Só pra inglês ver – curso de Engenharia da UFRJ em Macaé não tem a mínima estrutura para funcionar

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Sem laboratórios adequados, com infraestrutura deficiente, escassez de salas de aula e professores ministrando até três matérias diferentes, a Faculdade de Engenharia da UFRJ em Macaé sofre com a deserção em massa de alunos. Dos 120 estudantes que começaram junto com o curso, no primeiro semestre de 2011, sobram cerca de 80, evasão de 33% em menos de um ano.

Paradoxalmente, apesar dos problemas atuais, a Engenharia da UFRJ pretende ampliar em Macaé em 40 as atuais 120 vagas, aumentando o total para 160 – contra a recomendação do Coordenador do curso no local, Bernardo Mattos.

A UFRJ na cidade integra o programa do Governo Federal de expansão universitária. O iG mostrou que a faculdade de Medicina em Macaé também enfrenta sérios problemas do mesmo gênero.

Em uma cidade em rápido crescimento por conta das descobertas do Pré-Sal – que demandará enorme quantidade de engenheiros –, muitos dos alunos restantes na UFRJ pensam em prestar novo vestibular e abandonar a faculdade. “Vou sair no fim do ano. Como eu, a maioria já se inscreveu no vestibular. Está todo mundo pensando em sair”, lamenta o paulista Caio Sousa, 19 anos, que se mudou para Macaé para estudar.

“A UFRJ tem nome. Mas a estrutura é precária para uma das maiores universidades do País. Faltam professores, tem muita adaptação, improviso, com um docente dando três matérias diferentes, por falta de outros. É muita frustração. Quando fazemos o Enem (para a UFRJ em Macaé) não tem um asterisco lá: campus sem infraestrutura”, reclamou Caio, que preteriu a Universidade Federal do ABC, onde tinha sido aprovado, pelo nome prestigioso da UFRJ, em Macaé.

A faculdade tem apenas quatro docentes fixos, entre os quais o Coordenador, e quatro por entrar, além de 12 professores temporários.

“Eu desanimei. Abriram a faculdade sem infraestrutura nenhuma e com professores adaptados”, relatou outro aluno.

Segundo o Coordenador, Bernardo Mattos, os alunos que deixaram a faculdade passaram em outra universidade mais perto de casa. “Mas acho que a questão da estrutura também motivou (a evasão), teve influência, sim.”

Professores ouvidos pelo iG reservadamente dizem que as instalações não são as ideais, que falta apoio da UFRJ no Rio e há morosidade da Universidade na liberação de recursos para comprar equipamentos e construir salas e laboratórios.

O Coordenador do curso reconhece que “de fato, há deficiência de equipamentos, corpo docente pequeno e salas de aula a menos para a boa qualidade do curso”.

Pré-Sal expõe carência de engenheiros

“Instalaram um campus sem infraestrutura. Faltam muitos livros: são dois ou quatro livros de cálculo na biblioteca, administrada pela Prefeitura de Macaé, para 60 alunos, afora os outros que querem trazer. Um laboratório de Engenharia não se faz de uma hora para a outra. Foi cogitado até de termos aula em contêiner. Ainda assim, querem aumentar as vagas. É uma bomba-relógio”, disse Caio Sousa.

De acordo com a especialista em petróleo e sócia da Ernst & Young, Elizabeth Ramos, “faltam técnicos e engenheiros especializados no país e os que se formarão nos próximos anos não serão suficientes”. Segundo ela, em lançamento de estudo sobre petróleo até 2020, o Brasil forma 1,9 engenheiro por 10 mil habitantes, e a China forma 13”.

“O impressionante é que a cidade precisa de engenheiros e não se dá o devido valor a este curso. A Prefeitura tem os royalties, todo mundo pensou que seria ótimo. Mas, se é mais fácil ir para outra, por que vou ficar me desgastando aqui? É ruim para a sociedade, que paga para ter 120 alunos, não por 60”, questiona Caio.

Alunos relatam que a Coordenação do curso e os professores são empenhados na melhoria das condições, mas também enfrentam problemas, como a desmotivação e gabinetes apertados. A opinião geral é de que a faculdade não tem o apoio estrutural da UFRJ no Rio.

Este mês, o Coordenador do curso, Bernardo Mattos Tavares, tirou licença médica por duas semanas. Ele não atribui o problema de saúde ao estresse no trabalho, mas reconhece que “pode ter alguma relação com o ofício”.

Com as informações – Raphael Gomide / Último Segundo

Por Rodrigo Cintra

4 COMENTÁRIOS

  1. Nossa, que triste…

    Não imaginava que a UFRJ, uma universidade tão conhecida , está passando por um “caos”. Onde estão os nossos políticos? Ninguém está vendo essa realidade? Que medidas estão sendo tomadas à respeito? Será que nossas lideranças vão ficar com os braços cruzados?

  2. Parabéns para a Classe Política de Macaé e para o Povo que continua elegendo e sendo subjugado aos mesmos que não largam o osso nem por um decreto. O petróleo bombando, os royalties vindo que é uma beleza e a cidade continua passando por este tipo de coisa inadmissível. Principalmente para quem se julga a Houston Brasileira.

  3. Rodrigo, nao poderia concordar mais: Nao eh possivel que os habitantes daquela regiao nao percebem o quao precaria e absurda eh a qualidade de vida la! Mesmo com todos os royalties a cidade ainda ta muito precaria, e com certeza isso se deve aos politicos eleitos pelo moradores de la, mas tambem devido a ma-indole dos empresarios que investem em macae, piorando a situacao. Eu particularmente ODEIO Macae. Pra salvar aquela cidade so um tipo de organizacao dos habitantes que fique em cima dos politicos e que regule com maos de ferro o que os empresarios estao propondo para a cidade. Nego abre qualquer negocinho la e consegue um lucro altissimo porque sabem que eh uma cidade com muita atividade do ramo de oleo e gas. Isso eu chamo de exploracao! O custo de vida la eh mais caro que alguns lugares do Rio de Janeiro, e o que a cidade te da em troca? Nada!

  4. ÊEEEE Macaé, lugar de merda. Quem não detesta essa cidade? Além dos milhares de problemas de saneamento básico da cidade e falta infraestrutura, agora temos problemas com precariedade do curso de Engenharia da UFRJ local.

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