Saiba como ficou, no final, a discussão sobre a falta de oficiais em Brasília

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O Presidente do Sindicato Nacional dos Oficiais da Marinha Mercante (Sindmar), Severino Almeida Filho, discordou do resultado do estudo encomendado pela Petrobras Transportes S.A. (Transpetro), para a consultora Schlumberger Business Consulting. O relatório apontou o risco de paralisação na navegação marítima brasileira por falta de mão de obra especializada no setor.

Para ele, o estudo não apresenta um panorama real da situação da Marinha Mercante no Brasil, já que com a modernização das embarcações, a tendência é enxugar a equipe de tripulantes. “Estou chocado com essas propostas emergenciais para um problema que não existe. Para nós não existe falta de trabalhador aquaviário”, disse em audiência pública na Câmara dos Deputados.

Resolução Normativa nº 72

Durante o debate, o Presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma), Bruno Rocha, falou sobre a presença de estrangeiros, em especial do Mercosul nas embarcações brasileiras.

O representante laboral reclamou que a Marinha exige, além dos quatro anos de formação, cinco a dez anos de experiência para que os profissionais sejam considerados capazes de chefiar embarcações de apoio e navios, contribuindo para a escassez de profissionais brasileiros.

Rocha também criticou a Resolução Normativa nº 72 do Conselho Nacional de Imigração (CNI), que define que navios estrangeiros que operem em águas brasileiras por prazo superior de 90 dias devem ter em sua tripulação marítimos brasileiros. A quantidade depende do tempo de operação e pode variar de 1/3 a 2/3 da tripulação.

Ao solicitar a flexibilidade da resolução normativa, justificou que os navios brasileiros estão perdendo mão de obra nacional para empresas estrangeiras. De acordo com ele, há 1500 oficiais brasileiros tripulando essas embarcações.

“Precisamos ter acesso aos oficiais brasileiros que estão a bordo de empresas estrangeiras. É disso que necessitamos para aliviar momentaneamente nossa cadeia.”

A deputada Jandira Feghali (PCdoB/RJ) discordou do sindicalista e disse que “é um desrespeito flexibilizar uma norma para incentivar o desemprego dos marítimos brasileiros”. De acordo com ela, tal ação resultaria em subemprego.

“Nem eu nem essa casa apoiaremos nenhuma ação que busque a flexibilidade dessa norma, porque não estamos convencidos de que haja essa lacuna de trabalhadores marítimos. O Brasil precisa investir mais no modal aquaviário. Já tivemos uma vitória com as novas medidas relacionadas ao Reporto”, disse.

Capacitação

O Diretor de Portos e Costas da Marinha do Brasil, o vice-almirante Ilques Barbosa informou que a Marinha tem investido na capacitação de marítimos e fluviários, principalmente na questão da tecnologia.

“Estamos lidando cada vez com equipamentos de ponta e por isso ampliamos os currículos para auxiliar a comunidade marinha a enfrentar os desafios da tecnologia”.

O vice-almirante também frisou a importância de se ampliar o teto orçamentário desses profissionais para evitar a evasão após a formação e, consequentemente, a falta de profissionais qualificados. A expectativa é a formação de 1.500 profissionais por ano a partir de 2015. Em 2012 serão formados 726 oficiais, a previsão para 2013 é de 959 oficiais, e para 2014, 1335 oficiais.

Com as informações – Danielle Sousa / Agência T1

Por Rodrigo Cintra

 

 

 

30 COMENTÁRIOS

  1. Deixe entende melhor; querem que os bons profissionais brasileiros que são reconhecidos e remunerados como devem pelas empresas estrangeiras seja obrigados a deixar estes postos de trabalho consquistados através da competencia e mérito individual por uma necessidade mercadologica na qual não remuneram os profissionais adequadamente e os perdem para os gringos???
    Voltamos a era do ” trabalho de cabresto ”, coronelismo marítimo, tipo ou trabalha pra mim ou fica sem trabalhar pois vc não poderá mais trabalhar nas embarcações ” gringas” é isso mesmo que entendi??

  2. Os armadores estão ‘choramingando’ porque não querem se adequar a realidade onde os profissionais trabalham em regime de 1×1, recebem bons salários e tem pacotes de benefícios. Eles querem a volta dos anos 80, onde se trabalhava 1 ano para ter 1 mês de folga, querem pagar salários de fome, como o que levou à greve de 1987, querem que os profissionais abram mão da oportunidade de trabalhar em unidades offshore com tecnologia de ponta para trabalhar nas sucatas flutuantes que eles operam.
    Ao invés de extinguir a possibilidade dos marítimos trabalharem nas empresas offshore, melhor seria permitir que as empresas de navegação estrangeiras operassem livremente na nossa costa, com navio modernos e com marítimos brasileiros.
    Esses nossos armadores só querem ‘armar’. Armar pra cima dos trabalhadores, armar para ganhar mais $$$, armar para gastar menos com sua folha de pessoal.
    sds,

  3. Querem dar nossos empregos pros filipinos, encharcando o mercado de trabalho e fazendo com que mendiguemos emprego e ainda por cima por salários ridículos…na boa, certo é quem se qualifica e sai de bordo pra trabalhar em terra, pelo menos sabe que nenhum filipino vai tomar o seu trabalho no futuro.

