E o circo pegou fogo…

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Matérias sobre acidentes estão se tornando normais por aqui. Lendo as matérias que clipamos e apurando as matérias que fazemos, vemos que é quase um script, uma receita: Acontece o fato, imprensa noticia, empresa divulga uma nota como se fosse um anjo na vida dos envolvidos, a poeira abaixa e a situação de descaso com a prevenção de acidentes continua até que o ciclo se repita.

Estive produzindo por três dias uma matéria sobre a importância do apoio marítimo na prevenção de acidentes offshore. A pauta caiu. Isso mesmo, a pauta caiu porque nenhum dos quase dez oficiais e profissionais do âmbito soube me dizer exatamente o que o apoio marítimo faz pela segurança do seu próprio ambiente de trabalho. É fire fight, oil recovery e o resto é papel, é política, é norma.

Tinha todos os contatos aqui do sub-gerente de segurança de uma conceituada empresa de apoio marítimo em Macaé. Liguei para todos os telefones, mandei e-mail, fiz de tudo para encontrá-lo. Os telefones simplesmente não funcionam e o e-mail é daqueles que vão para uma caixa de entrada invisível. Maravilha, não?

Entrevistei gente grande do setor, que me disse coisa pequena a respeito da segurança. Um discurso daqueles de quem não tem nada com isso, de quem quer tirar o seu da reta, de quem só está preocupado mesmo em cumprir o básico para não ter problemas depois. Meu amigo Rodrigo Cintra, olha o “inho”, aí!

Quando comecei a faculdade, um professor contou a história de um jovem repórter que foi pautado para fazer uma matéria sobre o circo que estava na cidade. Houve um incêndio no tal circo e o repórter voltou de mãos abanando para a redação. Quando o chefe de reportagem perguntou pela matéria do circo, o jovem repórter disse que não tinha ; ele perguntou por quê e ele respondeu que o circo tinha pegado fogo. Aí o chefe experiente arrematou: “Mas esta era a matéria que eu mandei você fazer!”.

Pois é, amigo leitor, eu saí de casa para fazer uma matéria sobre como é importante a participação do apoio marítimo na segurança do trabalho offshore, na prevenção de acidentes e no controle de situações pós-acidentais. Infelizmente, este circo já pegou fogo faz tempo.

Por Marcus Lotfi

4 COMENTÁRIOS

    • Nas plataformas de petróleo ainda há uma cultura boa de segurança, apesar de alguma resistência e de muita gente grande boicotando as políticas internas das empresas, que investem milhões nisso. No Apoio Marítimo a situação é complicada. Ainda tem muito colega de chinelo de dedo em Praça de Máquinas e muita atitude insegura em operações principalmente de movimentação de cargas e de manuseio de âncoras.

  1. parabéns pela matéria, mas infelizmente as empresas só vão se importar com o assunto quando isso mexer drasticamente no bolso deles, do contrário eles vão empurrando com a barriga.

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