MPT denuncia a prática do Tarzan nas plataformas de Sergipe

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Tarzan

Apontado como a nova província petrolífera do Brasil, o estado de Sergipe ainda convive com práticas arcaicas da indústria do petróleo, segundo denúncia do Ministério Público do Trabalho (MPT). Ignorando uma decisão judicial de 2012, a Petrobras mantém em algumas de suas plataformas no litoral sergipano o acesso pelo chamado “pulo de corda”. Petroleiros são levados em barcos até as proximidades da plataforma, agarram-se a uma corda presa à estrutura da unidade e saltam para seu interior, com risco de cair na água. Uma espécie de Tarzan dos mares.

A prática foi identificada pelo MPT em vistorias feitas em plataformas no litoral de Sergipe a partir de 2008 e resultou em uma ação na Justiça, em dezembro de 2011, com o intuito de proibi-la. O autor da ação é o Procurador Maurício Coentro, da Coordenadoria do Trabalho Portuário e Aquaviário do MPT. No mês seguinte, foi obtida liminar favorável ao MPT. Até hoje, o mérito não foi julgado.

Na liminar, a Juíza Marta dos Santos, da 3ª Vara do Trabalho de Sergipe, ordena o fim “da utilização sistemática do pulo de corda” e dá 180 dias para que a Petrobras passe a usar nas suas plataformas a lancha surfer, que se acopla à estrutura da plataforma, facilitando o embarque dos petroleiros. Os barcos tradicionais não conseguem fazer esse acoplamento. Por isso, balançam para frente e para a trás, trazendo risco para o trabalhador quando ele salta para a plataforma. A multa por descumprimento da decisão é de R$ 1 mil por dia.

Segue abaixo vídeo de 2011 que mostra como se dá tal prática (grifo nosso – PM):

A Petrobras tentou cassar a liminar, mas perdeu tanto em segunda instância como no Tribunal Superior do Trabalho (TST). Na noite desta sexta-feira, por nota, a Petrobras informou que “a prática do pulo de corda foi abolida na rotina operacional das plataformas, em Sergipe, desde agosto de 2013” e que o acesso às plataformas é feito pela lancha surfer.

Maurício Coentro explica que há três formas de acesso às plataformas: helicópteo, cesto e “pulo de corda”. O helicóptero é a forma mais usada. As outras duas sempre foram comuns no Nordeste, onde as plataformas são menores, mais antigas e frequentemente localizadas em águas rasas, em profundidades abaixo de 400 metros.

Içados a 30 metros de altura

No acesso pelo cesto, permitido pela Justiça, os petroleiros são levados de barco, entram no cesto e são içados por um guindaste até o interior da plataforma. Enquanto estão no ar, é comum o cesto balançar por causa do vento. O cesto chega a uma altura de 30 metros ou 40 metros, segundo Coentro. A Petrobras nega o uso do cesto de transbordo.

De acordo com Jomar Nascimento, Diretor do Sindicato dos Petroleiros de Sergipe e Alagoas, o “pulo de corda” deixou de ser generalizado. Porém, como o cesto foi mantido, o trabalhador que entra primeiro na plataforma para operar o guindaste usa a corda. Há relatos de acidentes.

Fonte: O Globo

Por Rodrigo Cintra

3 COMMENTS

  1. Esse é um tema sempre abordado nas reuniões de PRÉ-EMBARQUE (segurança), mas, a PRÁTICA não acompanha a TEORIA face as inumeras empresa que estão sendo criadas à TOQUE DE CAIXA e que não tem condições de estar atuando neste meio! Quem trabalha no meio OFF SHORE sabe do que estou falando!

  2. Isso não e pratica somente do Sergipe! No RN e Ce isso ainda e muito comum.. Infelizmente a Petrobras não ganha muito dinheiro logo não investe nos voos. E ainda falam da proximidade das plataformas como se isso fosse vantagem..

  3. Embarquei 2 anos no Ceara e Rio Grande do Norte e realmente tudo é muito mais arcaico.

    Triste ainda termos esse tipo de situação.

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