Helicópteros para o pré-sal – E a Manutenção, hein?

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Atrasos, voos cancelados, aeronaves se tremendo mais que o normal, como se estivessem velhas, alguns incidentes e até mesmo acidentes com vítimas fatais. Uma paradinha rápida entre voos para umas checagens e uma grande interrogação no ar. Uma coisa é certa, o petróleo precisa de mais helicópteros, mas será que a coisa é simplesmente comprar estes helicópteros?

Desde os primórdios da Aviação Offshore, quando os helicópteros eram mais conhecidos como “cai cai” (galera da velha guarda vai lembrar), até os dias de hoje, quando simplesmente não temos helicópteros suficientes, as trocas de turma sempre foram uma emoção a parte.

Basta a aeronave subir que Jesus Cristo, Buda, Maomé, os Orixás e tudo quanto é tipo de divindade são acionados automaticamente, através de sinais, rezas, patuás, objetos etc, cada embarcado dentro da sua crença. Já presenciei sinais inpossíveis de se entender dentro de aeronave, mas é a Fé das pessoas, temos que respeitar.

Outros mais prezepeiros acham “maior onda” andar de helicóptero e ir para o trabalho de helicóptero. Gente tirando foto desse momento é o que não falta.

Isso porque, é óbvio, entramos no desconhecido, num meio de transporte que não é acessível a quase que totalidade de nossa população. Um transporte mais pesado que o ar, mas que vai literalmente levitar e seguir a centenas de quilômetros por hora em direção às unidades offshore que muitas vezes estão há centenas de milhas da costa. Tem peão que não entende a Física ali envolvida, meus queridos leitores e mesmo os que entendem… dá um medo danado.

Após as ocorrências como quedas, arremetidas e chacoalhadas estranhas com aeronaves, somada à visível falta das mesmas com a crescente demanda da atividade offshore, vem a dúvida: quem vai fazer a manutenção disso tudo?

Ainda bem que ultimamente não temos visto isso, o que é um bom sinal.

A gente que conhece o trabalho a bordo sabe que um Plano de Manutenção não é uma coisa de outro mundo, mas de simplório, ele não tem absolutamente nada. Profissionais qualificados, ferramentas adequadas, horas de funcionamento devidamente anotadas, manual do fabricante seguido à risca e as necessárias paradas de manutenção que deixam OIMs, Comandantes e Superintendentes de cabelo em pé. A coisa é meio complexa e se pensarmos nisso relacionado a um equipamento que está voando e se falhar a morte de quem está usando é quase que certa… é para se preocupar.

Muitos se assustam com este fato, mas a verdade é que por mais que treinemos lá no HUET todas as técnicas de escape, em caso de queda (que é bem diferente de um pouso de emergência na água), a chance é minima, olhem as estatísticas e vejam por si mesmos. Em caso de pouso na água, a coisa se inverte, e em se usando as técnicas aprendidas, a pessoa sobrevive, mas na queda, meu irmão…

Após dar uma pesquisada, pude ver que o tempo necessário para que tenhamos um mecânico de aviação com um mínimo de preparo para exercer o ofício de maneira relativamente segura é de 3 a 4 anos.

Como profissional qualificado não brota do chão nem dá em árvore, eu me pergunto:

Será que o mercado tem gente suficiente pra isso?

Será que o Mercado tem gente disponível qualificada pra isso?

Aonde estão os investimentos do Governo ou da iniciativa privada divulgando esta carreira?

Junto a isso, vem todo um custo agregado, pois profissional bom e qualificado você não acha em qualquer esquina. Ferramentas adequadas e de qualidade você não compra na quitanda do “Seu Manel” e muito menos ali na Rua Uruguaiana. Isso tem um preço e as empresas envolvidas devem comprometer-se a pagá-lo. Não basta ter um software bom, um AMOS, ENGEMAN, MP5, TM Master, Star, etc, mas tem que ter gente que faça com que todas as informações ali contidas sejam realidade.

