Empresário de Manaus quer investir nas embarcações movidas a GNV

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O uso do gás natural veicular (GNV) ainda é incipiente no Amazonas. A frota é composta por 834 veículos, de acordo com o Departamento Nacional de Trânsito no Amazonas (Detran-AM), e poucas iniciativas governamentais são observadas para estimular o uso do combustível limpo e econômico.

Mas, com a liberação do gás natural, o empresário Charles Silva, proprietário da convertedora GNV da Amazônia, enxerga nas embarcações um potencial mercado para o combustível limpo, econômico e que não pode ser adulterado.

Silva está convertendo uma lancha que faz travessia regional em Tefé (a 523 quilômetros de Manaus) e tem capacidade para 53 pessoas, entre tripulantes e passageiros. A embarcação, construída em Manaus, foi preparada para receber o gás e operar com dois combustíveis: a gasolina com a qual já opera com motores de 225 cilindradas e o GNV, utilizando o mesmo kit gás – com tecnologia italiana de 5ª geração – com sistema de injeção eletrônica instalado em automóveis. A lancha vai usar seis cilindros de 20 quilos cada, que ficarão na parte externa da embarcação.

“Essa será a primeira lancha movida a gás e estamos na iminência de negociar junto à Cigas (Companhia de Gás do Amazonas) um pontão (posto de combustível no rio) para começar a abastecer essa e as próximas lanchas. Só uma cooperativa que estou em contato tem 124 lanchas com interesse na conversão e temos em Manaus dezoito cooperativas”, disse Charles Silva.

A expectativa de Silva é, de seis meses a um ano, o projeto saia do papel. Tecnologia existe para isso e uma prova é o ferry boat Ivete Sangalo, primeira embarcação brasileira bicombustível (movida com 70% de gás natural e 30% de diesel) construída em alumínio naval e que opera na Bahia com capacidade para 600 pessoas e 74 veículos. Porém, no meio do caminho está a necessidade de um posto flutuante com bomba que forneça GNV. Para isso são necessários cerca de R$ 800 mil, segundo o empresário. A maior dificuldade é a instalação, porque os equipamentos vêm de fora.

De acordo com o Diretor Técnico da Cigás, Clóvis Correia Júnior, converter embarcação para utilizar GNV é tecnicamente possível, mas é preciso observar a viabilidade econômica. Ele destaca ainda que não existe problema de segurança, se o kit de conversão e a convertedora forem devidamente homologados pelo Inmetro. “Além disso, deve cumprir rigorosamente as recomendações de manutenção e inspeção”, disse.

Gás Liquefeito

Enquanto não é possível abastecer com GNV, o empresário pretende adaptar a lancha para usar o Gás Liquefeito de Petróleo GLP-20, o mesmo usado em empilhadeiras, e vendido a granel. Segundo Silva, o GLP foi escolhido devido à sua performance e por estar dentro dos parâmetros de sustentação. No Brasil, o GLP é proibido para fins automotivos e de forma ilegal e perigosa existem embarcações que usam o gás de cozinha.

Para Silva, não há risco à segurança. “No início, a lancha será movida a GLP e quando for concluído o processo de instalação de pontão na orla do rio, os cilindros serão mudados para GNV”, contou.

Clóvis, da Gigás, porém, adverte que usar GLP é perigoso, porque, com aumento de pressão, ele liquefaz e se cair no motor pode explodir. “A pressão do GNV é muito mais alta para que possa armazenar e ter economia, para dar autonomia ao veículo”, explicou. “O mercado náutico tem potencial, mas com todos os cuidados”, acrescentou.

Com as informações – A Crítica

Por Rodrigo Cintra

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