Caso Senior: Mais um AW-139 cai, fabricante interdita modelo e detalhes sobre o pós acidente

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Uma das nossas fontes nos informou em primeira mão da queda de mais um helicóptero do modelo Agusta Westland 139 recentemente. A aeronave perdeu a cauda e caiu, possivelmente, pela mesma causa dos incidentes e acidentes anteriores. Havia 11 pessoas à bordo que, felizmente, nada sofreram.  A empresa homônima, fabricante dos helicópteros, determinou a paralisação dos vôos. Em Macaé – RJ, existem 10 AW-139 prestando serviços de taxi aéreo na Bacia de Campos.

No dia do acidente com o helicóptero da empresa Senior Taxi Aéreo, a Petrobras, segundo assessoria de imprensa, recomendou como medida de segurança que as aeronaves AW-139 ficassem no aeroporto de Macaé até que o fabricante se pronunciasse a respeito do que se conjecturava, um defeito de fabricação que estava provocando os acidentes recorrentes.  Pensando na prevenção de futuros acidentes, a Petrobras, que é a empresa que detém todos os contratos de prestação de serviços de aviação offshore fez esta recomendação e, ainda segundo assessoria, as empresas acharam inteligente acatá-la.

Publicação da Agência Estado, no dia seguinte ao desaparecimento do Agusta 139 da Senior – Aqui

Bem, se as empresas acataram tal recomendação da Petrobras,  isso indica um real prejuízo diário para as empresas de taxi aéreo e um possível congestionamento no Aeroporto de Macaé, com direito a atrasos nos vôos. Segundo relatado por leitores e por fontes que trabalham na Bacia, é exatamente isso que está acontecendo no Aeroporto de Macaé. No entanto, de acordo com o Superintendente em exercício do aeroporto,  José Roberto Gementi, o aeroporto segue suas atividades normalmente sem atrasos de qualquer espécie. Além disso, o superintendente afirmou que nenhuma informação no sentido da paralisação da frota foi passada nem a ele e nem à Infraero, que administra os aeroportos brasileiros.

Gementi: “Sem atrasos”.

Bem, aos poucos e falando com as pessoas certas, vamos chegando à conclusão de que o histórico de acidentes já relatado por diversos leitores à época do meu último texto “Fatalidades à Parte“,  pode ser devido à um defeito de fabricação que faz com que este helicóptero perca a cauda. A Agusta Westland já tinha emitido uma recomendação em relação a este fato há cerca de dois anos – clique aqui.

Mais uma vez, podemos ver que o panorama da segurança de vôo no Brasil é eficiente e se faz com bastante competência, uma vez que, caso a Petrobras não tivesse recomendado a paralisação das aeronaves e as empresas não tivessem acatado, muito provavelmente, com a intensidade de vôos offshore em Macaé, o próximo acidente poderia não ter sido o que encabeça este texto,  mas outro, talvez com mais brasileiros mortos.

Esperamos que o fabricante resolva a pane deste modelo e seu reprojeto apague, com sua eficiência, esta mácula representada pelo histórico de acidentes com os Agustas AW-139.

Por hoje é só, pessoal! Amanhã tem mais!

Por Marcus Lotfi

15 COMENTÁRIOS

  1. O Superintendente não está falando a realidade. Eu acabei de embarcar e tive que ficar um dia a mais em Macaé por causa dos vôos cancelados no Aeroporto.
    Hoje, ao embarcar, escutei pelo sistema de comunicação do mesmo aeroporto (e não pela Rádio Peão) o cancelamento de, no mínimo, mais uns dez vôos.
    Sr Gementi, eu, Rodrigo Cintra, Editor Executivo do Portal Marítimo, uso regularmente o Aeroporto de Macaé para embarcar e não adianta o sr vir contar uma dessas para o site, porque não cola. Eu sou testemunha ocular dos diversos atrasos e cancelamentos de vôos. Somos Imprensa Especializada no assunto, não esqueça.