  4. Reservas da Ason Belém, estamos aguardando resposta sobre a nossa convocação, pois fizemos todas as etapas e estamos aptos e aguardando retorno….

  5. Espero que alguem do RH de empresas como Transpetro e outras,leiam este artigo.Eu estou em publico me colocando a disposicao destas empresas para embarque imediato em seus navios desde que,eles me paguem o que ganho e que eu tenha a escala que tenho.Pois eh,a questao e que essa corja estao querendo trabalhadores tipo,quase que 0800.
    Abs

  6. Ao meu ver a formação acelerada de Ason/m nasceu com boa intenção mas não está atingindo o objetivo original. O que é extremamente urgente e necessário é investimento na formação QUALIFICADA de Marítimos.

  7. Concordo plenamente com o Sr. Alberto Aragão… Pois embarcar em navios e certamente mais confortável, em relação ao trabalho do que no OffShore… ms impossível comparar os salários e benefícios que o OffShore nos dá… A culpa dessa evasão e da Transpetro que é única e exclusiva dela mesma… agora querem prejudicar a classe que faz com que esse pais siga em futuro maravilhoso e alavancando a economia do pais! é inadmissível…

  8. Por que a MARINHA DO BRASIL não dá uma oportunidade para os novos contra mestres e mestres de cabotagem para fazer um curso superior de nautica e forma esse pessoal que já tem experiencia? não é mais fácil e rapido instruir quem já tem noção do trabalho a bordo?

    Sinceramente não entendo.

    • Reginaldo, assim como você deixa claro que a idéia é de um curso superior, que duraria no mínimo 3 anos (por lei), do contrário não seria reconhecido, muitos colegas desta categoria querem a certificação a todo custo, de qualquer jeito, e não é por aí. A Marinha não é uma instituição de caridade, mas tem por responsabilidade formar o pessoal da Marinha Mercante, responsabilidade esta que, aliás, lhe foi imposta, pois ela nunca pediu isso. Além disso, pra formar gente em 3 anos, o que particularmente acho pouco, acho melhor que se amplie a estrutura das EFOMMs e se aumente as vagas. Hoje já temos a bordo oficiais que mal sabem assinar o nome e já vejo isso com bastante reservas. Outro problema é qu hoje, dado o boom da atividade marítima, o Mercado exige um oficial que seja um mero apertador de botões ou repetidor d rotinas, essa é a realidade, não vamos virar as costas para isso, o que dá a falsa sensação para todo mundo de que é mole ser oficial, de que todo ser humano está apto e, mais que isso, PRONTO, pra ser um oficial. A hora em que o Mercado responder e que for exigido do oficial a mesma coisa que era exigido dos antigos, do pessoal que andou até os anos 90, aí vamos ver quem é quem. Quem não investir em si mesmo buscando o conhecimento, por estudos, pesquisas pessoais ou cursos, vai ficar pra trás, tenha certeza disso. Já conheço empresas que embarcam oficina pra tudo e sabe por quê? Imagine…

      • Prezado Rodrigo,

        Concordo com vc!!!. Sou a favor que se dê oportunidade para os MCB/CTR que tenham realmente condições de serem promovidos, mas com responsabilidade!!!… e na realidade são poucos os “preparados”!!!. Na MB para chegar a Oficial tem que ter no mínimo curso superior… é verdade que são realidades diferentes a da MB e a da MM, mas é o que manda os regulamentos…!!!. Sou totalmente contra os cursos “expeditos”… os chamados genéricos… os ASON/ASOM’s…
        Sou a favor da ampliação de vagas para Oficiais, mas com responsabilidade… Sou pelo aumento de vagas nas EFOMM’s e pelo fim dos cursos do “faz-de-conta” que eu tô safo!!!

    • Os MCB e CTR, no máximo com ( 2 dois) anos de experiência, de acordo com a capacidade dos mesmos, poderiam ter uma oportunidade de serem aproveitados e diminuir um pouco a falta de oficias 2º ON abordo.
      Inscrição do ACON: rol a rol são (5 anos) p/ CTR e (2 anos) p/ MCB, contando com o tempo de desembarque, vai demorar mais que o dobro, ainda acrescentado o tempo que estejam desempregados s/ poder contar tempo.
      Acontece que idade do lobo fica avançada, temos que ter essa chance mais cedo que possìvel, p/ poder nos familiarizarmos com a parte eletrônica, porque a outra parte já está no sangue.
      O Brasil tem melhorado, estamos fazendo parte disso, queremos ser aproveitados nessa função de (2º ON) SEGUNDO OFICIAL DE NÁUTICA, mais breve se possìvel.
      A maioria de nós, vem de um berço marinheiro e continuando o legado assim por diante.
      Sindicatos da categoria porfavor nos der apoio, entrem em ação junto a DPC, nesse pedido.

