Mercadante cobra investimentos das empresas privadas

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Para o Ministro da Ciência e Tecnologia Aluizio Mercadante, o Brasil precisa escolher o que quer ser e aproveitar a oportunidade dada pelos royalties do pré-sal para desenvolver a ciência no país. “Somos um grande exportador de alimento, este setor vai crescer muito nos próximos anos. Somos também um grande exportador de minério e de petróleo. Temos que usar o preço das commodities, esta janela de oportunidade para desenvolver pesquisa na indústria”, disse.

O Ministério de Ciência e Tecnologia sofreu um grave corte orçamentário em 2011, cerca de 25% deve ser cortado. Mas Mercadante amenizou a perda afirmando que bons projetos sempre atraem bons investimentos. Ele também cobrou mais participação nos investimentos das empresas privadas.

Na apresentação feita na 63ª reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Mercadante falou do baixo investimento do Brasil em pesquisa e desenvolvimento. “Estamos nos tornando a sétima economia do mundo, mas para liderar temos que investir em tecnologia. O Estado pode melhorar um pouco mais, mas o setor privado tem muito a fazer. Criamos uma cultura industrial passiva. O empresário acha que deve comprar pronto. O setor privado precisa ser motivado para investir”.

O Ministro anunciou que a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) deve se tornar um banco de desenvolvimento e que a Embrapa Indústria deve ser criada ainda neste ano. O objetivo é aumentar investimentos em pesquisas para não se perder oportunidades. Mercadante deu como “exemplo duro de engolir” para a falta de pesquisa no país, a exportação de cará.

De acordo com Mercadante, os Estados Unidos importam quase metade da produção do tubérculo. “Eu nunca vi sopa de cará nos Estados Unidos. Sabe por que eles querem o cará? Para retirar química fina como progesterona e vender a preços muito maiores do que o cará”.

Mercadante disse que é precisa aumentar a comunidade de pesquisa cientifica no Brasil. “Não se constrói um país desenvolvido sem uma cultura de ciência“. Para ele é preciso ter mais interesse no assunto. “Cientista não precisa ter aquela estigma de nerd, um cara desengonçado, ele pode ser até bonito”.

Patentes

Além de aumentar o quadro de pesquisadores, outra prioridade da pasta ser as patentes. Ele pretende criar uma rede de analistas, com pesquisadores das universidades, “para e entregar mastigado para o NPI a analise das patentes”. O intuito é sair da letargia deste tipo de processo.

Mercadante concordou que é preciso um serviço diferenciado para as licitações em pesquisa científica. “O estado brasileiro não pode tratar o pesquisador como um a empreiteira. A carga é muito pesada, ele perde muito tempo. Proponho a SBPC montra um grupo técnico para por a bola no chão”, disse.

Ontem, a Presidente da SBPC, Helena Nader, pediu um sistema especial para as licitações em ciência. Para ela um exemplo seria o regime diferenciado de contratações, usado em caráter de urgência para as obras da Copa e das Olimpíadas. “Temos outra urgência nacional”, disse se referindo a necessidade de contratações e investimento nos institutos.

Com as informações – iG

Por Rodrigo Cintra

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