Petrobras estuda conversão de gás em petróleo

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A Petrobras estuda tecnologia inédita para instalação de unidades de Gas To Liquid (GTL) em suas plataformas do pré-sal. Atualmente, esta técnica que transforma o gás natural em óleo existe apenas em unidades em terra e nunca pôde ser levada para alto-mar devido ao tamanho das plantas, que não seriam suportadas por plataforma. Mas a gerente executiva de Exploração e Produção da Petrobras, Solange Guedes, afirmou que a companhia estuda junto a parceiros especializados neste tipo de tecnologia uma forma de instalar unidades reduzidas de GTL sobre as plataformas.

Cada unidade, segundo ela, seria como um módulo a mais – a exemplo dos já existentes de compressão de gás natural ou de geração de energia. Por conta disso, teriam uma capacidade reduzida, para processar apenas 500 mil metros cúbicos por dia. “Tudo ainda está em estudo e precisa ser testado devidamente antes de ser aprovado para um piloto”, afirmou Solange em entrevista à Agência Estado. Segundo ela, até o final de 2012 todo o processo estará concluído.

A implementação de unidades de GTL visa a um melhor aproveitamento ao gás natural que existe em grande quantidade nas áreas do pré-sal da Bacia de Santos, e é associado ao petróleo extraído dos reservatórios. Por conta do limite de capacidade de transporte por dutos, e pelas restrições à sua queima excessiva, o gás acaba sendo um fator limitante para a exploração das áreas, já que não se pode fazer estoques do produto. A Petrobras tem trabalhado com perspectivas de reinjeção e de aproveitamento do gás nas próprias plataformas, como de praxe em outras regiões. Porém, no pré-sal a quantidade de gás supera estas saídas convencionais.

Cada FPSO (navio-plataforma) que será instalado nesta primeira fase de desenvolvimento do polo de Tupi/Lula possui capacidade para produzir algo em torno de 120 mil a 150 mil barris de petróleo por dia e mais seis milhões de metros cúbicos diários de gás natural. São previstas pelo menos dez unidades na área a serem instaladas nos próximos cinco anos.

As rotas para que este gás seja escoado para o mercado hoje passam pelo duto que liga o campo de Lula à Mexilhão e daí segue para a costa paulista; um segundo duto que ligaria o polo ao litoral capixaba, onde há unidade de processamento e ainda a possibilidade de um novo duto, ainda com rota indefinida. Este novo duto disputa o investimento com unidade de liquefação do gás, também estudada pela companhia.

A unidade de GNL (Gás Natural Liquefeito) se difere da tecnologia do GTL, porque o produto final continua sendo o gás natural. Ele seria liquefeito em alto-mar para poder ser transportado em navios, e depois regaseificado em unidades próprias para isso, instaladas no Brasil ou no exterior. Esta alternativa vem sendo estudada em conjunto pela Petrobras com suas parceiras no pré-sal (BG, Repsol e Galp) e deve ser apresentada uma conclusão até outubro de 2011. A perspectiva é de construir uma unidade de liquefação com capacidade para processar até dez milhões de metros cúbicos por dia e custaria em torno de US$ 4 bilhões.

Em entrevista à na Offshore Technology Conference (OTC), o chefe de Engenharia da SBM Offshore, Andrew Newport, disse que os estudos para instalação da unidade de liquefação de gás no pré-sal estão bastante avançados. A SBM é uma das empresas contratadas pelo consórcio para contribuir nos estudos técnicos de viabilidade do projeto. Segundo ele, uma das maiores dificuldades é a segurança durante o emparelhamento das embarcações para o transporte do GNL. Além disso, diversas tecnologias tiveram que ser aprimoradas para receber o gás do pré-sal.

Já no caso do GTL, a Petrobras fez acordo há um ano com a norte-americana Modec e com a japonesa Toyo para construção de uma unidade integrada de demonstração em Fortaleza (CE). O custo total da usina de US$ 10 milhões será coberto pela Modec e pela Toyo Engineering. Um primeiro teste deverá ser feito nos próximos meses. Outra unidade de testes também foi instalada em Atalaia, no Sergipe, e vem produzindo gradualmente há um ano para efeitos de teste.

Com as informações – Kelly Lima / Agência Estado

Por Rodrigo Cintra

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