  9. Ainda não entendi porque estão ignorando a razão principal de estarmos sendo substituídos por peruanos. Ou melhor, as razões:
    Estamos sendo substituídos por estrangeiros porque a Marinha do Brasil liberou CIRs e expediu Certificados STCW para eles.
    Estamos sendo substituídos por estrangeiros porque o Ministério do Trabalho liberou CTPS para eles.
    Estamos sendo substituídos por estrangeiros porque o Governo (outro Ministério) liberou as licenças para eles tomarem o lugar dos brasileiros.
    Estamos sendo substituídos por estrangeiros porque os armadores “brasileiros” foram bastante competentes em suas negociações.
    Estamos sendo substituídos por estrangeiros porque quem poderia fazer alguma coisa contra isso se omitiu e não fez nada.
    De repente, tem um monte de gente indignada porque estamos sendo substituídos por estrangeiros, fazendo de conta que não sabiam de nada, ignorando solenemente as atitudes da Marinha do Brasil e dos Ministérios responsáveis, como se tudo isso tivesse sido feito em um segundo, sem ninguém ter tido conhecimento de nada e nem tempo para fazer alguma coisa contra esse crime de lesa-pátria.
    Estou realmente impressionado!

  10. Com esse regime de embarque da Transpetro não ta ficando ninguém.
    Fiz parte da minha praticagem na Transpetro e vejo que seus navios são um monte de ferro que navega so para frente, sem tecnologia nenhuma.
    Se somar tudo o que ela paga por ano, incluindo a famosa PL, não chega no que o ganho hoje no Apoio Marítimo, trabalhando apenas 06 meses no ano, com rendição certa, o que não acontece na Transpetro.
    O último que sair que apague as luzes….

  11. Vez e outra,vejo pessoas escrevendo aqui suas opnioes e a que se respeitar a todas afinal tudo e pensamento,porem,quem vive os fatos sabe que a resposta nao esta em culpar ASOM/N,ACOM/N ou qualquer sigla,onde trabalho,tem oficiais colombianos que sairam da Marinha de Guerra de seu pais aposentado como sargento da area de maquinas ou nautica e recebem uma carta de 1OM/N e vem trabalhar aqui em nossa area com uma escala de 30×60.Este e o real interesse das empresas,mao de obra a baixo custo com escala mais alongada e pouco importa para eles qual e sua sigla se vc se adquar ao esquema,ta valendo.
    Abs

    • Pois é. E a DPC e os outros órgãos do Governo liberam CIRs, Certificados STCW, CTPS pra esse pessoal. Continuo achando que tem muita gente que podia fazer alguma coisa a esse respeito e está se omitindo. Essa é a minha questão!

  12. Mantenho minha opinião. O que está faltando é investimento na qualificação e não apenas na quantidade acelerada e descontrolada de profissionais marítimos. Repito, Falta investimento na qualificação do profissional do mar. Formei minha opinião pelo que tenho visto no mercado.

  13. Os paises pioneiros em marinha mercante, o pessoal atuante nesse mercado,não são de níveis superior, e são todos profissionais, esse fato que os representantes maritimos brasileiros querem para os maritimos brasileiros, querem afundar de vez os nossos profissionais, pois os que atuam no momento no mercado são qualificados tantos quantos os mercantes de outros paises.

  14. já existe um monte de pessoas que fizeram curso superior de 05 anos e que estão disposotos a estudar mais 01 para marinha mercante, são os reservas que só estão esperando convocação. Não acredito que vão abrir outro concurso se já existem candidatos aptos a cursar .

    • Caro Paulo,

      Vcs NÃO SÃO CONCURSADOS…!!!. Curso de formação de Oficiais em um ano….!!! Isto não existe e nunca existiu… é conto de fadas… alguém que deveria ter estudado quando devia mas preferiu… “cursar uma faculdade” para ser Doutor e agora quer recuperar o tempo perdido(ou seria pago???)… realmente é lamentável… Se for esta a idéia…!!! É melhor acabar…!!!

  15. Caro, Santos: Somos concursandos sim pois fiz um concurso, o qual me qualifica para fazer um curso de capacitação. Sou Dr. com Pós graduação, Acredito sim que muitas cadeiras básicas já cursamos e não precisamos ficar repetindo , somente cadeiras especificas ( que é para isso que serve o curso ). Como vc não decide nada , isso é um problema seu em acreditar que não somos qualificados para o curso.

    • Paulo, não estou falando por ninguém, estou dando a minha opinião – respeito a sua – mas tenho visto que essa “formação” meteórica que os ASONs tem é muito insuficiente para o cargo, e outra a pessoa pode ser Doutor com Pós graduação em Engenharia Elétrica, de alimentos, da NASA ou ainda de qualquer outra coisa astronomicamente respeitada pela sociedade, mas o que acontece é que essa formação de Asons está sendo rápida e imprudente, não estão tendo nem tempo pra saber marcar posição numa carta Náutica, as provas são tudo corridas, tudo na correria, eu já ouvi isso até mesmo de Oficiais de Náutica oriundos desse curso. Enfim, esse assunto é muito abrangente e claro não se pode generalizar mas esse problema é real e frequente.

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