A Importância da Ética e da etiqueta nas empresas e no dia a dia

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E o que eu ganho com isso? Em uma sociedade onde a escala de valores prioriza o indivíduo; em seguida a sua própria família e por último a sociedade, começo este artigo com a provocação da pergunta acima, propositalmente.

Acredito que todos nós estamos em um ponto determinado da escala mostrada lá em cima, de acordo com nossa evolução moral e a educação recebida. Quase sempre reconhecemos a falta de ética em outras pessoas, mas dificilmente reconhecemos (às vezes sequer percebemos) a nossa própria falta de ética.

Assim, vamos começar este artigo respondendo a pergunta, cuja resposta poderia ser sintetizada pela frase “Se o malandro soubesse como é legal ser honesto, ele seria honesto só de malandragem”.

A pessoa que pratica a ética tem no mínimo as seguintes vantagens:

a) Eu vejo a sociedade brasileira, formada em sua maioria por pessoas individualistas, como uma torcida em um campo de futebol ou a platéia de um espetáculo de arte, onde há lugares para todos ficarem confortavelmente  sentados, mas onde ninguém se senta porque os outros também não se sentam.  Mas se a maioria se sentar (metáfora de praticar a ética), todos poderão assistir confortavelmente. E o jogo ou espetáculo da vida é longo, muito longo, quando comparado com um jogo de futebol ou show artístico. A cooperação, portanto, leva ao bem estar de todos, incluindo o nosso próprio bem estar, este tão caro para nós, especialmente para os mais individualistas.

b) Quem vive em ambientes corporativos percebe que as exigências com relação ao meio ambiente e a segurança aumentaram enormemente. E as empresas que não se adaptaram a essas novas exigências não sobrevivem ou não sobreviverão. O motivo é simples: a sociedade brasileira não aceita mais empresas que poluem ou que provocam muitos acidentes. E a forma de pressão é fantástica: ações perdem valor na bolsa; as autoridades interditam atividades; clientes deixam de comprar , a comunidade no entorno passa a atuar contra, etc. Isto certamente vai acontecer com a questão ética. Aliás, já está começando a acontecer. Logo logo a pressão sobre as empresas para questões Éticas serão tão grandes quanto para as questões de Segurança e de Meio Ambiente. E você, leitor, como membro de uma Empresa, vai ter que se enquadrar. É melhor começar a praticar, se ainda não o faz.

c) Olhe à sua volta. Perceba que, fora as exceções que confirmam a regra, os principais executivos das empresas estão sempre no terço superior na escala Ética. E a razão é muito simples: as pessoas dificilmente seguem com o coração um líder que não é ético. Isto é tão verdadeiro que tenho observado alguns empresários com pouca ética, contratando executivos extremamente éticos para “tocar” suas empresas. Então, mais uma vez, o seu futuro profissional, em breve, vai depender de quão ético você for.

Etiqueta Empresarial

Etiqueta, segundo a Wikipédia, é um conjunto de regras sociais convencionado para ajudar o relacionamento entre as pessoas. E, obviamente, deriva da palavra “Ética” Em maior ou menor grau, todos nós recebemos uma educação básica de regras de convivência com outras pessoas: “Dê bom dia”, “respeite as filas”, “responda quando perguntado”, “atenda quando alguém tocar a campainha”, “atenda ao telefone em casa”.

Pelo amor ou pela dor vamos aprendendo essas regras, inclusive no trânsito. Tirando os “trogloditas”, conseguimos conviver e lidar com congestionamentos, altas velocidades em rodovias e nas diversas situações cotidianas, criando  códigos de conduta para que todos se saiam o melhor possível nessas atividades.
Sinto, porém, que não está claramente definido (em muitos casos nada definido) o conjunto de regras de etiqueta básica no mundo empresarial (acho que poucos gerentes se dispõem a ensiná-la).

Vou, portanto, arriscar a sugerir algumas regras de etiqueta empresarial para ajudar o relacionamento no mundo corporativo.

• Responda e-mails: Claro, ninguém vai responder a uma mala direta de vendas. Não é isso. Refiro-me àqueles e-mails que perguntam e pedem claramente uma resposta. A mim me parece algo surreal que não se responda; é como se alguém perguntasse algo para outra pessoa em um local público e esta pessoa passasse direto sem responder. Estranho, não é? Sempre estamos correndo, não temos tempo. Mas até isso podemos driblar respondendo “desculpe-me, não tenho tempo para responder agora”. Quantos segundos demoraríamos para responder isto?

