Ouro de Tolo – Bacia do Araripe não possui petróleo

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Depois de quase um ano de pesquisas, a Agência Nacional de Petróleo (ANP) concluiu: a Bacia do Araripe, que envolve a região do Cariri cearense e a porção noroeste de Pernambuco, não possui petróleo para comercialização. O órgão investiu R$ 3,8 milhões para fazer a análise e interpretação dos dados coletados, acreditando na possibilidade de incluir uma nova área em seus próximos leilões de exploração, mas os resultados não foram satisfatórios.

“Em todas as amostras coletadas, as concentrações de gases registradas foram muito baixas e o estudo geoquímico realizado pela ANP, apesar de contar com uma densa malha de amostragem e análises laboratoriais acuradas, não identificou em nenhuma parte da Bacia do Araripe indícios de gás ou óleo que comprovassem a existência de um sistema petrolífero atuante”, informou a agência ao Diário do Nordeste, através de sua assessoria de imprensa.

Valorização era esperada

O levantamento geoquímico da Bacia do Araripe estava incluso no Plano Plurianual de Estudos Geológicos e Geofísicos da ANP, financiado com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O estudo, de acordo com o órgão, objetivava a identificação e caracterização de “possível sistema petrolífero ativo”. “Esta confirmação poderia valorizar a área e, consequentemente, aumentar a atratividade e o interesse das companhias petrolíferas em futuras licitações da ANP”, explicou a agência. Para realizar a pesquisa, a ANP contratou, por meio de licitação, a empresa Ipex, que realizou a coleta e interpretação dos dados entre junho de 2010 e março deste ano. Os resultados, entretanto, só foram divulgados agora. No levantamento, foram coletadas 2.000 amostras de solo em uma área de aproximadamente 7.500 quilômetros quadrados, distribuída pelos estados do Ceará e Pernambuco.

“Posteriormente, estas amostras foram encaminhadas para análises geoquímicas e microbiológicas, objetivando a detecção indícios de óleo e gás nas amostras coletadas”, esclareceu a ANP.

Expectativa antiga

Suspeitava-se, desde algum tempo, da possibilidade de existir petróleo em quantidades comercializáveis na Bacia do Araripe. Tanto que outras pesquisas já foram realizados por lá, inclusive com parceria da Petrobras, como é o caso de estudos de pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. O Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) já chegou a informar ao Diário que, apesar de o órgão ainda não ter conhecimento de evidências de petróleo e gás na Bacia do Araripe, no fim da década de 1980 e início da de 1990, a Petrobras fez estudos por lá. A estatal confirmou estes estudos, informando que eles foram realizados ainda antes da existência da ANP, que foi criada em 1993. A estatal informou, contudo, que não foram identificadas descobertas. Entretanto, a ANP resolveu estudar o local, utilizando outro método de pesquisa. “A mesma (área) apresenta-se com uma baixíssima densidade de dados, compostos por algumas linhas sísmicas, dados potenciométricos e apenas dois poços perfurados, além de escassos estudos geológicos (…). Esta bacia não possui nenhum sistema petrolífero comprovado”, informara a ANP quando do início das pesquisas. Uma das motivações que levava a crer no potencial petrolífero da bacia era que ventilava-se, entre os pesquisadores, a possibilidade de ela estar integrada à Bacia Rio do Peixe, na Paraíba, onde já é feita exploração comercial.

Bacia do Ceará

Além da Bacia do Araripe, a Bacia do Ceará também foi incluída no plano plurianual da ANP. Esta, contudo, ainda está em fase de levantamentos, que estão sendo realizados pelo consórcio formado entre as empresas Ipex (a mesma que analisou a Bacia do Araripe) e a Fugro. Até o dia 30 de dezembro o relatório completo deve ser entregue à ANP.

Serão coletados, para a análise e interpretação, 1.000 testemunhos em amostras do assoalho oceânico da parte ocidental da bacia, indo até o Maranhão e ocupando uma área de 9,4 mil quilômetros quadrados. Atualmente, ela só é explorada na parte referente ao litoral de Paracuru, onde se encontram os campos de Xaréu, Atum, Curimã e Espada.

Com as informações – Diário do Nordeste

Por Rodrigo Cintra

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