As saúdes do trabalhador offshore

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Saúde: qual é a nossa relação com ela? Nós “temos” ou “deixamos de ter” saúde? Ou será que nós temos uma “saúde boa” , “saúde ruim”? A saúde é, sobretudo, um aspecto da vida que, assim como todo o nosso corpo, nasce intacto, novo. Portanto, para que a nossa vida seja longa, precisamos preservá-la, e isso se faz através dos seus aspectos: financeiro, cultural, social, e o da saúde.

De uma certa forma, a saúde também pode ser interpretada como um aspecto geral. Jornais e revistas usam, vez por outra, conceitos como “saúde financeira”, “saúde cultural” e, por mais preconceituoso que seja ou pareça, existe também a “saúde social”.

Preservar a saúde neste último sentido, que é bem mais amplo, é como equilibrar uma balança com muitos e muitos pesos. É difícil.

Ganho bem, mas não paro em casa, não vejo meus filhos crescerem, sou gordo, vivo com dores na coluna......Fuuuuu!

Todos os dias, recebo currículos de marinheiros, moços, radio-operadores, querendo embarcar. Não é um segredo que o principal motivo para esta procura é a oportunidade de trabalhar numa empresa de um mercado que encabeça o crescimento de todo um país, o que lhe confere uma solidez e estabilidade para seus funcionários, com vencimentos razoavelmente mais altos que o geral e com uma série de benefícios de qualidade incluídos.

Basicamente, tudo isso faz parte da manutenção da “saúde financeira”. É uma questão de prover, de providência.

Já ouviu a frase: "Deus proverá"? Pois é. Se pediram a DEUS, você acha que é fácil?

No entanto, podemos ver que tamanha complexidade podemos encontrar ao falarmos de saúde. Existem toneladas de páginas em estudos sobre os aspectos da vida offshore, falando do trabalho embarcado e “as saúdes” do trabalhador.

A disponibilização da internet é uma realidade em muitas plataformas, embora não todas. O uso de telefone, TV, também podem ser incluídas neste grupo. A “saúde mental” está sendo preservada, a partir do momento em que você se aproxima dos familiares, amenizando a situação de isolamento, bem como a “saúde cultural”, quando o uso da TV e da própria internet dá o acesso às notícias,  filmes e à literatura em geral.

Algumas plataformas têm academias, contemplando a “saúde física” dos trabalhadores. Outras unidades têm boas opções de alimentação, etc. A realidade é que muitas delas são bastante incompletas em vários sentidos. Contemplam “uma ou outra saúde”, mas não todas. Existe, é claro, um grau de tangibilidade nesse aspecto – isto é – não se pode privilegiar “todas as saúdes” de um trabalhador.

Não. Não se pode abraçar o mundo.

Isto porque ainda devemos ressaltar um outro aspecto que eu chamaria de “saúde particular”. Cada pessoa tem as suas características e as leva em conta na hora do trabalho. Cada um tem o seu “ritual do sono”, e, dependendo de com quem você divida o camarote, isso pode prejudicar alguma de suas “saúdes”, mesmo as principais, as saúdes física e mental.

Geralmente, este aspecto tão importante e tão rico de detalhes no trabalho offshore é jogado no setor de Segurança e Saúde do Trabalho quando, na verdade, sua complexidade exige um esforço geral envolvendo todos os setores da empresa, seus executivos e funcionários.

Durante anos a fio empresas perdem milhões de reais promovendo políticas desalocadas. Sim, não se pode, por exemplo, tratar um problema de logística no setor de pagamento. Ou, no caso da política estadual do Rio de Janeiro, tratar um problema de saúde pública como se fosse um problema de segurança. Esse desarranjo, certamente, criará um problema nos setores de pagamento e de segurança.

A saúde ou “as saúdes”, assim como a segurança, não é/são uma questão de procedimento, mas uma questão de cultura, como ja foi dito aqui num outro texto. Lembrando sempre que o custo do bom funcionamento de um setor é, na verdade um investimento para a empresa.

Por Marcus Lotfi

2 COMENTÁRIOS

  1. òla li a reportagem e gostei, nunca tinha pensado em trabalhar com transportes maritimos, mas depois que surgiu a oportunidade de trabalhar na noble comecei a me apaixonar pela area. Ja mandei varios curriculos para ai masnao obitive resposta ainda.

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