A vila, o limoeiro e a limonada: Um conto sobre os Royalties

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Imagine uma vila de 10 casas. Agora, imagine que, em frente a esta vila, exista um singelo e fértil limoeiro. Pois bem! De tempos em tempos, este limoeiro dá belos e gordos limões, que há muito tempo atrás eram esquecidos, apesar de belos. Caiam pelo chão e ali ficavam, até que apodreciam. Até que um dia, os moradores de três das 10 casas tiveram uma idéia: colher os limões e fazer uma limonada!

Desde a decisão, a semana seguinte foi agitada: compraram jarros de vidro, formas de gelo, quilos de açúcar, filtros d´água, ripas de madeira, tinta e algumas belas toalhas brancas de macio tecido. Espremeram os limões, puseram água, gelo, açúcar, derramaram nos jarros e misturaram até ficar bem gostoso. Em frente à vila, construiram uma bela banca com as ripas e com a tinta, pintaram uma jeitosa placa: Limonada aqui – R$ 1,00.

O primeiro dia foi um sucesso! Gente de todo lugar vinha à banca da vila comprar copos e copos de limonada. Empolgados, os moradores das três casas investiram no negócio e compraram também uma fritadeira para fazer pastéis, alguns banquinhos para os clientes se sentarem e uma das moradoras até se vestia de garçonete e os servia.

Ao fim do primeiro ano, o dinheiro entrava de forma tão vertiginosa, que as três casas já não eram como as outras. Estavam sempre pintadinhas, com uma bela cerca que separava da calçada jardins floridos. No entanto, nem tudo são…flores, não é?

Todos à bordo, amigo!

Um belo dia, bem cedinho, a campainha de uma das três casas tocava. Era um dos moradores das outras sete, dizendo que o limoeiro era de todas as casas, então, o lucro deveria ser dividido igualmente por sete e não por três. Não tendo o que falar, o vendedor pediu um tempo para pensar dizendo que, no mesmo dia, mais tarde, faria uma reunião com todos.

No horário marcado, estavam lá os moradores das 10 casas, para definir como ia ser feita a divisão dos lucros da limonada. Os moradores das sete casas estavam irredutíveis, querendo quase a metade dos lucros, enquanto que os moradores das três não admitiam que a divisão fosse feita desta forma, porque eles investiram e, além disso, sofrem os prejuízos de se ter, dentro de casa, uma estrutura comercial.

Até hoje, a discussão não teve fim, e os moradores das sete casas ainda se sentem no direito de obter lucros sem trabalhar.

Uma história parecida com esta é a que se passa com os royalties sobre a produção e exploração de petróleo no Brasil. Há anos, os estados produtores investem, trabalham duro e se expõem ao risco de danificar o meio-ambiente, enquanto que os estados não-produtores continuam a reclamar um direito que, na minha opinião, eles não têm.

Basta relembrar quando o petróleo não dava o lucro que dá hoje. Esta discussão existia?

Acho que não, man...

Temos duas situações aí: A primeira é a de que, realmente, o petróleo é de todos. Deus não quis abençoar os cariocas, capixabas…A segunda é a de que não é justo dar a quem trabalha e a quem não trabalha o mesmo mérito. Portanto, minha posição é a de que uma pequena porcentagem dos royalties se destine aos estados não-produtores, mas que a maior porcentagem seja sempre reservada àqueles que trabalham por isso e investem dinheiro do próprio bolso para que este lucro seja maior. 

Mas e você, meu amigo, o que é que você pensa sobre isso? Esta divisão está correta ou está errada? É justo tirar dos estados produtores e dar aos estados que nunca fizeram nada a respeito? Ou será que fizeram?

Contribuam, amigos, porque esta questão é muito importante para o Brasil, independente de estados.

Um forte abraço e amanhã tem mais!

Por Marcus Lotfi

15 COMMENTS

  1. EU CONCORDO COM VOCE CONTANTO QUE A VALE DO RIO DOCE, A ZONA FRANCA DE MANAUS E OUTROS PROJETOS QUE EXISTEM POR AÍ A FORA REPARTAM TAMBEM COM O RIO DE JANEIRO OS SEUS PROFITS.

  2. Penso que a metéria sobre royalties seja bastante madura, em todo o mundo e também na Constituição Brasileira, e não é coisa para os políticos de terceira linha que temos se meterem. Mas, se querem repartir os lucros do petróleo, é ÓBVIO que o mesmo deverá ser feito com o cobre, com a bauxita, com o manganês e até com o soja do cerrado. Não tem cabimento tratar uma comoditie de forma distinta das demais. O Rio de Janeiro tem todo o direito de reivindicar participação na cana de Sâo Paulo e no gado do Rio Grande do Sul.
    Waldemar O. Jr.

