Arqueólogos desenterram embarcação de Faraó no Egito

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Arqueólogos japoneses e egípcios começaram a desenterrar nesta quinta feira um barco de mais de 4,5 mil anos encontrado próximo à Grande Pirâmide de Gizé, uma das principais atrações turísticas do Egito e que acredita-se ter sido construída por ordem do faraó Quéops para servir como sua tumba.

A embarcação é uma das duas enterradas junto com o faraó da Quarta Dinastia, que governou o Egito Antigo durante 23 anos por volta de 2680 a.C., e deveriam carregar sua alma em viagens diárias acompanhando o deus-Sol Amon-Rá, do qual era considerado filho, no mundo pós-vida.

O primeiro barco, com cerca de 140 pés de comprimento (43 metros), foi descoberto desmontado em um poço ao lado da pirâmide em 1954. Suas 1224 partes foram remontadas em 1971 e ele está em exposição em um museu no local. Ainda em 1954, os arqueólogos encontraram evidências de um segundo poço que guardaria outro barco também desmontado, o que só foi confirmado por pesquisas em 1987. Agora, os arqueólogos removeram os 41 blocos de calcário de 16 toneladas cada que o cobriam e darão início a sua restauração, patrocinada por um fundo de US$ 10 milhões da Universidade de Waseda, no Japão.

– Este é um dos mais importantes projetos de arqueologia e conservação do mundo – considerou Zahi Hawass, arqueólogo e ministro de Antiguidades do Egito.

Um para viajar de dia e outro de noite

Segundo os pesquisadores, as duas embarcações são irmãs e foram feitas de cedro libanês e acácias egípcias. Embora sua aparência seja semelhante, eles acreditam que o segundo barco é um pouco menor e esperam recolher ao menos 600 peças que o compõem nos próximos dois meses. Ambos foram cuidadosamente depositados nas duas câmaras como se fossem móveis pré-fabricados, com os componentes agrupados em sequência para serem remontados.

Por isso, Hawass não crê que um dos barcos tenha sido usado para carregar o corpo de Quéops na procissão funerária entre seu palácio em Mênfis e a tumba em Gizé. Segundo ele, as embarcações tinham uma função simbólica, pois os antigos egípcios acreditavam que o Sol cruzava o céu de Leste a Oeste a bordo de um barco diurno chamado Mandjet, tomando então um barco noturno batizado Mesektet para fazer a viagem de volta do submundo.

– Assim, um barco era para carregar o faraó pelo céu diurno, enquanto o outro era para sua viagem noturna – explicou Hawass ao site “Discovery News”.

Já quanto ao fato de os barcos estarem desmontados, o arqueólogo afirma que isso não seria problema, pois o deus-Sol sabia como reconstruí-los. O mesmo, no entanto, não se pode dizer dos restauradores responsáveis pelo projeto. Apesar de as peças estarem agrupadas em uma ordem pronta para montagem, Ahmad Youssef, restaurador-chefe do Departamento de Antiguidades do Egito, levou 13 anos para terminar o trabalho com o primeiro barco. Já para o segundo, a expectativa é de que ele esteja pronto em quatro anos, quando então substituirá a primeira embarcação no museu próximo à Grande Pirâmide, que por sua vez será exposta no Grande Museu Egípcio, atualmente em construção no Cairo.

Com as informações – O Globo

Por Rodrigo Cintra

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