Transpetro pretende usar estrutura de terminal pesqueiro desativado no Maranhão

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O Terminal pesqueiro Porto Grande, desativado há seis anos, localizado ao sul do Porto do Itaqui, poderá ser utilizado na logística da Refinaria Premium I, da Petrobras, empreendimento em construção no município de Bacabeira (60 quilômetros de São Luís). A informação foi divulgada no último dia 18 de agosto, durante uma reunião de gerentes da Transpetro, subsidiária da petrolífera, com o Diretor-Geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Fernando Fialho.

O encontrou ocorreu na sede da autarquia, em Brasília (DF). Na ocasião, Fialho recebeu o Gerente Geral de Desenvolvimento e Inovação Tecnológica da Transpetro, Paulo Carvalho, o gerente executivo de Desenvolvimento de Logística para o Pré-Sal da empresa, Paulo Penchiná, e a Advogada da companhia, Mariana Haft. A reunião serviu para discutir os projetos de apoio às atividades de exploração de petróleo da Petrobras ao longo da costa brasileira.

Carvalho informou que a empresa já atua em Pecém, no Ceará, e brevemente iniciará operações nos portos de Belém (PA) e Ilhéus (BA). Também é intenção da empresa operar em São Luís, no Maranhão, no Porto Grande, um antigo terminal pesqueiro que passará (segundo informativo da Antaq) ao controle estadual, através da Empresa Maranhense de Administração Portos (Emap), gestora do Itaqui.

Hoje, a Petrobras conta com terminais para atendimento ao pré-sal no Rio de Janeiro e no Espírito Santo, além de outras bases de apoio. Mas vai precisar de mais, segundo Paulo Carvalho, já que a intenção da empresa é perfurar 40 novos poços até 2014.

Fernando Fialho defendeu a incorporação de novos terminais de uso privativo misto (TUP) na estratégia para ampliar a logística de apoio à exploração offshore (operações de apoio marítimo) da empresa. “Essa modalidade de instalação portuária se encaixa como uma luva para a Petrobras, porque traz maior independência para a empresa. Além disso, os portos públicos, em geral, já estão comprometidos com a movimentação de outros tipos de cargas, não restando, portanto, mais muito espaço para a atividade offshore”, ressaltou.

Para Fialho, a empresa poderia, inclusive, incentivar a construção de terminais de terceiros. A ideia, segundo ele, seria fazer algo parecido com o que a empresa está fazendo para incentivar a construção de navios petroleiros, ou seja, credenciar o mercado para construir grandes bases de suporte à exploração offshore. “Com isso, a empresa ganharia maior independência logística, além de poupar recursos, que seriam direcionados para outras atividades”, explicou Fialho.

Os executivos da Transpetro informaram ainda que a Petrobras pretende recorrer ao Plano Geral de Outorgas dos Portos (PGO), elaborado pela Antaq, para subsidiar o seu projeto de instalação de novos terminais.

Pesqueiro – Um dos últimos empreendimentos que prometiam desenvolver a economia do Terminal Pesqueiro do Porto Grande cessou as atividades pouco tempo depois de inaugurado. Em junho de 2003, foi anunciada a instalação da Aduaneira Nacional, indústria de beneficiamento de pescado, com produção estimada entre 70 a 80 toneladas mensais.

A empresa nasceu de uma “joint venture” entre a Netuno Pescados (de Pernambuco) e a Norte Pesca (do Rio Grande do Norte).

O investimento previsto era de R$ 3 milhões, incluindo a construção da indústria de beneficiamento de espécies destinadas à exportação, como atum, pargo, garopa, cavala, espadarte e cação. Além do pescado, pretendia-se industrializar camarão de cativeiro e lagosta.

Para entrar no mercado maranhense, a empresa arrendou, do Governo do Estado, o Terminal de Porto Grande, realizando obras de infra-estrutura portuária, de processamento e de armazenamento do pescado, além do arrendamento de uma frota de embarcações. O empreendimento prometia incrementar a renda de comunidades vizinhas também, como Maracanã, Itaqui, Pedrinhas e Vila Colher. A perspectiva era criar cerca de 250 empregos diretos e 400 indiretos. A diretoria da extinta Aduaneira Nacional, na ocasião, informou que o arrendamento de embarcações estrangeiras, utilizadas em pesca industrial, tornou-se muito onerosa, devido a limitações impostas pelo Governo Federal, uma forma de protecionismo à indústria naval brasileira. A Aduaneira tentou mudar o foco da empresa para o mercado regional, contudo, os custos da produção eram insuficientes para manter o empreendimento, que encerrou as atividades em fins de 2005.

Com as informações – O Estado do Maranhão

Por Rodrigo Cintra

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