Passadiço ou Praça? Fama ou Fogão?

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Alguns oficiais têm me pedido para escrever sobre a diferença salarial entre pilotos e maquinistas. Em algumas empresas, esta diferença chega a quase R$ 10.000. Você acredita? Eu também não acreditava. Por isso, fui atrás e confirmei.

Há sete anos atrás, quando eu era do primeiro ano da EFOMM (Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante), alguns professores diziam que o perfil do oficial de Marinha Mercante estava mudando, e davam a entender que o “quadro” de oficiais de máquinas seria reduzido pouco a pouco até que seria extinto, como a antiga especialidade de radiocomunicações.

Diziam, inclusive, que o futuro pedia não um oficial de náutica, muito menos um oficial de máquinas, mas um oficial de marinha mercante. Esta dupla formação estaria sendo aos poucos implantada na própria EFOMM e dali há alguns anos se concretizaria.

Praça ou Passadiço?!!! Tô doido, tô doido!!!

Bem, os sete anos se passaram e realmente muitas coisas mudaram, mas não neste aspecto. Continuam existindo os oficiais de náutica e máquinas e ambos têm importância crucial no funcionamento da marinha mercante como um todo. Prova disso é que os salários aumentaram e nem assim as empresas estão conseguindo suprir a demanda por oficiais destas especialidades.  No entanto, os salários para os pilotos são sempre ligeiramente mais altos que para os maquinistas. A Seadrill, por exemplo, segundo fontes, paga para um DPO (Dinamic Positionament Operator ) sênior, função de formação náutica, módicos R$ 22.000 (!!!), enquanto que um maquinista também sênior ganha R$ 8.000 a menos, com mensais R$ 14.000. De onde vem esta diferença?

Todo mundo odeia ganhar menos...

Um dos oficiais entrevistados me disse que existe uma cultura de discriminação do maquinista. Talvez o oficial de náutica seja visto como o comandante e o maquinista seja visto como mecânico. Mesmo assim, na minha opinião, não reduziria sua importância, embora o rebaixe diante de seu par, o piloto.

Outro oficial me disse que um piloto para pegar a carta de primeiro-oficial só precisa ter o tempo necessário, enquanto que o oficial de máquinas precisa, além do tempo, se inscrever no curso de APMA, ministrado no CIAGA (Centro de Instrução Almirante Graça Aranha), para tentar conseguir uma das pouquíssimas vagas, geralmente reservadas para empresas. Seria um indício de discriminação, ou apenas diferenças normais entre as carreiras?

Talvez seja pelo glamour...Valeu, galã!

Será que a mudança falada pelos professores da EFOMM naquele 2004 está começando a acontecer? Será que a formação destes possíveis “oficiais-duplos” não seria achatada, “bypassando” conhecimentos e treinamentos importantes para o desempenho das funções na Marinha Mercante? Ou será apenas um preconceito a ser combatido em busca da afirmação do óbvio, que é a importância crucial do oficial maquinista nas salas de controle?

Por Marcus Lotfi

9 COMENTÁRIOS

  1. Parabéns pela matéria meu amigo! Nós Maquinistas deveríamos ser mais valorizados. Ambas funções tem enorme importância e devem ser tratadas igualmente. A máquina e a ponte sempre trabalham juntos, em qualquer unidade. Um não funciona sem o outro. Portanto, igualdade de tratamento para os oficiais. Essa diferença é cultural, embora seja muito difícil, temos que mudar essa mentalidade. Essa mudança tem que partir de nós que somos da classe. Aí sim as empresas, quem sabe, vão enxergar isso e mudar o tratamento conosco. Mais uma vez parabens pela matéria Lotfi.

  2. Fala galera! Vou puxar a sardinha pro meu lado, no que tange o APMA dos maquibambas.

    Segue as categorias para ON:
    1) 2ON
    2) 1ON
    3) CCB
    4) CLC

    Para OM:
    1) 2OM
    2) 1OM
    3) OSM

    Estamos à 4 passos para atingir a categoria mais elevada, enquanto que os maquinistas estão à 3 passos. Lembrando que, para cambar a carta de 1ON para CCB, é necessário o curso APNT, “equivalente” ao APMA. Quanto à diferença salarial. No excuses… rs…culpado! Abraço!!!!

  3. esta ruim para os oficiais de maquinas ,imagine para os MNM que fazem de tudo na sala de maquinas condução,reparo e etc e ganham na media 3000,00,sequer levam em conta sua experiencia de anos.

  4. O SINDMAR (SINDNAUTICA) É QUEM FAZ A PROPOSTA SALARIAL ATRAVES DAS PROPOSTAS DE ACORDO COLETIVO PARA AS EMPRESAS.
    QUANDO TINHAMOS REPRESENTANTES DE CLASSE DE MAQUINISTAS ESSAS DIFERENÇAS ERAM BEM MENORES, JUNTOU FICOU PIOR, MAQUINISTA TINHA QUEM PEDIR ESSA SEPARAÇÃO.

  5. Oficiais polivalentes já foram tentados em diversas escolas, francesas, (as primeiras),, dinarmaquesas, americanos e moicanos, evidente que não deu certo. Veja se o inglês testou, japas ou alemãs. Se já é difícil encontrar nativos para navegar, imagine polivalente. Mas aqui entre nós, este é o sonho da armação mundial, brasuca,então nem se fala. E ainda vem filipino, que nem sabe pra que serve um pinico, tirar onda nas nossas águas. Só rindo pra não chorar. Reajam, estudem, e mostrem à armação, que vcs.merecem o que ganham. Lembrem-se que eu sempre lhes disse: “Uns navegam como sabem, e outros sabem como navegam, e existem aqueles que só Deus sabe como navegam. Sds. Mercantes.

  6. É simples, é só deixar os oficiais de nautica operarem as máquinas!
    São essenciais na navegação e manobras de atracação desatracação, etc…
    Porém, para eles realizarem bem sua funções, necessitam de propulsão, energia elétrica, água, em certos casos vapor, ar comprimido etc…,quem cuida destes detalhes senão os oficiais de máquinas? O problema é que nós mesmos, oficiais de máquinas nos deixamos depreciar! Somos tão importantes a bordo como o pessoal de nautica, camara, sub oficiais e guarnição, ou seja, somos um conjunto!

  7. Deixa então os maquinistas fazerem tudo sozinhos….

    Meus caros todos trabalhamos em conjunto, o mercado que dita a regra, ou melhor o salário.

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