Ahh, que saudade de navegar…

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Sim, mesmo sendo maquinista e o fato de estar parado ou navegando não fazer taaanta diferença assim para meu setor, tenho que confessar: Sinto saudade de navegar. E não é pouca não!

E quando eu digo navegar não digo do apoio marítimo, navegando de plataforma em plataforma, eu falo da velha e boa cabotagem e do saudoso longo-curso. Confesso, antes de me aprofundar mais, que só “naveguei’ durante meu estágio, por seis meses. Depois disso acabei caindo (não seria me jogando?!) no querido Offshore. E fiquei no apoio marítimo, trabalhando em AHTS e Supply Boats, até vir para a Sonda em que me encontro hoje. E aqui a gente não navega, at all. Bom, at all é muito forte, pois foi numa das poucas vezes em que navegamos que tive a idéia de escrever esta matéria.

Esta semana saímos do bloco “Gato do Mato”, onde perfuramos dois poços e navegamos até o Rio, onde nos encontramos fundeados hoje, fazendo alguns pequenos reparos (pequenos?!?!), e então partiremos para a tão conhecida Bacia de Campos, para mais poços de petróleo.

Navegar em si foi meio imperceptível, devido à vagarosa velocidade que precisamos nos mover, mas acordar às 5h da manhã e perguntar ao DPO qual era o ETA (estimated time of arrival) fez lembrar ótimos tempos. Ahh, que saudade do ETA…

A lancha do prático, a escada de portaló, a entrada na barra, os olhinhos brilhando ao avistar o Cristo, o Pão de Açúcar e toda aquela excitação que eu já até tinha esquecido como era boa de sentir. Ok, excitação sem muito sentido, pois o máximo de regalias que ganhamos com tudo isso foi o sinal de celular. Sem atracação, sem condução para terra, sem todas as outras coisas que fazem a vida na cabotagem/longo-curso valerem realmente à pena. É, que pena.. Mas foi interessante conversar com os não marítimos de bordo, lembrar velhas histórias de porto, desembarques, Cabedelo, Fortaleza… Ahhh, Fortaleza… E poder vê-lo tirando fotos e mais fotos, e achando curiosíssimo, mas ao mesmo tempo lembrar que todos nós, nas primeiras chegadas em porto tiramos as mesmas fotos e colocamos cheio de orgulho na grande rede.

E parar prá pensar em tudo. Absolutamente TUDO (sem parodiar nosso glorioso slogan):

Peraí, mas eu não sou “vapozeiro” (termo carinhoso dado aos marítimos), não me formei pra “empurrar água”?! O que eu tô fazendo aqui, parado no meio do mar?

E saber que a resposta se encontra em dois pontos principais: Escala e salário. Cada um destes pontos daria no mínimo uma dúzia de matérias, e não serão discutidos neste pequeno lamento virtual que acabei de fazer.

Pros vapozeiros que estão hoje sem empurrar a água que queriam, parabéns. É uma decisão que só parece fácil, mas no fundo não é, eu sei disso.

E por fim, para os não marítimos onboard plataformas por aí, curtam o momento. A sensação é incomparável. Navegar é pra poucos, mesmo que seja pouco (essa eu acabei de inventar!). E curtam mesmo, porque a lancha do prático já tá agendada pra amanhã de manhã, e a pedra é às 5 da manhã. Mas peraí… Pedra pra quê, se ninguém desceu?!

yeah!

Por Caê Mahan

10 COMENTÁRIOS

  1. definitivamente VC EH MALUCO ou vc eh vapo…RSRS

    TEMPO RUIM, BALANÇO CHATO BAGARAI, mudanças de programação no meio do caminho, 10, 15 20 dias sem ver terra??…bem, como vivemos num país democrático, DEFINITIVAMENTE VC EH DOIDO….navegar NAO EH MAIS PRECISO…kk

  2. Opinião você sabe como é, né Souza… rs
    A balança sempre será mais tendenciosa para o lado em que queremos… Na minha opinião, por exemplo, tudo que você citou é ínfimo, perto do que é trabalhar em cabotagem/longo curso…

    Mas vem cá.. Na cabotagem que eu conheci, não ficava nem 1 semana sem terra… rs

  3. Por um momento, eu me senti um oficial de Náutica formado em 2006…Bons tempos em que eu ainda podia escolher se queria ou não queria ser mercante. Acontece! O vício continua!

  4. É Mahan, realmente são poucos que sentem o prazer de navegar…
    Porém diferente de vocês, já tive a oportunidade de estar 5, 7 ou mais dias, em um porto, rio, fortal e por ai vai, e sempre com aquele nervoso de não saber se a opereção irá paralizar,que hrs será o prático,rs, justamente para aproveitar mais o lugar…
    Mas estar fundeada aqui na Baia de Guanabara e presenciar esta vista linda todos os dias, realmente não tem preço…
    Escreveu muito bem Mahan, parabeéns pelo texto!

  5. Este seu sentimento certamente é partilhado por mais colegas, Mahan.
    Eu naveguei pelo mundo inteiro (literalmente). Todos os oceanos, todos os continentes, contornei os três cabos do hemisfério sul e “toquei” o Pack Ice no hemisfério norte.
    Mesmo com todos os recursos que foram surgindo na eletrônica, não abandonei meu amigo sextante nem minhas parceiras tábuas de navegação. Como era bom sentar com o piloto no passadiço e preparar com ele uma ortodromia, analisar uma carta sinóptica…
    O que você falou sobre o offshore é verdade: nos “rendemos” ao binômio escala e salário… mas que as vezes olhamos para o horizonte e damos aquele profundo e longo suspiro… que não deixemos nossa “alma vapozeira” morrer.
    sds,

  6. Olá Amigos do Portal Marítimo, venho por meio deste esclarecer uma dúvida a qual estou refletindo nos últimos tempos, sou trabalhador Off-shore e trabalho 14×14. Pode parecer loucura, mas estou interessado em arrumar um emprego On-shore nos dias em que fico em terra, alguém sabe se existe mercado para este tipo de trabalho?

    Abraços

  7. o verdadeiro vapoceiro é o longo curso , viagei para o continente europeu onde conheci varios paises e pessoas. estive na africa na asia ,oriente medio america, isso que é viajar e conhecer varios portos do mundo afora e eu tenho saudade e de varios amigos que viajou comigo hoje ja se foram saudades!!!!!!!!!!

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