Shell de olho em novos blocos de petróleo

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Companhia, cujo conselho está reunido no Rio, vai participar de leilão da ANP de blocos na margem equatorial Norte do país, do Amapá ao Rio Grande do Norte, que ocorre em 2012.

Pela primeira vez nos mais de 90 anos de história da Shell no Brasil, o Conselho Mundial de Administração da petrolífera anglo-holandesa está reunido no Rio de Janeiro.

Com objetivo de discutir os resultados da companhia em todo o planeta, a iniciativa, de acordo com os próprios executivos, representa sinalização do tamanho que a operação brasileira conquistou nos últimos anos para a matriz, em tempos de crise mundial e turbulência no Oriente Médio.

Presente à reunião, que será concluída hoje, o Diretor de Exploração e Produção da Shell para as Américas, o americano Marvin Odum, revela que, para os próximos anos, a empresa quer adquirir blocos na margem equatorial Norte do país, incluídos no lote de áreas previstas para a 11ª Rodada de licitações da Agência Nacional do Petróleo (ANP), do Amapá ao Rio Grande do Norte, em 2012.

Em entrevista exclusiva ao Brasil Econômico, Odum diz que, em princípio, a estratégia da Shell prevê a disputa dos blocos sozinha. Qualquer parceria, pondera, apenas em último caso, e desde que na condição de majoritário nos projetos.

Sem entrar no mérito dos motivos que levaram a Presidente Dilma Rousseff a não aprovar, até agora, a 11ª Rodada, o diretor da Shell admite, no entanto, que a decisão oficial da petrolífera de participar do leilão só ocorrerá depois de uma detalhada análise das condições do edital – ainda sem data para publicação.

Será preciso ver, de acordo com o executivo, a lista de áreas incluídas na disputa.

Durante a entrevista, em um hotel no Rio, Odum esbanjou simpatia com o Brasil, país para o qual não economiza elogios.

“O Brasil conseguiu avanços fantásticos com a política de conteúdo local, e esperamos o tempo certo para chegar ao ponto de encomendar uma plataforma aqui”, elogia o americano, ao exaltar o interesse no pré-sal.

“As oportunidades que encontramos aqui são da mais alta qualidade em termos globais, tanto do ponto de vista jurídico quanto geológico. Por isso, não acreditamos que a recuperação da produção em países como Iraque e Líbia, no futuro, venha a reduzir a atratividade do Brasil. O pré-sal tem áreas da mais alta qualidade.”

Produção acima do esperado

Em território brasileiro, a Shell conseguiu completar oito anos de exploração e produção no campo de Bijupirá-Salema e no bloco BC-10, no chamado Parque das Conchas – ambos na Bacia de Campos – sem um único incidente ambiental ou acidente de trabalho.

Lá, a produção superou em 30% a meta esperada pela matriz. Tamanho desempenho projeta a perspectiva de novos investimentos da empresa na área, não só na chamada fase 2 do BC-10, mas até mesmo em uma provável fase 3, como revelam executivos da empresa, no Brasil.

“Para se ter uma ideia da importância da atividade exploratória no Brasil para a Shell, nós vamos investir, só na fase 2 do BC-10, que começa no início do ano que vem, mais do que os US$ 1,6 bilhão da parcela que desembolsamos à vista para viabilizar a Raízen”, compara o Presidente da Shell Brasil, André Araújo, ao recorrer ao exemplo da joint venture criada no fim do ano passado com a Cosan para o setor de etanol, um dos movimentos mais estratégicos da petrolífera nos últimos anos.

O otimismo com o Brasil, ratificado pela reunião no Rio do conselho de administração, confirma a mudança de tendência verificada na Shell, nos últimos anos. Desde a década de 90, não foram raros os boatos e especulações sobre a saída da gigante anglo-holandesa do país.

Depois de se desfazer de uma parte da rede de postos de gasolina do país, no início da década passada, a empresa vendeu em 2010 algumas áreas consideradas promissoras, até mesmo no pré-sal, como o prospecto batizado provisoriamente de Bem-Te-Vi, na Bacia de Santos.

Com as informações – Ricardo Rego Monteiro / Brasil Econômico

Por Rodrigo Cintra

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