Dilma refresca a memória de Chávez

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A PDVSA, petroleira venezuelana, já acumula dívidas próximas a US$ 1,4 bilhão com a Petrobras, referentes à operação em campos terrestres por quatro empresas mistas, nas quais as duas estatais são sócias na Venezuela. O atraso nos pagamentos foi lembrado pela equipe da Presidente Dilma Rousseff ao Presidente venezuelano Hugo Chávez, que visitou o Brasil com o pedido de mais investimentos brasileiros no país vizinho. O Governo brasileiro quer de Chávez maiores garantias de estabilidade para os negócios no país, e sugeriu que pagasse o que o país deve à Petrobras. 

Discretamente, o comunicado conjunto assinado pelos dois presidentes menciona “a importância de garantir a continuidade dos projetos em execução, que incluem hidrelétricas, estradas, trechos do metrô de Caracas, siderúrgica e indústria de processamento de alimentos”. 

Chávez planejava vir ao Brasil em maio, e adiou a viagem por causa de uma lesão no joelho. O Ministro de Relações Exteriores, Nicolás Maduro, veio em lugar do presidente venezuelano, e foi informado do desconforto brasileiro com a dívida em relação às operações da Petrobras. Como demonstração de boa vontade, antes da chegada de Chávez, na última semana de maio, a Venezuela pagou cerca de US$ 80 milhões em dividendos também devidos à Petrobras. 

Apesar do incômodo com o não pagamento à Petrobras, o encontro entre Dilma e Chávez foi cordial, com troca pública de amabilidades. “Ela me roubou o coração”, chegou a discursar Chávez, no Palácio do Planalto, ao contar a primeira vez em que viu a Presidente, então Ministra de Minas e Energia (2003-2005).

Os dois presidentes tiveram encontro reservado com poucos assessores, por mais de uma hora, e, em seguida, uma reunião ampliada com ministros e assessores, que detalharam 12 acordos a serem assinados pelos dois governos e entre empresas venezuelanas e brasileiras. 

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) comprometeu-se a financiar um estaleiro em Sucre, na Venezuela, com US$ 637 milhões. Além disso, a Braskem firmou com a PDVSA um acordo de compra de nafta e derivados a serem pagos por meio de um fundo de investimentos em infraestrutura. A maior parte dos acordos divulgados ontem é de cooperação técnica, em áreas como combate à febre aftosa, ou desenvolvimento da faixa do Orinoco, região de recursos naturais pouco povoada na Venezuela. 

Executivos da Petrobras e da PDVSA terão um encontro ainda nesta semana, segundo informou o Assessor Especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, ao lhe perguntarem sobre o financiamento à construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, outro compromisso não cumprido pelo Governo venezuelano. 

A PDVSA tem até agosto para aportar investimentos na refinaria – construída apenas com recursos da Petrobras. Garcia disse estar otimista em relação à participação da PDVSA no empreendimento, que será tema da reunião desta semana. Garcia informou que a Venezuela estuda comprar 20 aeronaves comerciais da Embraer, para transporte de passageiros. 

Ainda no ano passado, atendendo a pedidos do então Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Presidente venezuelano ordenou a liberação de pagamentos a exportadores brasileiros retidos pelo Cadiv, o cadastro de operações de câmbio criado pelo governo venezuelano para evitar a sangria de dólares do país. Foram liberados cerca de US$ 78 bilhões, dos US$ 96 bilhões retidos. Além disso, o Governo intervém para que o restante seja pago, na maior parte uma dívida com uma grande empresa brasileira do setor automotivo. 

Os dois presidentes decidiram realizar em breve uma reunião da comissão de monitoramento do comércio, para discutir as queixas do setor privado, nos dois lados. Chávez tem grandes expectativas na cooperação entre os dois países para levar à Venezuela a experiência brasileira com construção de casas populares pelo programa Minha Casa Minha Vida, lançado em 2009.

Com as Informações – Valor Econômico

Por Rodrigo Cintra

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