  3. Boa Noite !
    Vou usar uma frase que não é minha para tentar resumir o que sinto.
    “Deus nos deu a vara e não o peixe”, antes é preciso saber pescar e se preparara para encher o barco o sambura ou o que quer que se tenha de suficiente para retornar com o investimento em tempo e aprendizado.É lógico que agora aqueles que não aprenderam a pescar, ou não tiveram costa para tal, venham tentar matar a fome e a sede em quem tarbalhou no que tinha investindo tempo e conhecimento.Mas a pergunta é, porque ao invés de pedir o que não trabalho para ter e já que não o fez porque geograficamente não foi privilegiado, não procurou fora da costa o seu ouro, que pode ser antes de mais nada verde por exemplo.Vejo empresas multinacionais explorando ano a ano os pequenos agricultores, pagando uma miséria pelo trabalho e lucrando um mundo de dinheiro, alguem reclama disto? Quero alertar que antes de brigarmos pelo petróleo ou por outro produto qualquer deste continental país, informar que temos que rever nossos conceitos e procurar a real razão para tanta lambança. Luiz Fernando (Brasileiro da Silva).

    • Quem trabalhou? Os políticos safados que não querem perder o dinheiro que estão roubando tão facilmetnte?
      Pq eu trabalho a 10 anos embarcado e não recebi um tostão deste royaltie e eu, como muitos outros, realmente trabalho.
      Agora pelo menos garantir uma estadia adequada, segurança e uma infraestrutura minima para quando sou o brigado a pernoitar em Macaé eles não conseguem, com mais de 30 anos recebendo milhões com os royalties.

  4. Não é justo que os estados produtores repartam os lucros e arquem sozinhos com os prejuízos. Os royalties do petróleo devem permanecer com os estados produtores. Notem que (refiro-me única e expressamente aos “políticos” (?) ) estes projetos de cunho socialista sempre partem da bancada nordestina. Espoliam seus estados natais e reinvidicam um tesouro “nacional” com a desculpa de que sãoo menos favorecidos… Se houvesse interesse de cada representante dos estados, garanto que o Bra$il seria um país mais igualitário. Companhias estrangeiras roubam, pilham e pirateiam as riquezas das matas e substrato brasileiro e nós lavamos as mãos, dizendo que o problema não é nosso (refiro-me aos brasileiros com o poder de decisão). Dai a César o que é de César!

  5. Sinceramente, visite Macaé, Campos e outras cidades que ganham os royalties, principalmente Macaé e me digam o que Macaé fez em mais de 30 anos de royalties que está ganhando.
    O que eles fazem para melhorar o acesso e estadia dos trabalhadores embarcados quando passam por Macaé?
    Justifiquem a necessidade de recebimento destes royalties, duvido que seja revertido alguma parte do montante para melhoria da infraestrrutura da cidade.
    Mas enquanto isso a Família que está praticamente desde a fundação da cidade no poder estão muito bem, obrigado. Só embolsando os royalties eles em Macaé e os Bandidos do casal Garotinho em Campos.

    Fica impossível defender as cidades que perderão royalties quando se conhece essas cidades e sabe-se a quanto tempo eles recebem esta fortuna

  6. Excelente! Só gostaria de dizer sobre os prejuízos sociais que têm sido enormes e tendem a aumentar exponencialmente. Quem é do RJ ou pelo menos conhece a cidade, sabe que a cidade não tem mais espaço para nada, e muitas cidades do Estado,Baixada e Região Metropolitana, certamente, sofrerão esses danos indiretos provocados pelo “eldorado” do pré-sal que atrairá vários Brasileiros das mais variadas classes sociais. Rio de Janeiro e São paulo,por sí só, já atraem vários Brasileiros no que refere ao mercado de trabalho. Portanto, impactos na saúde, segurança pública, urbanização, moradia, trânsito e transporte publico são uma realidade.

    E para gerir e fazer com que tudo isso “funcione” em compasso e consonância é preciso de RECEITA(DINHEIRO)!

    Saudações Marítimas e Maquibambas.

