Odebrecht inicia operações com a Norbe VI – Faturamento pode chegar a US$ 1,6 bilhão

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Primeiro equipamento da empresa de serviços OOG entra em operação na próxima semana para cumprir contrato com a Petrobrás. Para atingir a meta de receitas em 2013, quando estará em plena operação, empresa estima investimento de US$ 3,5 bilhões.

A Odebrecht Óleo e Gás tem papel prioritário dentro do objetivo da gigante nacional – mais conhecida por seu braço de construção – de diversificar receitas. A OOG, sigla pela qual é conhecida, começa efetivamente a operar na próxima semana, quando a unidade de perfuração Norbe VI inicia os trabalhos para a Petrobrás. Esse será o pontapé inicial para a empresa, hoje com receita perto de zero, atingir a meta de faturar US$ 1,6 bilhão em 2013.

Dentro das possibilidades disponíveis no setor de petróleo no País, a previsão pode ser até considerada conservadora. O cálculo leva em conta os contratos já fechados com a Petrobrás, que será a principal cliente do braço de óleo e gás da Odebrecht. A estatal, que terá participação mínima de 30% na exploração de reservas do pré-sal, prevê investir US$ 224 bilhões no período entre 2010 e 2014 para dar conta do desafio de extrair óleo e gás de águas ultraprofundas.

Até o fim do próximo ano, a OOG deverá ter cinco sondas de perfuração, além de um navio de produção no qual o grupo negocia uma participação de 50%. O orçamento para investimentos da companhia de 2010 a 2013 é de US$ 3,5 bilhões. No entanto, parte dos equipamentos recebidos agora não está incluída neste valor, pois foram comprados entre 2008 e 2009.

Na semana passada, a OOG recebeu sua segunda unidade de perfuração, a Norbe VIII; uma terceira deve chegar dentro de dois meses – a ideia é que todas estejam em operação até dezembro. Com a receita gerada por esses equipamentos, o faturamento da OOG deve ficar próximo de R$ 300 milhões em 2011. De acordo com o presidente da empresa, Roberto Ramos, as unidades são um “mix” de plataformas semissubmersíveis e navios-sonda, que atendem diferentes necessidades de exploração.

Os equipamentos, construídos na Coreia do Sul, devem ajudar na exploração dos primeiros campos de petróleo do pré-sal. A Norbe VIII, por exemplo, tem capacidade de retirar óleo de profundidades de até 3 mil metros. “A gente vai sair do zero para a produção plena até o segundo semestre do ano que vem, quando todos os equipamentos previstos deverão estar em operação. Trata-se de um negócio em que não há risco, pois o investimento nos equipamentos está baseado em contratos de longo prazo com a Petrobrás”, ressalta o presidente da OOG.

O executivo explica, no entanto, que a parceria com a Petrobrás pode alçar voos mais altos. Ramos conta que a OOG está disputando contratos relacionados às 28 sondas que a petrolífera pretende construir no País, dos quais apenas sete já foram licitados. Como uma empresa de serviços, o braço de óleo e gás da Odebrecht tem o papel de auxiliar na operação desses equipamentos. De acordo com Roberto Ramos, a ideia da OOG é prestar serviços em diferentes fases do processo: retirada do óleo de águas profundas, transporte e armazenamento.

Para Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIC), as oportunidades para empresas como a OOG poderiam ser ainda maiores. Segundo ele, a mudança nas regras do setor de petróleo, que reserva a operação à Petrobrás, previne investimentos de gigantes como Shell e Chevron, reduzindo a velocidade da exploração das reservas e as possibilidades de parceria para as companhias de serviços. “Do jeito que a regra ficou, as multinacionais ficam subordinadas à Petrobrás. O modelo deve afugentar as petrolíferas tradicionais e atrair as chinesas, interessadas mais em ser sócias dos poços do que no trabalho em si.”

De qualquer forma, o especialista diz que o aumento da importância do setor de petróleo no PIB nacional é inegável. “Em 1997, o petróleo representava 3% das riquezas do País; agora, o porcentual está em 12%. A estimativa é de que o segmento atinja 20% do PIB em 2020.”

Mão de obra. Embora a OOG esteja em fase pré-operacional, o ritmo de contratações da empresa é forte: dos 4 mil funcionários necessários para a operação a pleno vapor, em 2013, a companhia já contratou 2,2 mil. Para isso, usou mão de obra formada pelo Programa de Mobilização da Indústria de Petróleo e Gás (Prominp) e por um projeto interno, batizado Embarcar.

O investimento na capacitação de profissionais de nível médio garante aos contratados um salário de R$ 3 mil para o cargo de entrada na profissão – o valor inclui benefícios do trabalho off shore. Como assistente de operações, o funcionário ajuda em diversos serviços das unidades de perfuração. “Ele trabalha 14 dias embarcado e folga 14 dias, conforme a regra do sindicato da categoria”, diz Ramos.

Diante da disputa por profissionais no mercado de petróleo, a Odebrecht atrelou ao programa de capacitação uma estratégia de retenção. Segundo o executivo da OOG, todos os profissionais iniciam o trabalho com uma perspectiva de progressão de carreira – como acontece nos cargos executivos. “Ele sabe que poderá passar de ajudante a torrista e, no final, a superintendente de sonda. A pessoa trabalha com perspectiva de 30, 35 anos.”

PARA ENTENDER

Criatividade ao captar recurso

Após lucrar R$ 1,5 bilhão em 2010, o Grupo Odebrecht tem um desafio pela frente: aumentar de R$ 10 bilhões para R$ 15 bilhões seus investimentos neste ano. Além de atrair sócios estratégicos para os negócios – no caso da OOG, a Temasek, de Cingapura -, a companhia tem recorrido à criatividade de sua área financeira para fazer frente aos investimentos.

O vice-presidente financeiro da empresa, Luciano Guidolin, diz que a companhia trabalha para ter um “colchão de liquidez”. A meta é que as empresas tenham caixa para agir rapidamente caso uma oportunidade de negócio apareça. No ano passado, o grupo captou R$ 20 bilhões. O valor, que financiou investimentos e troca de dívidas, também ajudou a engordar o caixa das diferentes empresas em R$ 4 bilhões.

Guidolin diz que a Odebrecht trabalha para diversificar suas opções de capital, reduzindo sua dependência dos bancos. Para isso, o grupo testa outras formas de atrair investimentos. Em 2010, a companhia captou US$ 1,5 bilhão no setor de óleo e gás ao oferecer como garantia contratos de aluguel de sondas e propriedade de navios. O interesse, diz o executivo, foi quatro vezes superior ao volume captado.

Com as informações – Fernando Scheller / O Estado de S.Paulo

Por Rodrigo Cintra

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