Marítimos búlgaros finalmente em terra – dois permaneceram a bordo

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Com os pés em terra, a feição dos quatro homens era só alegria. “Estou muito, muito feliz”, dizia num inglês enrolado Nicolai Smeonov, enquanto desembarcava no Porto do Mucuripe. Nicolai é o capitão do grupo de tripulantes búlgaros resgatados pela Polícia Federal depois de quase três meses, em situações precárias, a bordo do navio Seawind.

Dois homens continuam embarcados, agora com suprimentos e mais quatro marinheiros cearenses do sindicato dos portuários de Fortaleza, para salvaguardar a embarcação.

O navio que partia, no dia 2 de julho, do Porto do Mucuripe com destino à Itália foi impedido de seguir viagem em razão de decisões judiciais que determinaram o arresto do navio por dívidas de quase US$ 560 mil, sem contar os débitos trabalhistas. Desde então, o navio encontra-se fundeado a quase 4 km do Porto.

Depois de denúncias de insalubridade pela qual passavam os tripulantes sem alimentos e sem condições favoráveis de saúde, o Ministério Público do Trabalho do Ceará (MPT-CE) entrou com ação civil pública para o resgate. “Tínhamos que garantir a saúde dos tripulantes”, afirmou o procurador responsável pela ação, Nicodemus Fabrício Maia.

A liminar concedida ontem determinou o resgate imediato dos tripulantes e que as empresas responsáveis, a Argo Maritme LTD e a Shipping Protection Ship Services, paguem os débitos trabalhistas aos seis tripulantes búlgaros que estão há nove meses sem receber. As empresas, que ainda não se pronunciaram, tem até a próxima sexta-feira para pagar em torno de R$ 1 milhão em salários atrasados e mais de R$ 1 milhão em danos morais aos marinheiros, segundo o MPT-CE.

Depois de resgatados, os marinheiros receberam atendimento médico e passam bem. Até que sejam pagas as dívidas e possam ser repartriados, os estrangeiros ficarão em um hotel na Praia de Iracema. “É um alívio que tudo esteja se resolvendo. Estou muito feliz”, despediu-se com sorriso largo o capitão Nicolai.

E agora?

ENTENDA A NOTÍCIA

Segundo a PF, as empresas do navio dão sinais de falência. Se não cumprirem a determinação da Justiça, o navio arrestado e a mercadoria valiosa de granito e mármore do navio poderão ser leiloados para quitar as dívidas.

O navio Seawind está há oito meses no litoral brasileiro, com a tripulação búlgara. A embarcação veio para Fortaleza, partindo do porto de Vitória (ES).

Desde lá, a tripulação de 14 homens estrangeiros pede ajuda a órgãos internacionais de trabalho para que a situação de insalubridade e da falta de pagamento fosse resolvida.

Só quando chegou a Fortaleza, a Justiça tomou conhecimento de duas ações movidas pelo advogado da tripulação, Eugênio Aquino, para que os salários fossem pagos e que os fornecedores de combustível ao navio também. No litoral cearense, o navio já estava quase sem combustível para prosseguir. Diante disso, decisão judicial parou o navio.

A tripulação era composta por 14 tripulantes. Oito deles decidiram voltar à terra de origem por conta própria, mas outros seis resolveram ficar no navio para garantir que as empresas paguem as dívidas aos trabalhadores.

Com as informações – Luar Maria Brandão / O Povo

Por Rodrigo Cintra

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