Chuvas constantes criam uma fila de quase cem navios em Paranaguá

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Dos 17 primeiros dias de junho, o Porto de Paranaguá registrou chuva em 12 – o suficiente para derrubar drasticamente o volume de operações e gerar uma fila de quase cem navios. Ao todo, 96 embarcações aguardam liberação para acessar os terminais. Destas, 45 desembarcarão fertilizantes e outras 44 carregarão granel sólido (principalmente soja e milho).

Segundo a Diretoria Técnica do porto, estes produtos são mais sensíveis e, por isso, os porões dos navios devem estar completamente secos. O granel é o mais perecível: em caso de umidade, pode apodrecer e perder completamente a utilidade. Somente ontem (dia 21) foram contabilizadas 19 horas e 45 minutos de chuva. Com isso, o embarque no corredor de exportação foi de 12 mil toneladas – em dias de tempo seco, esse volume chega a 80 mil toneladas.

A Diretoria do porto lamenta que a dificuldade imposta pelo clima venha em um momento positivo para a agricultura, já que dólar e soja estão em alta – ou seja, é o melhor momento para o exportador vender seu produto. Por isso, garante que o trabalho é para escoar o máximo possível. Uma reunião com todos os operadores dos terminais foi realizada para acelerar processos, como os caminhões que transportam fertilizantes dos navios para os armazéns. Caso estes demorem mais do que o necessário, o navio fica parado até que tenha veículos para levar o produto. Por outro lado, esse mesmo dólar alto atrapalha a importação de fertilizante.

Enquanto isso, o fertilizante passou por um ciclo que resulta, agora, em uma entrada volumosa e, por isso, demorada. Com o mercado instável, a decisão de plantio da última safra foi tardia, o que derrubou a compra de fertilizantes manteve os estoques em alta. A conjunção de dólar alto e grandes estoques fez com que a compra de fertilizantes também fosse postergada este ano. Entre janeiro e maio, houve queda de 18% na compra de fertilizantes. No entanto, à medida que os estoques baixaram, a importação se fez necessária, mas acabou coincidindo justamente com o mau tempo.

A Diretoria do porto explica que, além de acelerar os processos habituais, nada pode ser feito. Nenhum porto no mundo opera com cobertura para navios, por se tratar de estrutura grande e cara – tanto que, ontem, o porto de Santos registrava 98 embarcações aguardando para atracar. Alguns modelos de cobertura são estudados, inclusive em Paranaguá, mas como nenhum garante 100% de proteção em caso de chuvas com vento inclinado, por exemplo, é provável que a engenharia ainda demore alguns anos para encontrar uma solução viável economicamente.

Capacidade de estocagem

Ainda que toda a carga que aguarda liberação pudesse ser descarregada hoje (dia 22), haveria mais um problema: o espaço nos armazéns. Segundo a administração do porto, a capacidade atual é de 2,5 milhões de toneladas e a ocupação, 80%. Ou seja, faltaria muito espaço para os 2 milhões de toneladas depositados nos porões dos navios que aguardam para atracar.

Com as informações – Pedro Pereira / Amanhã

Por Rodrigo Cintra

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