Marítimos búlgaros “na onça” fundeados em Fortaleza

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Seis marinheiros de origem búlgara estão presos no navio Seawind de bandeira panamenha há quase três meses. Só há alimentação e água para mais quatro dias. O clima é de pânico, todos temem a morte e doenças graves. Parece cena de filme de terror, mas este enredo está se passando no mar de Fortaleza, há duas milhas do Mucuripe.

Uma milha equivale a 1,609344 Km. O motivo do encarceramento foi uma medida judicial que determina a retenção da embarcação, bem como o arresto do navio e o carregado de granito.

O navio Seawind encontra-se fundeado desde o último dia 9 de julho, impedido de prosseguir viagem, com destino para a Itália, por conta de dívidas que já somam cerca de 560 mil dólares e queixas trabalhistas. Lamentando o cárcere, o Comandante da embarcação, Nicolay Simeonov, revelou o desespero do grupo. Eram 14 pessoas ao total; só restaram seis. Os demais foram retirados do navio após problemas de saúde.

“Estamos em uma situação muito complicada e ainda não sabemos o que fazer. O combustível do navio deverá acabar e o sistema de refrigeração vai parar”, afirmou o Comandante.

Entenda a situação - clique para ampliar

Aflito com o futuro dessas pessoas, o Advogado da tripulação, Eugênio Aquino, do Grupo Promare de Advocacia e Consultoria, já entrou com duas ações, solicitando que a verba dos trabalhadores e dos fornecedores de óleo seja paga e todos liberados, ressarcidos financeiramente e entregues aos seus países de origem. Uma das saída seria, segundo ele, a venda urgente do navio e de toda a carga de 40 mil toneladas de pedras.

Justiça

“Temos uma ação movida na 5ª Vara Civil sobre uma dívida contraída em Malta e, outra ação, movida na 10ª Vara da Justiça do Trabalho, em Fortaleza”, afirmou o advogado. Um outro temor de Aquino é que a falta de iluminação, por conta da ausência total de combustível, piore mais o cenário, aumente os riscos de saques e de invasões.

“Esse caso está dando muita repercussão na Bulgária. Já entramos em contato com a embaixada da lá e não tivemos êxito. Já procuramos governos e demais órgãos de proteção, mas nada aconteceu. Querem que eles morram de fome e sede?”.

Os marinheiros não podem sair da embarcação por estarem em situação irregular no País – sem Agente Marítimo responsável – e por temerem que, abandonando o barco, os proprietários possam fugir de Fortaleza, sem pagar o que devem ao grupo que, segundo o Advogado, trabalhava há anos em regime semi- escravo, sem apoio e direitos.

“Representantes do armador do navio, de empresa sediada em São Luiz, confirmaram o abastecido regular, com fornecimento de óleo diesel, alimentos e todo apoio médico”, informou o Capitão de Corveta, Reinaldo Cerqueira, da Capitania de Portos do Ceará. A reportagem tentou contato com o proprietário, mas não obteve retorno.

Com as informações – Ivan Girão / Diário do Nordeste

Comentário do Colunista – Fico me perguntando o que o ilustríssimo Vice Presidente da ITF, Senhor Severino Almeida, está fazendo a respeito do caso.

Por Rodrigo Cintra

4 COMMENTS

  1. Só lembrando aos leitores, que este texto foi clipado do Diário do Nordeste.
    A milha ao qual o texto se refere é a terrestre, pois a milha marítima, como muito bem lembrado pelo nosso assíduo e ilustre leitor, o Oficial de Náutica e atualmente trabalhando na Hamburg Sud, nos EUA, Sydney Oliveira Junior, é 1852 m.

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