Construção Naval cara = vou construir fora do Brasil

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No texto Vale 2001–2011: 10 anos de sucesso. publicado neste Jornal do Brasil, em 18/05, analisei os excelentes resultados da mineradora no periodo citado e os motivos da saída do CEO Roger Agnelli. Afinal, qual foi o “erro” de Agnelli? A resposta é simples: contrariou o antecessor da Presidente Dilma por ter comprado na Coreia do Sul sete navios mineraleiros de 400 mil toneladas ao custo unitário de US$ 110 milhões, visto que no Estaleiro Atlântico Sul (EAS) teriam um custo de US$ 236 milhões, ou seja, 114,55% mais caros, além de um prazo muito longo. Igualmente, a Vale comprou outros doze navios encomendados a estaleiros na China no valor total de US$ 1,6 bilhão (US$ 133 milhões/navio).

Resolvido o “problema” da Vale com a substituição de Agnelli por outro CEO amigo da Presidente Dilma (e que obviamente terá que seguir a cartilha do PT), a bola da vez passou a ser o empresário Eike Batista, do grupo EBX. Mais recentemente, no dia 03/06, quando do batismo da belíssima plataforma P-56, que teve o casco totalmente construído no Brasil, assistimos a mais uma cena de sindicalismo xenófobo quando um representante da Federação Única dos Petroleiros (FUP) criticou o empresário por contratar obras no exterior. Disse o sindicalista: “Esses empresários estão levando empregos para o exterior. O senhor Eike Batista, que comprou áreas de exploração de petróleo no Brasil, agora quer construir lá fora petroleiros, plataformas e tudo” (Estadão, 03/06).

É claro e evidente que a EBX contratou os seus navios e plataformas no exterior pela mesma razão da Vale, ou seja, “lá fora” os preços são infinitamente mais baixos do que os praticados aqui e com prazos menores. Assim, o sindicalista da FUT, antes de sair atacando os empresários que se preocupam com os custos e a saúde financeira de suas empresas, deveria ter aproveitado a presença da senhora Presidente da República, Dilma Rousseff, e demais autoridades para fazer-lhes a seguinte pergunta: “Por que sondas, plataformas e navios fabricados no Brasil são muito mais caros que no exterior?”. Se tivesse feito a pergunta, e alguma autoridade tivesse tido a coragem de responder, a resposta seria simples e objetiva, ou seja, os custos aqui são altos devido à exorbitante carga tributária dos materiais e a enorme incidência de encargos na mão de obra que faz mais do que dobrar o salário dos empregados.

A prova mais eloquente dessa distorção está na contratação de sete sondas (primeira etapa de um total de 28) pela Petrobras ao Estaleiro Atlântico Sul. Segundo o jornal Folha de S. Paulo (17/05) “cada unidade saiu por US$ 644,3 milhões. No mercado internacional, o preço unitário varia de US$ 400 milhões a US$ 500 milhões”. Façamos o cálculo do acréscimo para construir as sondas restantes no Brasil: (US$ 644,3 milhões-US$ 500 milhões) x 21, teremos US$ 3,03 bilhões, valor esse equivalente a duas plataformas do modelo da P-56 (US$ 1,5 bilhão), com capacidade para 100 mil barris/dia de petróleo e 6 milhões de metros cúbicos de gás/dia. Segundo a Folha (03/06), “o processo licitatório aberto anteriormente havia sido abortado no início do ano por conta dos altos preços cobrados pelos participantes”.

Não resta dúvida de que a indústria naval é uma empregadora intensiva de mão de obra e materiais, e tem um enorme efeito multiplicador. Hoje, essa indústria dá emprego direto a 60 mil pessoas, com possibilidades de passar dos 100 mil já em 2015. Temos capacidade de ser competitivos a nível mundial e atender compradores de outros países, mas, para isso, é mister que a construção naval alcance padrões internacionais de custo e prazo. No entanto, para que isso aconteça, é necessário que o governo federal diminua a carga tributária sobre toda a cadeia produtiva, para que possamos ser um grande player no mercado mundial. Não esqueçamos de que nos anos 1970 o Brasil foi o segundo maior produtor naval do mundo, quando a carga tributária não era escorchante como agora.

Humberto Viana Guimarães é Engenheiro e Consultor.

Com as informações – Humberto V. Guimarães / JB

Por Rodrigo Cintra

1 COMENTÁRIO

  1. eu queria saber mas sobre as oportunidades de emprego nessa
    aréa de sonda pois gostaria muito de ingressar a rede de Eike Batista…..obrigado.

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