BG quer vender ativos para a Sinopec – Petrobras não gostou nada disso…

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Mesmo orientada a vender ativos que devem somar US$ 13,6 bilhões até 2015, a Petrobras está disposta a desembolsar dinheiro para impedir que a petrolífera britânica BG venda fatias dos campos de Lula e Cernambi para outras empresas estrangeiras.

Presidente da estatal brasileira, José Sergio Gabrielli revelou ao Brasil Econômico a itenção de exercer o direito de preferência previsto no contrato de concessão para qualquer dos sócios no bloco BMS-11, em caso de venda de participações. Sócia da Petrobras no pré-sal da Bacia de Santos, onde estão os dois campos, a BG estaria em negociações com empresas chinesas para repassar uma parcela de até 10% em um lote de blocos na província petrolífera.

“Todas as hipóteses são possíveis, mas se houver ‘farm out’ (venda de participação em bloco), nós vamos exercer, sim (o direito de preferência)”, afirmou Gabrielli. No entanto, o executivo disse não ter sido informado, até o momento, sobre a operação. “Não estamos sabendo disso (as negociações), mas tudo o que for no pré-sal, nos interessa”.

Os rumores sobre a possível venda das participações da BG no pré-sal cresceram no mês passado, a partir de reportagem publicada pelo diário britânico Financial Times. Revistas e sites brasileiros sobre o setor ajudaram a aumentar o barulho.

De acordo com essas publicações, a direção da companhia, no Reino Unido, estaria em negociações com a estatal chinesa Sinopec para alienação de fatias não só em Lula e Cernambi, no BMS-11, mas também nos blocos BMS-9 e BMS-10, na mesma área.

Como suas participações variam de 25% a 30% nesses blocos, o negócio não representaria a saída definitiva da BG do pré-sal, mas apenas a incorporação de mais um sócio para assumir parte dos riscos.

Recentemente, o Presidente mundial do BG Group, Frank Chapman, confirmou a intenção da empresa de investir US$ 30 bilhões no Brasil, até 2020, por meio de um desembolso que incluirá até mesmo a instalação de um centro mundial de pesquisa e desenvolvimento da empresa, no Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Ilha do Fundão.

Gabrielli reafirma o compromisso da Petrobras em se desfazer de parte dos ativos da estatal, para tornar viáveis investimentos US$ 224,7 bilhões nos próximos quatro anos. Apesar do plano, o executivo esclarece que a Petrobras dispõe de recursos para investir, eventualmente, na compra das participações da BG. O presidente da Petrobras revelou ceticismo, no entanto, com a possibilidade de uma negociação da companhia britânica com os chineses.

Procurada pela reportagem do Brasil Econômico, a direção do BG Group no Brasil se limitou a informar que “não comenta rumores de mercado”.

A direção mundial da empresa britânica, ainda de acordo com os rumores, teria mantido o compromisso de investir os US$ 30 bilhões no Brasil mas, em compensação, teria optado por compartilhar os riscos do negócio depois do recrudescimento da crise europeia.

Nos últimos meses, a turbulência na economia mundial contribuiu para jogar para baixo o valor de mercado da BG, apesar das perspectivas de rentabilidade futura abertas pelo pré-sal. A onda de desvalorizações, que também não poupou as ações da Petrobras, tragou a maior parte das empresas do setor, na esteira da queda dos preços do petróleo.

Com as informações – Brasil Econômico

Por Rodrigo Cintra

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