Paranaguá expande devido aos gargalos em Santos

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O porto de Paranaguá (PR) planeja uma expansão avaliada em 2,5 bilhões de reais que irá aumentar sua capacidade em 55 por cento, para responder à crescente demanda externa por matérias-primas e outros bens brasileiros, uma vez que o principal porto do país, o de Santos (SP), opera a plena capacidade.

Os investimentos, que incluirão recursos públicos, elevarão a capacidade portuária total para 70 milhões de toneladas por ano, ante as atuais 45 milhões. Paranaguá é importante exportador de commodities como grãos, oleaginosas, além de ser o principal canal para importações de fertilizantes do Brasil.

“O porto de Santos já está no seu limite, com poucas condições de expansão, e Paranaguá é a alternativa mais viável porque está localizado entre as duas regiões mais ricas do Brasil”, disse à Reuters Airton Vidal Maron, Superintendente do Porto de Paranaguá.

Autoridades portuárias não quiseram estimar quanto tempo vai levar para a expansão ser finalizada. Agências portuárias, entretanto, estimam que o processo de expansão pode levar entre 5 e 10 anos.

Segundo Maron, a região portuária de Paranaguá “tem áreas de expansão disponíveis para chegar a movimentar até 200 milhões de toneladas por ano”.

Embora o superintendente ressalte o potencial de Paranaguá, planos de expansão de portos no Brasil costumam enfrentar dificuldades que incluem barreiras ambientais e a burocracia.

No ano passado, por exemplo, o próprio porto paranaense foi embargado por um dia devido ao descumprimento à legislação ambiental, segundo autoridades federais.

DESVIO PARA PARANAGUÁ

O Porto de Santos tem registrado grandes atrasos no embarque de açúcar para exportação no período da colheita de centro-sul nos últimos dois anos.

E em função disso alguns embarques foram desviados de Santos para Paranaguá neste ano, disse Sandro Mendonça, Supervisor da Agência Williams em Paranaguá.

Os dados dos embarques no primeiro semestre do ano reforçam a informação.

As exportações de açúcar por Paranaguá cresceram 22 por cento em relação aos seis primeiros meses de 2010, para 1,58 milhão de toneladas, enquanto as vendas externas do Brasil apresentaram queda.

Ainda que operadores de Santos também tenham planos de investir para impulsionar a eficiência e reduzir o tempo de embarque, há pouco espaço para que o porto de Santos acomode uma expansão, disseram autoridades do setor.

Mesmo após a expansão de Paranaguá, dos atuais 20 para 32 berços de atracação, o porto ainda terá uma capacidade bem abaixo da de Santos, que atualmente possui 63 berços de atracação, de acordo com dados de autoridades portuárias.

A primeira etapa da expansão no Paraná deve incluir a ampliação do terminal de contêineres, com mais um berço de atracação.

Outros planos incluem a adição de quatro terminais para grãos.

“Há um grande potencial em Paranaguá. Este é um projeto do Estado que vai trazer benefícios para todo o Brasil”, disse Maron.

Autoridades portuárias disseram que estudos ambientais estão em andamento para avaliar o impacto dos planos de expansão.

Com as informações – Gazeta do Povo (PR)

Por Rodrigo Cintra

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