Petrobras e suas metas irreais

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No que se refere às metas para produção de petróleo para 2015 e 2020 constantes do Plano de Negócios 2011/2015 da Petrobras (página 18/55), publicado através de Fato relevante em 22 de julho de 2011, afirmo que as mesmas não serão atingidas, pois são absolutamente irreais.

Analisemos os números da produção dos últimos 11 anos (fonte: ANP) e os previstos no PN para os próximos cinco (2015) e 10 anos (2020).

Entre os anos de 2000 e 2011 (até junho, inclusive), como resultado da Lei nº 9.478, 06/08/1997 (Lei do Petróleo), saímos de uma produção média diária de 1,231 milhão de barris dia (mbd) para 2,088 mbd, ou seja, um crescimento da ordem de 69,60%, o que dá uma média anual de 6,33%.

No PN-2011/2015 está previsto para 2015 uma produção média diária de 3,070 mbd, sendo que desse total 543 mil barris/d virão do pré-sal e outros 13 mil barris/d da cessão onerosa. Comparando os números previstos para 2015 com os atuais, chegamos à conclusão de que será necessário um incremento de 47,02% nos próximos cinco anos, ou seja, um crescimento médio anual de 9,40%.

A situação fica ainda mais difícil quando observamos os números para 2020. No ano citado está previsto uma produção média diária de 4,910 mbd, sendo que 1,148 mbd virão do pré-sal e 845 mil barris/d da cessão onerosa. Para que se atinja a meta para 2020 será necessário um crescimento de 135,13% em relação à produção atual nos próximos 10 anos, ou seja, uma média anual de 13,51%, número esse que representa mais que o dobro da média observada entre 2000 e 2011 (6,33%)!

Todos torcemos para que os campos do pós-sal continuem produzindo a contento e que o pré-sal confirme as suas fabulosas reservas e que possamos extrair o petróleo e gás de suas profundezas. Assim sendo, entraremos para o seleto grupo de países com produção diária acima de 4,000 mbd, mas, sejamos realistas.

Comparando a produção de 2011 com a de 2010 (janeiro a junho), observamos que a produção aumentou somente 2,24%, o que projeta um crescimento para este ano de 4,50%, ou seja, metade do percentual para que se alcance o previsto no PN para 2015 (9,40%).

Como a Petrobras e as demais empresas do setor vão conseguir aumentar significativamente a sua produção de petróleo se até agora não há uma data definida para o leilão da 11ª Rodada de Licitações da ANP de blocos nas bacias sedimentares sob o regime de concessão?

De concreto, a única providência que vimos é a Resolução ANP nº 27, de 02/06/2011, com o regulamento a ser adotado nas licitações, mas não há nenhuma data definida para o leilão. O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) já aprovou a realização da Rodada em 24/04/11 e falta somente uma decisão do Executivo. Por que a Presidente Dilma está segurando esse leilão?

Não está por demais lembrar que o último leilão realizado pela ANP foi em 18/12/2008. No que se refere ao pré-sal, o panorama não é nada animador, pois, para que se definam as regras do primeiro leilão sob o sistema de partilha de produção (Lei nº 12.351, de 22/12/2010), é necessário que se aprove e regulamente a distribuição dos royalties conforme o Projeto de Lei nº 8.051/2010, de 22/12/2010 (em função do veto aos art. 47  e 64 da Lei 12.351), que continua parado no Congresso Nacional.

Já estamos quase no fim do ano, e nada. É incrível a inércia dos parlamentares que, ao invés de estarem brigando por emendas e cargos para os seus apaniguados, deveriam se preocupar com os assuntos relevantes para o país.

Corremos o sério risco de ver a produção de petróleo cair drasticamente a partir de 2013 se os leilões – de concessão e partilha – não forem realizados em 2011 ou, o mais tardar, no primeiro trimestre de 2012, pois os chamados campos maduros (blocos ativos) tendem a diminuir a sua produtividade e têm que ser substituídos por outros novos, e isso leva tempo. A indústria de petróleo trabalha sempre com o longo prazo, e o ciclo desde o leilão até a entrada em produção é muito longo.

Outro dado preocupante provocado pelo atraso dos leilões é o risco real de as empresas privadas diminuírem os seus investimentos ou mesmo saírem do país em busca de outrasoportunidades, criando um sério problema para as empresas do setor de suprimentos e materiais e a perda de mão de obra especializada para outros países.

A situação é crítica. Que o Executivo e o Legislativo se entendam para que o país siga o rumo do desenvolvimento sustentável.

Com as informações – Humberto V. Guimarães /Jornal do Brasil

Humberto Viana Guimarães é engenheiro civil e consultor, formado pela Fundação Mineira de Educação e Cultura, com especialização em materiais explosivos, estruturas de concreto, geração de energia e saneamento.

Por Rodrigo Cintra

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