Além disso, quem é do meio sabe que qualquer pessoa que trabalhe com Manutenção tem “fungando no seu pescoço” um supervisor ou gerente cobrando um índice de disponibilidade do equipamento o mais alto possível. Não é porque o gerente queira, mas isso é uma técnica de gestão, um indicador de qualidade bastante conhecido para quem trabaha com sistemas de gestão de manutenção centrados na confiabilidade, o famoso RCM (Reliability Centered Maintenance). Traduzindo isso para a Aviação, é basicamente que a aeronave fique o mínimo no solo, mas este “mínimo” deve ser baseado na técnica, na boa manutenção, em não disperdiçar tempo nem material, e não somente em apenas “tirar a aeronave do solo o quanto antes”. Manutenção não dá pra fazer por telepatia, então, meus caros… tem serviço que tem que parar e fazer e ponto final.

Espero que estas empresas de aviação estejam dispostas a isso. Mais que dispostas, espero que estejam fazendo isso. Quero acreditar que sim e muitas eu sei que estão, mas vai que…

Fica aqui nossa pergunta, pois pessoalmente eu realmente não sei as respostas, e talvez algum leitor as tenha.

Mais do que ter essas aeronaves disponíveis, devemos pensar em tê-las disponíveis e seguras para os voos, com a manutenção em dia, do contrário será na base da Fé mesmo.

Vamo que vamo!

Por Rodrigo Cintra

12 COMMENTS

  1. Rodrigo Cintra, moro nos EUA e estou adquirindo minha licenca para piloto de helicoptero aqui, com a finalidade de voltar para o Brasil e trabalhar ai como piloto. Acompanhando as reportagens do site, realmente vejo que as coisas ai funcionam meio que na base da fé, mas mesmo assim tenho o desejo de trabalhar com offshore.

    • já cansei de falar,tá cheio de bons mecanicos em terra pessoas criadas praticamente dentro das oficinas que domina a mecanica de motos partes eletricas, ,jets,motores diesel -scania,mercedes,cumis,solda ,pinta, retifica,adapta,enfim e o faz de tudo um pouco,porque aprendeu assim e gosta do que faz,mas os RHs das empresas fizem nao enxergarem essas pessoas,Hà só para lembrar essas pessoas ainda tem todos os certificados de embarque em dia, mais o crea ativo, e ate em alguns casos a carteira maritima. abraços galera meireles

    • O mercado offshore está muito bem estruturado. Tudo que foi relatado na reportagem é normal em aviação de asa rotativa, pois a mecânica do helicóptero é bem mais complicada que as de aeronaves de asa fixa. Em relação aos profissionais que fazem as manutenções dessas aeronavaves, o mercado não está conseguindo acompanhar a demanda, pois a formação e a experiência fazem a diferença. Essa é a parte vulnerável. Mas mesmo assim estamos conseguindo se igualar aos grandes países. Até porque as empresas que operam aqui são as mesmas que operam nesses países.

  2. Rodrigo deixou claro aqui qual a real filosofisa a ser seguina por todods na aviação , parabéns Rodrigo pelas palavras…………Já a mão de obra não tem jeito , as empresas tem que pegar pessoas com pouca experiência e dar treinamento ou buscar pessoal já pronto a peso de ouro , pois o salário pago na executiva está muito melhor que no effshore…

    • To pensando seriamente em passar da aviação executiva para offshore, mais depois que o amigo acima falou que o salario não é tão atrativo fiquei com duvidas sobre salario é manutenção corrida compensa ou não.?

  3. TENHO 34 ANOS DE IDADE SEMPRE QUIS SER UM PILOTO DE HELICÒPTERO. MAS TIVE UMA OPORTUNIDADE. QUE DEUS O ABENÇOE A TODOS OS QUE CONSEQUIRAN A SER UM PILOTO. O MEUS PARABEMS….

