Gabrielli declara que Petrobras vai vender US$ 13 bilhões em ativos

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A petroleira estatal brasileira, Petrobras, vai vender ativos de exploração e produção equivalentes a mais de US$ 13 bilhões, declarou seu presidente nesta segunda-feira à France Presse.

“Estamos finalizando a estratégia para sabermos se será um grande pacote ou pacotes menores, pedaço por pedaço”, explicou José Sergio Gabrielli, em uma entrevista em Paris, na qual ressaltou que muito em breve serão feitos novos anúncios.

As vendas afetarão ativos “no Brasil e fora do Brasil”, disse o presidente, segundo o qual o plano de liquidação do grupo prevê também a venda de participações financeiras.

A Petrobras apresentou em julho um vasto plano de investimentos, de 225 bilhões de dólares até 2015, sendo grande parte dele destinado a desenvolver seus campos petroleiros situados em águas ultraprofundas, na chamada camada do pré-sal.

Com o descobrimento dessas reservas, que representam um terço do total de descobertas recentes no globo nos últimos cinco anos, os analistas esperam que a Petrobras renuncie a seus ativos no estrangeiro para concentrar-se no mercado nacional.

“Teremos 5% de nossos investimentos no estrangeiro (…) e não prevemos aumentá-los”, disse Gabrielli.

PRESENÇA INTERNACIONAL

A Petrobras quer, entretanto, permanecer presente no exterior, explicou ele. “Não porque queiramos novas áreas, mas porque é necessário termos informação coletada durante a exploração. Não somos uma sociedade de fusão-aquisição, mas uma empresa de exploração”, disse.

Quanto às novas reservas, elas estão abertas “a qualquer companhia petroleira” e não somente brasileira, afirmou, no momento em que surgem preocupações relacionadas a uma exploração muito nacional.

Gabrielli falou de um eventual interesse da francesa Total nas reservas brasileiras.

“Eu me reuni com meu amigo (o presidente da Total Christophe) de Margerie no domingo passado em Londres e ele me disse que está muito interessado no Brasil”, disse o presidente da Petrobras.

CRESCIMENTO DE 150%

O Brasil pretende passar sua produção de petróleo de 2 milhões de barris por dia para cerca de 5 milhões até 2020, principalmente com a Petrobras.

As necessidades são enormes, com o grupo estimando que serão necessários cerca de mais 300 navios em dez anos e mais de 50 novas plataformas de perfuração no mar para se ter acesso ao petróleo, que está até 7.000 metros sob a superfície.

“Para termos uma base de comparação, há 103 plataformas atualmente no mundo. Vamos utilizar 65”, ressaltou Gabrielli.

Com relação ao risco ambiental das perfurações em águas profundas, “não se pode ter certeza” de evitar uma catástrofe, reconheceu. Mas “achamos que podemos conseguir, se seguirmos os procedimentos”, concluiu.

O transporte de hidrocarbonetos ainda é uma fonte de poluição maior do que a exploração e a produção, segundo ele.

Consultado sobre o que o petróleo abrirá como perspectiva para o Brasil, o presidente da Petrobras frisou que o ouro negro é ao mesmo tempo “uma benção que aumenta os ganhos e uma maldição que pode tornar outras atividades improdutivas”.

“Mas o Brasil é maior do que o petróleo”, que representa menos de 10% do PIB brasileiro e das exportações e menos de 12% de suas receitas fiscais, ressaltou.

Com as informações – Folha / France Presse

Por Rodrigo Cintra

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