Petróleo e grandes eventos evidenciam a falta da engenheiros no Brasil – Estrangeiros já são uma realidade

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A aproximação do Mundial de Futebol de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 tem aquecido o mercado de trabalho brasileiro e proporcionado diversas oportunidades para estrangeiros com objectivo de trabalhar no país. Com a pujança económica do Brasil – e o resfriamento dos mercados nas grandes potências -, a procura de estrangeiros por um espaço no mercado de trabalho brasileiro tem aumentado de ano para ano.

Mais do que a receptividade atribuída à cultura e população brasileira, a carência de mão- de-obra em sectores específicos da economia é o principal factor atractivo. O ano passado, só até final de Junho, já haviam sido autorizados 26.545 trabalhadores de outras nacionalidades a trabalhar no Brasil. A maior parte desses imigrantes – cerca de 52,92% do total – já tinha terminado os estudos universitários.

Por outro lado, desde 2008, é decrescente o número de autorizações não concedidas pelo Ministério do Trabalho. Entre Janeiro e Junho de 2011, 866 vistos tinham sido negados – cerca de 25% deles por indícios de que viriam substituir mão-de-obra nacional.

Com o país transformado num grande estaleiro de obras graças aos dois eventos internacionais que terão lugar no Brasil, um dos sectores ainda bastante desfasados no mercado de trabalho nacional é o de Engenharia – principalmente civil. Segundo a ‘partner’ de Human Capital da Ernst & Young, Raquel Teixeira, há um défice de 60 mil engenheiros no mercado nacional.

Muitas oportunidades também se têm concentrado no sector de óleo e gás, uma vez que a descoberta, pesquisa e exploração do pré-sal criou novas necessidades de profissionais para o mercado brasileiro. Faltam técnicos especializados no trabalho de prospecção e gestão das actividades neste sector. Não é por acaso que as plataformas de petróleo em todo o litoral brasileiro são preenchidas por trabalhadores de diversas nacionalidades – mais estrangeiros que propriamente brasileiros.

Portugueses

A entrada de portugueses no Brasil é crescente. Em 2010, foram concedidas 798 autorizações, enquanto, entre Janeiro e Junho de 2011, o Ministério do Trabalho já havia concedido 509 vistos de trabalho para o país. A maior parte deles – 211, segundo dados do Ministério do Trabalho – têm-se direccionado para o Estado de São Paulo, cuja capital é o principal centro financeiro do país.

Segundo Raquel Teixeira, os portugueses chegam ao Brasil sobretudo para preencher cargos directivos, ou seja, já encaminhados por multinacionais com actuação em Portugal. “Geralmente os portugueses que desembarcam aqui não têm um perfil muito técnico”, adianta a responsável da Ernst & Young.

Americanos, filipinos e indianos

Actualmente, a maioria dos imigrantes que vai trabalhar para o Brasil chega dos Estados Unidos. Segundo Raquel Teixeira, a maior parte dos 7.550 americanos que conseguiram visto de trabalho no país, no mesmo período em análise, trabalham em cargos de direcção em multinacionais locais.

Entre Janeiro e Junho de 2011, o Brasil já tinha autorizado também o trabalho de 6.531 filipinos, que compõem o segundo lugar na concessão de vistos de trabalho. A maior parte deles recebe autorização para trabalhar em navios turísticos que aportam no litoral brasileiro.

Os indianos são conhecidos internacionalmente pelo trabalho na área das Tecnologias de Informação. Graças a essa habilidade, no primeiro semestre do ano passado, 3.237 foram autorizados a trabalhar no Brasil.

Brasil

O maior país lusófono do mundo é também a maior economia da América do Sul. Com mais de 192 milhões de habitantes, é o único onde se fala português em todo o continente americano. Resultado da imigração vinda de muitos países, o Brasil é uma das nações mais multiculturais e com mais diversidade de etnias do planeta.

Com as informações – Económico (Portugal)

Por Rodrigo Cintra

4 COMMENTS

  1. Enquanto isso, no Brasil, a resposta das autoridades tem sido realizar milhares de cursinhos de 200 horas, que não qualificam ninguém, sobretudo porque são realizados por ONGs sem qualquer competência para a Esucação Profissional. As bolsas de estudo e a troca de vagas nas universidades privadas por isenção de impostos (Prouni) deveria ser dirigida para o que interessa: engenharia e não cursos de filosofia e sociologia, ou ainda profissões que há em excesso no Brasil, como a de fisioterapeuta.

  2. Eu conheço vários técnicos na área de petróleo que tem deixado esta devido a exploração. Esta exploração é de salário e não de petróleo. Ex.:Várias empresas em Macaé pagam salários aviltantes para técnicos embarcados. Deixe jeito é melhor deixar para filipinos, malasianos, vitnamitas chineses etc.

  3. Pra mim, isso daí é de uma hipocrisia sem tamanho. Estão faltando engenheiros? Sim! Que falam 3 idiomas, tem 5 anos de experiência e que aceitam ganhar o que os empresários querem pagar. A dinâmica da iniciativa privada é retirar mão de obra qualificada de outras empresas. Pouquíssimas dão oportunidade aos iniciantes, os recém formados, aqueles que precisam de um estágio para cumprir a carga horária e pegar o diploma, aqueles que querem mostrar serviço.
    A maior mentira é quanto à falta de técnicos. Aqui no ES, fizeram um alarde monstro na TV um tempo atrás falando que “está faltando mão de obra técnica.” Aí a gurizada foi na pilha, e os cursos técnicos brotaram da terra. Inventei um lema para o ES: “moqueca na mesa, peixada no emprego”. Quem sai do curso com a indicação de que vai assumir umas das poucas vagas existentes no Estado, sai empregado. Já os outros…

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