  4. Hoje em dia os melhores profissionais da aviação são oriundos das forças armadas, espeçialmente da FAB, aeronaves são como carros ,o único ploblema e que não tem estaçionamento no çéu,as empresas não estão preparadas para a grande demanda do pré,sal (distânçia&manutenção&abasteçimento), a saída vai ser a contratação de empresas estrangeiras, mas a boa notiçia e que a helibrás /eurocopter ja tem projetos do EC-725 inclusive com 2 modelos já entregues ,e não esqueçamos que o BRASIL e o país do jeitinho .

  5. Hoje, as grandes empresas que dominam o mercado de helicopteros offshore tem sociedade com as empresas globais, tais como CHC (BHS), Bristow (Lider) e ERA Helicopters (Aeroleo)…o mercado esta crescendo sim, a demanda por voos e novas aeronaves é grande e com crescimento constante….mas todas as empresas seguem o proprio Manual Geral de Manutenção, Manual do Fabricante e todos os procedimentos internos da companhia…além de diversas inspeções e auditorias realizadas pelos clientes, tais como Petrobras, Repsol, Chevron, Shell que exigem os mais altos padrões do mercado…ou seja, nenhuma empresa esta brincando com a vida de seus passageiros e tripulantes…

    A Petrobras, que detem 90% do mercado offshore, a cada licitação exige que o ano de fabricação seja mais atual…como pode verificar, 95% das aeronaves em operação offshore são de no mínimo 2001 e os novos contratos e ou licitações exigem aeronaves a partir de 2010…

    Então meus amigos, fiquem tranquilos, ter fé sempre é bom, mas saibam que todas as empresas tem suas operações baseadas na segurança e nos padrões da OGP.

    Nenhum gerente ou diretor de manutenção, assim como os sócios e diretores das empresas de helicopteros querem uma operação de risco, tendo em vista que são diretamente responsáveis, inclusive com seu próprio patrimônio em caso de acidentes.

  6. Olá Rodrigo. Pesquisando meu nome na net, cheguei a uma artigo que você postou aqui no site sobre assunto que abordei de forma singela, mas objetiva, há alguns anos no Observador Político. Observo que mais de dois anos se passaram e, praticamente, nada de diferente ocorreu. Houve um leilão/parceria realizada por Dilma ano passado, mas nenhuma extração ou mesmo alguma ação efetiva se dera desde então. A riqueza que mudaria a realidade nacional ainda se encontra em alta profundidade, inexplorada, enquanto o mundo efetiva, a passos largos, a mudança por outras fontes energéticas que não o petróleo. O próprio México, hoje, na área petrolífera, atrai muito mais investimentos do que o Brasil, que por questões ideológicas, continua com a presença do Estado onde não deve, o que assusta o capital estrangeiro nessa área, fazendo com que cada vez mais, o Pré-Sal seja apenas uma promessa, algo como o velho “País do Futuro”, que os brasileiros tanto esperam e nunca chega!
    Ademais, hoje vejo que a tal, auto suficiência de petróleo, tão alardeada por Lula, em nada, repito, em nada mudou nossas vidas, ou melhor, mudou sim para pior, pois apesar disso, continuamos importando muito petróleo, já que a maioria do nosso não consegue ser refinado e, a auto suficiência, por is só, nada quer dizer, pois países como o Japão não produzem uma única gota de petróleo e são o que são!
    Enfim, fiquei feliz de ver que discussões surgem e pessoas se dispõem a debater expondo suas ideias.
    Um abraço.
    Jáder Ribeiro

  7. Há muita preocupação por conta da pouca oferta de aeronaves, a chegada do pré-sal e consequentemente muita demanda o que nos leva a crer que deveríamos nos unir (todos) em prol da segurança. Sou supervisor de mergulho, a 33 anos embarcando, e continuo vivo, pois o tempo a DEUS pertence. Que DEUS continue olhando por nós, amém!

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