  2. se tem uma coisa boa que fiz em toda a minha vida de maritimo…foi ter conhecido este portal…se o tivesse o conhecido mais cedo tenho certeza que já seria hoje.2OM…é pela postura de vocês com a verdade que nós faz acreditar sempre…em vocês…. vida longa e próspera…a todos….ANTONIO/NETO

  3. Antônio/Neto,
    só temos a agradecer o reconhecimento pelo nosso trabalho. Para realizar esta matéria, entrei no escritório às 08:00 e só saí dele às 18:00 com a matéria finalizada, parando apenas para as refeições. Passei o dia de hoje conseguindo os contatos desses e outros entrevistados cujas participações não entraram no texto. Aqui, não compartilhamos da cultura do “inho”. Buscamos nosso diferencial na qualidade e perseguimos, no exato limite das nossas forças, a excelência. Ler seu comentário nos leva a crer que estamos conseguindo. Obrigado!

  4. Rodrigo Cintra, meu amigo e companheiro de trabalho,

    é essencial entrevistar as autoridades competentes nos assuntos que abordamos, porque é assim que conseguimos fazer o alicerce do bom jornalismo, que é o contraponto. O Superintendente nos deu sua posição a respeito do tema, e ele entra em contradição com a opinião de muitas pessoas que utilizam o Aeroporto de Macaé. Sem a opinião dele, ficaríamos no escuro e de nada adiantaria escrever este texto sem este embasamento.

    Definitivamente, meu amigo, somos a imprensa embarcada!

    Um abraço!

    • E neste caso, Lotfi, nem é questão de opinião. É um FATO. Cerca de dez vôos cancelados por dia no Aeromac e o Superintendente dizendo que está tudo normal.
      Antes do acidente, o Aeroporto já era complicado. Com o acidente, imagina como está. Quem for lá agora vai poder comprovar isso. Eu fico chateado pelo fato do Superintendente passar uma informação tão contraditória com o que está havendo, que até conferi para ver se ele é o responsável pelo Aeroporto de Macaé ou se era de outro aeroporto, porque simplesmente não tá batendo, parceiro. Este esconde, esconde de informações, esta falta de transparência é que por muitas vezes mancha a imagem de empresas colossais como é o caso da Petrobras.

  5. Meu querido colega de turma Lotfi,
    Nada foi comunicado a respeito desse segundo acidente, inclusive aos orgaos competentes. Gostaria que confirmasse o ocorrido e atraves dessa fonte procurasse evidencias de que tal comunicado tenha sido feito. Caso contrario, nada podera ser reparado e essa reportagem tera sido em vao. Desculpe a falta de acentos, mas o teclado de bordo esta desconfigurado. Abraco!

    • Querida Marcella,

      O segundo acidente não ocorreu no Brasil, por isso os órgãos daqui não farão nada a respeito.

      Obrigado por ler e por lembrar de mim! Muita gente passa por aqui sem saber que está lendo um texto de um cara com quem dividiu jacuba. Rs.

      Um abraço!

  6. Sr. Gementi, o senhor não deve estar no mesmo aeroporto utilizado por nós, trabalhadores offshore da Bacia de Campos.
    Estou embarcado e deveria ter descido na quinta-feira, dia 01 de setembro. Hoje o meu vôo foi novamente transferido e a prioridade está sendo dada à Petrobrás. Todos os trabalhadores de todas as empresas offshore tem familia e vida em terra, não somente os da Petrobrás.
    Espero que amanhã essa situação se resolva.

  7. Os trabalhadores do apoio aéreo do
    aeroporto de macae são um bando de incompetentes,estamos a 5 dias embarcados,o Sr Gementi como diz seu proprio nome geralmente ele mente, vai enganar o povo de terra
    mas não nos que estamos embarcado,isto
    me lembra carcere privado!!!!!
    fica aqui minha indignação…

  8. Amigos e colegas, qualquer um tem o direito de recusa. Não vamos embarcar neste tipo de aeronave. Baste se recusar na hora do breafing quando for direcionado em qual aeronave iremos voar.

