Superioridade? O´Really?

9

Uma vez, num intervalo entre o almoço e a parada diária na EFOMM, um colega meu de turma falou o seguinte: “A superioridade da Escola Naval é tão grande que nem se discute o assunto EFOMM por lá”. O tempo passou, eu acabei deixando a Escola, mas sempre pensando por que a concepção que as pessoas tinham da nossa instituição era aquela, uma vez que, de fato, aquilo nunca foi verdade.

Mesmo com o aquecimento do mercado e a descoberta do Pré-Sal, este preconceito continua. Certa vez, eu me lembro que fui cobrir um evento da Marinha do Brasil e um Almirante me disse a seguinte frase: “É, quanto a salário, realmente não dá para competir com vocês”. Desde que eu ouvi esta frase, pensei que não demoraria 30 anos de carreira para saber o óbvio, como faziam aqueles aspirantes.

Não dá pra competir, entendeu?!

Noutra ocasião, entrevistando um oficial de náutica, ouvi a seguinte frase: “Enquanto um passadiço militar carece de 3, 4 oficiais, eu seguro sozinho um passadiço mercante”. A formação de navegação do oficial mercante é, indiscutivelmente, muito superior à militar. Sabemos disso.

O fato é que o Oficial Mercante se forma em menos tempo, tem uma carreira muito mais promissora, ganha salários muito mais altos, mas perante a sociedade, continua, na minha opinião, sendo visto de maneira inferior em relação aos Oficiais da Marinha Militar. Lembro que um Capitão-Tenente, egresso da EFOMM, inclusive, se referia à Marinha Militar como  a Marinha do Brasil, enquanto que nós éramos, depreciadamente, um pedaço deles.

Somos completamente vitaminados e superiores! Huuummmmmm........

O que me intriga nisso tudo é a verdade estar óbvia. São carreiras diferentes, com objetivos distintos, com suas vantagens e desvantagens e, baseado nos fatos, não há qualquer razão para enxergar qualquer diferença de importância entre as “Marinhas”. A verdade está na cara, e não há por que negar.

Hoje, depois de anos, reencontro muitos amigos que hoje são oficiais das forças armadas, forças auxiliares, e muitos outros que são mercantes. Muitos, inclusive, abandonaram a EFOMM para seguirem no Exército ou Marinha ou Aeronáutica.  Nosso discurso já é mais maduro. Agora, consideramos as vantagens e desvantagens e o que perdemos ou ganhamos com nossas escolhas.

Entretanto, alguns ainda persistem na idéia de que são superiores…

De quantos anos os militares precisam para entender que “não dá para competir”?

#ficaadica

Um abraço, pessoal! Amanhã tem mais!

Por Marcus Lotfi

9 COMENTÁRIOS

  1. Não há o que comparar…Hoje, o Oficial da Marinha Mercante está mais maduro e consciente de si e de sua carreira tal qual as suas aspirações. A realidade macro é outra,e pasmem, o caminho é inverso. Quando eu entrei na Escola, em 98, faltava muita coisa,inclusive, visão e maturidade entre nós; e se ventilava o tal do recalque que na realidade nunca existiu e que se travestia de inexperiência. Abs e parabéns pelo artigo.

  2. Não há o que comparar, não estou dizendo que Marinha Mercante é melhor ou pior, é como você comparar uma maçã a um tomate, não tem como ! São coisas diferentes, distintas e com funções diferentes. Ambas tem a sua importância e uma precisa da outra.
    É melhor para quem ? Salário é tudo ? Se fosse tudo pessoas nao sairiam da Mercante para ir para a Marinha de Guerra.
    E se salário nao fosse nada, nao teríamos ” Mar-e-Guerra” pegando carta de CLC para ser DPO.
    Parabéns pelo artigo !

  3. Infelizmente essa superioridade existe sim, por parte de muitos 🙁
    Mas felizmente nem todos pensam assim…
    Fiz a Viagem de Instrução com uma turma de Guardas Marinha recém formados pela EN… e pude perceber certo ar de superioridade e preconceito vindo de alguns. Mas felizmente, alguns outros não pensavam assim e muitos outros preferiram ouvir / saber mais sobre a Marinha Mercante 🙂 e perceberam nosso valor e que as Marinhas, como disse o companheiro aí em cima, são diferentes, com funções e propósitos diferentes!
    Nossa formação é mais voltada especialmente para pilotar um navio / gerência de bordo ou Máquinas… a deles é mais voltada para a preparação para Guerra. Por isso certas diferenças… em quantidade de gente no passadiço, por exemplo (muitos se espantavam ao saber que na Mercante fica apenas uma, no máximo 2 pessoas em situações normais). Poderia aqui listar as inúmeras diferenças que pude perceber. Mas acho que não vai caber…
    A EFOMM / Mercante está crescendo cada vez mais e ganhando espaço e aos poucos, as pessoas vão conhecendo mais. E as pessoas vão crescendo, adquirindo experiência, se tornando mais maduras, aptas a perceber o valor de cada formação.
    Enfim, a questão é que “cada Marinha” tem uma função e uma formação diferente! E todos precisam enxergar e respeitar isso 🙂

  4. Essa superioridade ridícula sempre vai existir das duas partes, pois desde os primordios se tem um grupo de pessoas vestindo roupas pretas e outro grupo vestindo roupas brancas, o que acontece?
    Lógico que eles vão se comparar e sempre vai existir as “Richas das diferenças”. E assim posso falar vários exemplos, tais como: Cariocas x Paulistas, Americanos x Canadenses, Chineses x Japoneses,
    Policia civil x Policia Militar, surfistas de body board x surfistas de prancha e etc etc etc…

    Resumindo, basta cada Oficial (tanto EN como EFOMM) ter a humildade de reconhecer o valor do outro profissional e saber que cada um tem suas atribuições na Marinha do Brasil = Marinha de guerra + Marinha Mercante.

    E que todos Of. da Marinha de guerra quando chegar na mercante seja bem vindo e vice versa.

    Abração a turma Klãn CIABA/EFOMM 2004.

  5. O engraçado é que um Oficial Mercante quando ingressa na Marinha de Guerra via QC, é tratado como recalcado, até mesmo por colegas de turma. E o Capitão-de-Mar-e-Guerra que pega a carta de CLC para virar DPO? Uma vez, houve uma visita da Escola Naval na EFOMM…Os caras simplesmente se sentiam os donos do mundo. Até que, categoricamente, um Oficial Mercante cascudo que nos comandava colocou-os nos seus devidos lugares…Mas isso é papo para outro texto!

  6. Um dizer antigo ainda deve ser levado em conta: “cada macaco no seu galho!”

    O pessoal da EN tem uma formação muito mais complexa que a dos alunos da EFOMM, mas com um objetivo completamente distinto.

    A formação mercante é mais prática, mais objetiva e para os seus propósitos atende as necessidades do mercado.

    Quanto aos salários, hoje, se levarmos em conta o mercado offshore, coitados dos nossos “cisnes brancos”…

    Em todo mundo, as Marinhas (de guerra) são centros de respeito, status e tradição. Aqui no Brasil, bem menos.

    Que bom que eu não vivo de status e tradição!

    sds,

Deixe uma resposta