Vai uma dobra, aí?

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Numa manhã de sábado há sete anos atrás, estava eu, na época Aluno Lotfi, B-12143, prestes a passar o serviço na sala de estado da EFOMM, pegar meu carro e curtir o ventinho matinal da Avenida Brasil desocupada, em direção à minha casa. Tinha tudo para dar certo, mas quem ia me render não veio, e o oficial de serviço me disse que eu tinha que dobrar. Eu nunca havia sentido pânico na vida.

Nããããããããããão!!!

Desde então, a minha imagem sobre a “dobra”, era ilustrada numa maratona em que você corre até seus pulmões se projetarem traquéia afora, e exatamente no momento em que você acredita piamente que acabou, que bate aquela felicidade, o árbitro vem e diz: “Essa não valeu. Vamos outra”.

Oh, shit!

Já conversei com muitos oficiais mercantes sobre isso e as opiniões são variadas. Muitos dizem que o valor da dobra não compra a folga. Preferem ficar com a família a ganhar dobrados os dias a mais de embarque. Outros dizem que é uma boa grana, e isso empata o jogo. E já ouvi também pessoas que dizem precisar da dobra.

Você pode dobrar em duas situações: Quando quer ou quando não tem jeito. Muitos profissionais deixam claro para a empresa que querem dobrar quando a oportunidade aparecer. Outros deixam claro que não querem e quando a sombra da dobra aparece, ele desvia, finge não ver, corre para o camarote, faz até plano de fuga.

Já ouvi gente que tinha um plano parecido...

O fato é que o confinamento muda tudo. Não há nada como trabalhar confinado. É uma situação especial em quase todos os aspectos, principalmente no psicológico. Os prazos de embarque são estipulados da forma como são (14 x 14, 28 x 28…) levando em conta este aspecto. Depois de um certo tempo na situação, digamos, insalubre do confinamento, existe perda de produtividade, além de prejudicar o profissional.

No entanto, aqueles que precisam dobrar expõem-se de livre e espontânea vontade a uma situação de insalubridade que, psico-fisiologicamente falando, vai além do seu limite. Seria uma discussão interessante, no caso de um destes trabalhadores contrair doença ocupacional ou acidentar-se. Como esta situação deve ser tratada? Como as empresas deveriam se portar em relação à dobra?

Fazendo um paralelo entre o que se paga aos trabalhadores que dobram e o que se perde numa situação de afastamento e/ou consequentes perdas e processos judiciais, será que a postura geral das empresas em relação a esta situação está certa?

Ao que me parece, isto fica a encargo dos embarcados, os quais nem sempre sabem a real medida do impacto de seus esforços nas suas saúdes física e mental.  Isso deve mesmo ser assim, ou seria melhor de outra forma? A situação é assim há muitos anos, e ao que tudo indica, funciona bem.

Mas vocês sabem…O mal do urubu é achar que o boi está morto!

Um forte abraço e amanhã tem mais!

Por Marcus Lotfi

1 COMMENT

  1. Eu acho que há dobras e dobras.
    Cada empresa paga de uma forma diferente e cada um vê de uma forma.
    Eu tenho um terceiro aqui comigo que no início da segunda semana ele já está pensando em ir pra casa.
    Já o outro, deixa bem claro que quer dobrar sempre que possível.
    Os motivos são os mais variados possíveis, mas sempre vale lembrar que, oficialmente, ninguém é obrigado a dobrar, nem para cobrir faltas, nem para cobrir Férias, que fique bem claro. Isso vai de cada um.

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