  7. A afirmação do Gilmar sobre nordestinos mostra preconceito pois estados do nordeste também são produtores em terra e no mar. Nenhum estado plantou petróleo,como se planta soja,algodão ou criação de gado. As riquezas minerais: ouro,bauxita,ferro,petróleo,madeira,pertencem sim à nação-território brasileiro e todo seu povo deve ser beneficiado.
    O que se debate é em que proporção este beneficio deve ser distribuido. Não acho que o dinheiro deva ficar sob controle de vereadorzinhos , prefeitinhos,governadorzinhos que manipulam a seu bel prazer esquecendo seus representados. Vide Macaé,Campos,Coari( AM),ou qualquer outra cidade que receba sua parte.
    Que o dinheiro tenha prioridades: saúde,educação,ciencia e tecnologia,meio ambiente,infra estrutura básica como saneamento.
    O grosso deveria ser distribuido de forma equanime a todo cidadão brasileiro como RENDA MINIMA,mesmo que cada um receba 200,00 por ano ou por mes. E não me venham a falar que isto incentivaria a “vagabundagem” quando temos milhões que nunca pegam nem as migalhas do “bolo nacional”,mesmo trabalhando como cavalos. Ou burros.Como queiram.

  8. Jorge Oliveira
    Concordo contigo em genero, numero e grau.
    Este dinheiro não deveria nunca ficar na mão de prefeitinho e vereadorzinho vagabundo e ladrão.
    Quem conhece essas cidades que recebem royalties sabem muito bem do que estou falando.
    Da a impressão de que, se a cidade nunca tivesse recebido royalties ela seria bem melhor, poís não teriam dinheiro de graça entrando no caixa sem investimento na infraestrutura e prefeitos e vereadores seriam obrigados a ter uma administração mais eficiente.
    Pra Macaé e Campos, que são as cidades que eu conheço, posso afirmar com certeza absoluta que esse royalties geram mais maldição do que benesses paras populações dessas duas cidades.

  9. A MALDIÇÃO DO PETRÓLEO já chegou ao Brasil, no mundo inteiro é assim Europa Mar do Norte e agora no Mediterrâneo Oriental, (não saiu uma gota e já se brigam pelos “direitos”), Sul dos EUA, Oriente Médio, Ásia e África principalmente. O bônus todos querem, quanto ao ônus azar de quem tem de sujar as mãos.

  10. Pois é, amigos. Como eu disse no texto, apesar de eu ser contra uma divisão igualitária entre estados produtores e não-produtores, o importante é debatermos esta questão como brasileiros. Pensemos no que seria melhor para o país.
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    Disse também no texto e vou repetir. Sou a favor de que os royalties sejam divididos, porque o petróleo é de todos, mas que isso seja feito em proporção decente. Por que é que o pediatra dá um pirulito à criança depois da consulta? Porque ela enfrentou o seu medo e se comportou corretamente. O doce foi dado mediante o seu esforço.
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    Por isso é que eu, particularmente, acho que: “Sem esforço, sem pirulito”.
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    No Pain, No Gain.
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    Força e Honra.

    • O pirulito está politicamente incvorreto. hoje o pediatra não dá mais o pirulito e se de está estimulando um futuro diabético, obeso, marginal…
      Mas o ponto é que quando não rende muito ninguém quer. Será que Minas dividiu igualmente as minerações? E Carajás a quem favorece?
      E o turismo, de quem é o lucro, dos estados de onde vem os turistas ou do estado que recebe?
      No fundo tudo não passa de falácias se nós já sabemos que o verdadeiro dinheiro não fica para nenhum munícipe.
      Ficva mesmo é para os banqueiros, investidores e políticos ladrões. Se a discussão fosse realmente ética então não importa quem vai aferir lucros, todos sairiam gsanhando, como nação!

  11. Isso é pura demagogia de politicos de outros estados, O Rio então tem que exigir que o ICMS seja cobrado na fonte, ao inves do destino, São
    Paulo esta tranquilo pois como maior consumidor de gasolina ele não esta perdendo, muda a Lei do ICMS só para ver como o seu Alkimin vai querer entra na luta. O RIO sempre é tungado, haj visto desde a mudança da capital, a dona Dilma teve muitos votos aí no Rio, mas ela não esta fazendo por merecer.

  12. Gostaria de saber se os lucros da exportação da carne de boi vai ser repartido e os gerados sobre a Cana e o Café também fora os lucros da zona franca de Manaus . Se o Brasil fizer uma reforma tributaria sobre todo o lucro do pais eu concordaria. já que todos fazemos parte da União. Mais por que só dividir os lucros do PETRÓLEO no pais ?

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