Diário de Bordo 1 – Estou voltando pro Brasil

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Não tracei planos. Não fiz esquemas. Não faço idéia de como as coisas irão acontecer dia após dia. Por ora, só gostaria de, enfim, após mais de 1 ano, voltar a empurrar água.

Quanto mais cedo eu ver Ilhas Maurício para trás, mais cedo verei novamente, o que quando era praticante, tanto me empolgava: ponte Rio-Niterói, Baía de Guanabara, Copacabana, dentre tantas outras coisas que sempre vão estar ligadas a um sentimento de euforia suprema. Chegar ao Rio: nada, repito, nada, na minha curta vida de vapo é, foi, ou será mais prazeroso que isto.

Se antes, pela saudosa cabotagem, as pernadas mais longas eram de no máximo uns 10 dias, hoje tenho pela proa cerca de 25 dias do mais puro longo-curso. Internet, Facebook? Um luxo. Um luxo que não temos. Um servidor de e-mail com uma conta coletiva é tudo que nos resta. Telefone? 15 minutos por semana no Inmarsat e olhe lá! E a saudade? Bom, estou longe tem menos de 1 semana, então prefiro deixar ela como assunto pra outro dia, antes que me chamem de exagerado. Mas ela está aqui. É membro fixo da tripulação do navio.

“Mas e na máquina, Caê?” Vai tudo bem, obrigado. A falta de sobressalentes e material humano faz a gente levar tudo da maneira mais simples possível: motores, thrusters e compressores são prioridades. Sem eles não seguimos. Sem seguir, não chegamos. Sem chegar… Bom, não é isso que todos queremos?

Falando em todos, ta aí o grande ponto positivo da história: a tripulação. Boa parte passou junta por poucas e boas na Coréia, o que nos fez mais do que simples companheiros de trabalho. Somos uma grande família no meio do oceano. E como nas melhores famílias, temos de tudo um pouco. Mas graças a Deus, no fim tudo acaba bem. Eu disse fim? Ok, prometo não usar mais essa palavra, por que o fim tá longe de chegar. Bem longe…

Bons ventos pra nós! Ventos a favor, por favor.

Por Caê Mahan

1 COMENTÁRIO

  1. Pois é meu camarada… empurrar água de vez em quando é bom…. quando a gente sai da EFOMM com a visão ainda acanhada de praticante recém formado nem imagina a gama de atribuições que teremos como oficiais! Boa viagem! e até a sua outra volta porque nossas escalas nunca mais se encontraram! Grande abraço!

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