos anteriores.

Sempre é bom lembrar que com Empresas Brasileiras, com elevado conteúdo local na construção (infelizmente inexistente) e com conteúdo local na operação, poderemos colocar nas “Taxas de Afretamento” uma elevada parcela de pagamento em reais, reduzindo o dispêndio de moeda estrangeira (dólares).

Espero que, mesmo não havendo tais compromissos a consciência das Empresas que receberão tais Contratos, façam com que elas busquem tais construções no Brasil. Aliás uma delas, Queiroz Galvão, se apresentou na Licitação Transpetro disposta a construir os navios em um “Estaleiro Virtual” e desta forma tenho a certeza (ou espero) que também este “Estaleiro Virtual” será usado para construir esta Plataforma.

Por último, mesmo com tais ressalvas a Petrobrás está de parabéns e também a Indústria de Perfuração no Brasil, em especial o Presidente da Associação Brasileira de Perfuradores de Petróleo (ABRAPET), José Frasca Jardim, que tem sido incansável nesta luta conosco para valorizar e contribuir para o crescimento da Indústria do Petróleo no Brasil.”

Com as informações – Wagner Wicter / Globo.com

Por Rodrigo Cintra

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