Indústria Naval pretende formar mão de obra especializada e criar Parque Científico

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Com a retomada de negócios graças a investimentos no mercado de óleo e gás, a indústria naval brasileira aposta em pesquisa e desenvolvimento. O setor lançou no ano passado a Rede de Inovação para Competitividade da Indústria Naval e Offshore (Ricino), que pretende criar, nos próximos quatro anos, um centro de tecnologia e uma unidade de formação de técnicos em construção naval no Rio de Janeiro (RJ).

“O objetivo é articular ações de P&D na indústria e em instituições da área”, diz Floriano Pires, vice-coordenador do comitê gestor da rede, que articula um parque científico do mar e centros avançados de tecnologias de solda no Rio Grande do Sul. “Por meio de agências de fomento, órgãos do governo e empresas, estamos trabalhando para viabilizar projetos avaliados em R$ 60 milhões”, afirma.

Segundo Pires, que é professor de engenharia oceânica da Coppe-UFRJ e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Engenharia Naval (Sobena), a rede pretende trabalhar com as demandas da indústria e disseminar informações tecnológicas: um portal na internet, financiado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), deve estar pronto nos próximos dois meses.

As iniciativas chegam em boa hora. De acordo com o Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), o setor emprega mais de 80 mil pessoas. Com a expansão do número de estaleiros e encomendas, outros 15 mil empregos devem ser gerados nos próximos três anos – e a capacitação de pessoal será decisiva para acompanhar o ritmo dos negócios.

A indústria naval é considerada prioridade para o governo federal. Não só pela rapidez de gerar trabalho e renda, mas pela chegada de investidores robustos atraídos pelo pré-sal. Por conta disso, a demanda por embarcações de transporte de óleo e gás, graneleiros, sondas e plataformas de petróleo promete gerar um crescimento garantido ao setor. “Precisamos alcançar padrões de produtividade competitivos em curto prazo e, para isso, é necessário um forte investimento em P&D e inovação.”

Além da Sobena e do Sinaval, as instituições integrantes da Ricino são o Sindicato das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma) e o Centro de Excelência em Engenharia Naval e Oceânica (Ceeno), formado pela Coppe, Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), Universidade de São Paulo (USP), Transpetro e Cenpes, o centro de pesquisas da Petrobras.

As ações da rede são divididas em cinco núcleos: projetos de embarcações, cadeia produtiva e tecnologia da construção, além dos regionais Nordeste-Norte, em Pernambuco, e Sul, no Rio Grande do Sul, Estados que abrigam os polos navais de Suape e da cidade de Rio Grande, respectivamente. “As unidades promovem a articulação e a elaboração de projetos em suas respectivas áreas”, diz Pires. Empresas como a Usiminas e o Estaleiro Atlântico Sul também fazem parte dos núcleos.

Com as informações – Valor

Por Rodrigo Cintra

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