  9. Vôos na Bacia X Corredor da Morte- Ao chegar o dia a execução de um condenado,todos os demais condenados morrem juntos.Por quê?Porque sabem que o mesmo destino os espera.Assim tem sido a rotina de todo pessoal embarcado.A cada aviso de vôo cancelado ou transferido,inevitavelmente antecipamos toda a carga emocional que provavelmente nos aguarda.E mesmo que venhamos a desembarcar no dia correto,já tivemos nossa vida impactada aqui a bordo.Já fomos prejudicados pela angústia dessa situação durante toda a quinzena,portanto,já sofremos de qualquer forma prejuízos físicos e emocionais.Gostaria de saber se há algo que possamos fazer para responsabilizar a Petrobras por deixar que essa situação chegasse a esse ponto.A empresa que fala tanto de “planejar antes de realizar” vem deixando de fazer isso a muito tempo, quando só fala em aumento de unidades de produção e estocagem e deixa de olhar para a necessidade de transporte para toda essa força de trabalho;que já é grande, e que tende a aumentar ainda mais com todos esses projetos de aumento de produção.Não podemos vir e voltar de nossas casas utilizando condução própria,portanto providenciar transporte de qualidade e suficiente,para nos trazer e nos levar de volta é de inteira responsabilidade da Petrobras.
    Gostaria de saber o que posso fazer para responsabilizar a empresa judicialmente por toda essa situação a nós imposta.
    Obrigado!
    E antes que eu me esqueça:Que vergonha heim Sr Roberto Gemente.

  10. Gostaria de dizer, um ano após o acidente com esse helicóptero que matou 4 pessoas em Macaé, que a Petrobras não é assim tão focada em segurança, ou ao menos não adota as medidas mais recentes disponíveis no mercado.
    Em primeiro lugar, onde estão os estudos sobre a causa desse acidente, mais de um ano após o mesmo? Cadê a transparência?!
    Segundo, por quê a Petrobras não exige o curso de HUET?
    Terceiro, por quê não há flutuadores de emergência também na carenagem dos helicópteros, próximo ao motor, o que evitaria seu tombamento completo em caso de pouso em mar mais agitado?
    A exemplo de voos offshore no mar do norte e militares no Brasil, por quê não está disponível no colete salva-vidas de cada passageiro um cilindro emergencial de oxigênio?! Equipamento existente no mercado, especificamente para voos offshore de helicópteros.
    Quero lembrar que há vários estudos facilmente localizáveis pela internet que apontam o AFOGAMENTO como causa principal de morte nesses acidentes, ou seja, os passageiros chegam vivos ao MAR, mas morrem porque não conseguem abandonar a aeronave.

  11. De que adianta o RELPREV se nossas sugestões não são nem estudadas como a que dei e qualquer criança de 5 anos daria que é priorizar os helicopteros com rotor tipo FENESTRON para os NAVIOS ESPECIAIS, comofoi o caso do Lochnagar e do Toisa (Sentinel? ) que o rotor de cauda pegou numa parte do navio,com perda total da aeronave E DAS VIDAS DE QUEM ESTAVA DENTRO (Toisa) e do Lochnagar (conseguiu ”pousar”, panquecão) no helideck, como disse, qualquer criança vê que caso estivessem com equipamento com rotor FENESTRON, o toque da cauda no navio(s) não destruiria o rotor de acuda e o helicoptero teria chance de se safar, aí vc escreve isso no RELPREV ou fala sobre isso numa reunião de ”debrieffing” e os caras do apôio aéreo ficam com ”cara de paisagem” e dizem que o piloto ”é soberano” opara decidir se tem pouso ou não, pode até ter sorte no pouso, mas srá que vai ter na decolagem ?

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