Ceará – Pescador de 61 anos passa sete dias a deriva e sobrevive

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Um pescador de Rio Grande do Norte foi encontrado no litoral cearense na tarde de sábado (10) após sete dias à deriva no mar, em um bote salva-vidas inflável, após acidente com um barco pesqueiro. Francisco Januário de Souza, 61 anos, foi encontrado por pescadores da cidade de Acaraú, no litoral Oeste do Ceará, recebeu atendimento médico no hospital da cidade e teve alta ainda no sábado. Ele tentou resgatar um bote que se soltou do barco em que estava e se perdeu no mar.

A filha do pescador, Mércia Souza, em entrevista ao G1, disse que ouvia dos colegas do seu pai e da Marinha a informação de que ele já estaria morto. “Os pescadores diziam que ele morreu no mesmo dia do acidente (3 de setembro), a Marinha também. A Marinha inclusive disse que já iria assinar o atestado de óbito e entregar no dia 30 de setembro”, diz a filha. Souza ficou de sábado (3) até o último sábado em um bote salva-vidas do barco, onde havia rações e água potável.

De acordo com funcionários do hospital, o pescador chegou consciente, mas bastante debilitado. Souza sofreu queimaduras de primeiro e segundo grau por causa da insolação e chegou desidratado ao hospital. Ele recebeu soro e medicamentos.

No hospital de Acaraú, Francisco Januário recebeu visita de familiares do Rio Grande do Norte. Ele voltou ao estado de carro com a família. Ele está com a família, na capital potiguar.

Causa do acidente

Francisco Januário e outros oito pescadores estavam no barco pesqueiro Água do Rio Negro a 260 quilômetros do arquipélago Fernando de Noronha. De acordo com a filha do pescador sobrevivente, baseado em relatos do pai, um problema no motor da embarcação deixou o barco à deriva por volta das 17h.

Mércia diz que os pescadores enviaram um comunicado via rádio para a costa informando o problema; a empresária proprietária do barco informou que enviaria um barco de resgate no dia seguinte, no domingo (4). “Estava chovendo forte, quase uma tempestade, e o bote que fica preso ao barco tinha se soltado”, diz a filha.

Segundo Mércia, o bote custa cerca de R$ 16 mil e o seu pai quis evitar o prejuízo. “Ele amarrou uma corda na perna e foi pegar o bote, mas o nó se soltou e ele ficou à deriva no mar, no escuro, sem ver nada.” Januário conseguiu nadar até o bote e ativar o sistema que infla a boia roendo o lacre de segurança, diz a filha.

“Ele ainda sofreu um bocado, o bote virou duas vezes com ele por causa da chuva e do vento fortes.” De acordo com a Capitania do Rio Grande do Norte, as ondas em 3 de setembros chegavam a cinco metros de altura.

Francisco Januário é trabalhou como mergulhador para Petrobras na década de 1980 e se aposentou, mas continua trabalhando como pescador profissional. A Capitania dos Portos de Rio Grande do Norte havia feito uma operação de busca do dia do acidente (3) até a última sexta-feira (8). Foram usados navios e helicópteros, que varreram uma área do litoral de Rio Grande do Norte e Pernambuco.

Os outros oito pescadores que estavam com Januário no Água Rio Negro foram resgatados no dia seguinte ao acidente, 4 de setembro, todos em bom estado de saúde.

Com as informações – G1

Por Rodrigo Cintra

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