Quem é o peão?

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Só hoje, assisti a umas 4 matérias em canais diferentes falando sobre a mesma coisa. Não, não era o aquecimento do mercado offshore, nem sobre ser soldador, plataformista e mudar de vida após uma temporada hospedado em Macaé. As reportagens falavam sobre algo que eu imaginava nunca ouvir, que é a queda grande na procura por cursos de nível superior e o aumento das matrículas na área técnica. E o fato é que quem inaugurou esta tendência fomos nós, do offshore.

No início do sucesso recente do petróleo e retomada do comércio exterior, cabotagem e longo curso, isto é, no pós-seca ocasionada pela quebra do Lloyd Brasileiro, o mercado offshore levantou uma bandeira de valorização do profissional de nível técnico, oferecendo bons salários e boas condições de trabalho. Quem não tinha condições de fazer uma faculdade, agora podia enxergar uma luz no fim do túnel.

Não essa luz, Batman!

Fora isso, temos o ASON, que capacita em pouco tempo profissionais formados em diversas áreas para atuar na indústria marítima/offshore. Ao meu ver, as pessoas que buscam o ASON, nada mais são do que pessoas insatisfeitas com o panorama profissional que encontraram após terem dedicado entre 4 e 6 anos das suas vidas ao diploma de bacharel.

Quantas outras pessoas, como eu, formado em jornalismo e recém-técnico em Segurança do Trabalho, mesmo formadas na faculdade, buscam na qualificação técnica um lugar melhor.

A exploração/perfuração de petróleo no Brasil jogou luz sobre uma necessidade latente do nosso país. Somos carentes de mão-de-obra qualificada. Somos um país de bacharéis sem experiência, de advogados sem clientes, de engenheiros sem projetos, salvo umas, se não a única profissão, de médico.

Pois é, man...

Foi a nossa área que estabeleceu a diferença entre formação e oportunidade. É preciso formar-se de acordo com as oportunidades. Não faça, por exemplo, um MBA em gestão se você não está em vias de gerir. Vejo muitas pessoas na pós-graduação em QSMS que nunca tinham trabalhado na área. Muitos são pedagogos, professores de língua portuguesa…E querem entrar no mercado já como gestores. Ok, eles terão, ao final do curso, a formação para serem gestores, mas eu pergunto a vocês: existe a oportunidade ou possibilidade de isso acontecer? Se sim, ótimo. Se não, por que não procurar maneiras de se enquadrar às oportunidades que existem no país?

Você espera um dia abrir o jornal e encontrar isso?

Uma colega minha vive reclamando dos empregos na área dela. Ela é formada em Química. Diga aí, pessoal do petróleo, onde é o lugar dela?

Hé!

Um amigo meu se formou em geologia e está vendendo o almoço para comprar a janta. Qual é o lugar dele?

Pega o Pré-sal e come, filho!

Empregos existem, mas é preciso estar preparado. E a melhor forma de estar preparado é sabendo exatamente o que você quer e conciliar isto com as oportunidades existentes no Brasil.

Por hoje é só, pessoal! Amanhã tem mais!

Por Marcus Lotfi

1 COMENTÁRIO

  1. Não necessariamente deve ser uma questão de insatisfação em uma area especifica profissional, reflita melhor sobre suas conclusões.

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