Carol Britto estréia no Portal – Já ouviu falar em água de formação?

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Bem,antes de ir para minha praticagem nem sabia esta palavra, nem de onde vinha. Quando cheguei no navio só sabia suas facilidades: o navio fica um bom tempo no porto, depois de carregado fica 48 horas fundeado(devido MARPOL), e por aí vai… para o pessoal de bordo…”que beleza”, vamos pegar lancha direto… ninguém pensa nos problemas futuros ao trabalhar com este tipo de carga.

Cientificamente a água de formação é descrita como a que ocorre naturalmente nos poros de uma rocha e é produzida junto com o petróleo. Geralmente, na produção das FPSO’s, ela é aliviada junto com o o petróleo cru. Depois de um tratamento na refinaria, ela é enviada para os navios que fazem seu alívio em alto mar através do aparelho de ODME (monitor de lastro).

A água de formação tem alta concentração de H2S, que tem odor característico de “ovo podre”. A curto prazo causa irritação nos olhos e afeta o sistema respiratório. A longo prazo ela afeta o sistema nervoso e pode reagir com enzimas essenciais que contêm elementos metálicos, como o cobre, o zinco e o ferro formando sulfetos metálicos, e, conseqüentemente, acarreta a perda de sensibilidades importantes na vida do homem, podendo até mesmo desenvolver para um câncer.

Carol Britto é Oficial de Náutica formada pelo CIAGA

Se você é marítimo ou embarcado em plataformas e trabalha com esse tipo de carga, ou qualquer outra com grande quantidade de H2S, cuide de você primeiro, use sempre o detector de gás, e se possível máscara se for trabalhar na operação.

Lembre-se que seu principal objetivo é voltar inteiro pra casa.

Por Carol Britto

3 COMENTÁRIOS

  1. Carol
    Aproveitando a oportunidade, também quero escrever mais algumas palavras sôbre este perigo invisível
    que é conhecido também como o gás da morte.
    Trabalho em navios PLSV,então diretamente ponho a mão na massa, pois fazemos desmobilização
    de poços e consequentemente temos que armazenar linhas flexiveis a bordo com o dito cujo.
    Você está de parabéns em tratar deste assunto com tanta propriedade.
    Geilson

  2. Existem produtos químicos que neutralizam este gás, chamados de “sequestrantes de H2S”, reduzindo a concentração dele a níveis mais aceitáveis no fluido. Não sei se isso cabe à armazenagem e transporte de petróleo por navios, mas em produção isso é bem utilizado.

  3. Em navios,não utilizamos seqüestrante e não fazemos uso de químicos, pois a água de formação já é tratada na refinaria,mas mesmo assim o teor é bem alto.

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