Problemas estruturais podem prejudicar ações da Petrobras

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Apesar de consideraram positivo o reajuste de 6% no preço diesel nas refinarias – o que fez as ações da Petrobras subirem mais de 5% na sexta-feira – analistas dos bancos Credit Suisse e Itaú BBA chamam a atenção para problemas estruturais da companhia. São questões que explicam, em parte, a recuperação ainda tímida do valor de mercado da maior empresa aberta da América Latina.

“Acreditamos que a velocidade da mudança denota uma melhor comunicação entre a Petrobras e seu acionista controlador [o governo], o que é positivo”, afirma o relatório de Paula Kovarsky e Diego Mendes, do Itaú BBA. “A razão por trás dos dois sucessivos aumentos é intrigante. A Petrobras nunca anunciou dois aumentos de preços sequenciais em tão pouco tempo. Depois do anúncio no final de junho, o mercado (inclusive nós mesmos!) estávamos céticos sobre qualquer mudança de preço adicional em 2012, principalmente devido aos [fato de os] preços do petróleo [estarem] em queda. Os indicadores mais baixos de inflação abriram espaço para o aumento adicional, embora achemos difícil de acreditar que o temor da inflação tenha mudado tão rapidamente”, observam os analistas.

Emerson Leite e André Sobreira, do Credit Suisse, avaliam, contudo, que os dois reajustes não levam, necessariamente, as ações da Petrobras a merecerem, estruturalmente, um peso acima da média do mercado. Entre os fatores negativos da estatal apontados pelos analistas está o fato de a área de abastecimento (onde estão as novas refinarias e que também é responsável pelas importações de combustíveis) continuar a afundar os ganhos da companhia; da produção permanecer estável até 2014 (na melhor das hipóteses, segundo os analistas); e o fato de o balanço continuar se deteriorando rapidamente. Segundo o Credit Suisse, esse conjunto de situações torna as ações da Petrobras mais caras quando comparadas com as de outras empresas globais do setor e, por isso, acham que um desconto considerável [no preço] ainda é necessário.

E quando as ações da Petrobras estarão suficientes baratas [a ponto de voltar à pena comprar]? Os analistas do Credit Suisse lançam a questão e dizem que “esta é uma pergunta difícil de responder dado que o fluxo de caixa da Petrobras só se tornará positivo em 2016, o que significa que a criação de valor é muito longa data. Além disso, os fundamentos apenas vão realmente melhorar em 2014 (na melhor das hipóteses). Assim, diria que um desconto considerável é necessário”.

Os quatro analistas concordam ainda que o diesel ainda está abaixo do preço internacional. Pelos cálculos do banco suíço, a diferença de preço desse combustível no Brasil comparado com os preços internacionais continua elevada, de 20%. Para o Itaú BBA, mesmo depois dos aumentos, o preço doméstico ainda tem um desconto de 13% quando comparado com os preços do Golfo do México americano (contra 19% anteriormente). No entanto, quando contabilizados os custos de importação e a colocação em São Paulo (base para o cálculo de paridade de importação), o desconto aumenta para 27%.

Com as informações – Cláudia Schüffner / Valor

Por Rodrigo Cintra

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