• Não mande e-mails desnecessários: Tendo em vista a facilidade de se enviar copias de e-mails, é difícil segurar a vontade de enviar cópias “só para garantir”, ou então, “é importante que todos tenham esta noticia”. Mas será mesmo? Ponha-se no lugar do outro. Quantos e-mails desnecessários você recebe por dia? Os que enviam poderiam diminuir o número? Então, provavelmente você também pode.

• Cumpra horários: Para mim, é muito grande o valor que se perde no Brasil por uns ficarem esperando outros, gerando horas improdutivas. Vale também para horários de término de atividades. A pouca objetividade, leva a atividades intermináveis, gerando perdas importantes devido à improdutividade.

• Preste atenção naquilo que as pessoas estão falando para você: Parta do princípio que se ela está falando, o mínimo que temos que fazer é ouvir. Afinal, todos nós sabemos que uma das competências supercríticas do Gerente é saber ouvir. Melhor dizer: “olha, agora não tenho tempo para discutir este assunto”, do que ficar de corpo presente e sua mente trabalhando em outras coisas, em total desrespeito ao outro.

• Atenda ao telefone quando não tiver ninguém disponível para fazê-lo: Tudo bem, atender telefonema dirigido para outra pessoa é quase sempre uma “encrenca”, pois vai nos dar trabalho adicional. Mas pense: pode ser aquele cliente que você mesmo está esperando; ou o fornecedor avisando algo importante, ou mesmo uma informação familiar extremamente importante e urgente para aquela pessoa. Ponha-se no lugar dela. Você gostaria que atendessem um chamado para você informando, por exemplo, que seu ente querido precisa urgentemente de sua ajuda? Então, atenda o dos outros também. Além de tudo, um educado “fulano ou fulana não está, posso ajudar?” alavanca a imagem de sua empresa, de seu departamento e a sua, como profissional.

• Dê retorno às ligações telefônicas, inclusive no celular: É incrível o número de vezes que eu, como Consultor, deixo recado para alguém me ligar, sem retorno. Silencio total. Sei que as pessoas estão muito ocupadas, e geralmente com coisas mais urgentes e/ou mais importantes para fazer do que falar comigo, que atualmente sou fornecedor. Mas não custa nada pedirmos para alguém retornar, para resolver ou pelo menos dar uma satisfação. Eu fazia isso quando exercia a função de Gerente Geral de uma grande refinaria e sei que isto é perfeitamente possível.

• Pergunte se a pessoa pode falar ao celular naquele momento: É comum recebermos ligações ao celular em qualquer horário e a outra pessoa disparar a falar, sem perguntar onde estamos ou se podemos falar ao telefone naquele momento. Perguntar: “é possível falar agora?” além de demonstrar o seu respeito para com o outro, fará com que, muito provavelmente, essa pessoa irá atender sempre seus telefonemas.

• Verifique como seus “stakeholders” está sendo tratados na portaria: Perguntei a um amigo meu, ex-presidente de uma importante multinacional no Brasil, agora reconhecido Consultor, como ele lidava com o profundo desrespeito com que quase sempre somos tratados pelos “recepcionistas” e vigilantes nas portarias das Empresas. Ele me respondeu que não tem clientes assim, porque os abandona na primeira ocorrência. Eu não sou tão radical, mas trabalho com muito mais motivação nos lugares onde sou bem tratado. E acredito que isto aconteça com todos os públicos de interesse, inclusive clientes e autoridades.

• Modere o uso de palavras em inglês: Existem palavras como o “Stakeholders” aí de cima, que têm seu correspondente em português bem menos apropriado. Existem até aquelas palavras que sequer tem uma correspondência em português, como “by-pass”, por exemplo. Para estas, tudo bem. Mas existem muitas outras palavras que soam para mim como se a pessoa que as fala quisesse dar “peso” às mesmas: “Performar” no lugar de desempenhar; “business” no lugar de negócio; “target” no lugar de alvo, são exemplos disso. Penso que o Brasil está fazendo por merecer que utilizemos sua língua oficial, sempre que for possível.

Notem os leitores que em nenhum momento defini “Ética”. Creio que não é necessário. Para mim, ela deriva diretamente de uma regra de ouro, que nos foi  ensinada há quase 2.000 anos: “Ama a teu próximo como a ti mesmo”.

Com as informações – Manutenção.net

Artigo escrito por Luiz Alberto Verri, ex-Gerente Geral da Refinaria de Cubatão da Petrobras e Professor convidado da Fundação Dom Cabral.

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Por Rodrigo Cintra

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