EAS – Leitor coloca a boca no trombone e fala sobre a realidade do estaleiro

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Fui contratado diretamente do Japão para trabalhar no E.A.S. que nos prometeu estabilidade de emprego e plano de carreira, quando cheguei no Estaleiro, o que eu vi foi um monte de líder de solda que nunca haviam visto e nem sabiam o que era solda e supervisores que não tinham a menor ideia do que era uma industria naval.

Estaleiros como o Atlântico Sul não pode ter pessoas que pensam que estão trabalhando em uma obra. Estaleiros como Atlântico Sul precisam de uma visão de linha de produção, como as que se vê nos estaleiros asiáticos em particular os do Japão ao qual eu tenho grande conhecimento vivencial. Não adianta por um nome bonito em um bloco de navio (mega anel) se este mesmo vai causar problemas de edificação como, aumento da mão de obra, aumento dos riscos envolvidos, como trabalhos em altura aumento dos espaços confinados, aumento na quantidade de andaimes e aumento de dificuldade nas posições a serem soldadas.

Pouca gente sabe, mas o próprio centro de treinamento do E.A.S. já vendeu testes aprovados para soldadores que não sabiam soldar.

O resultado foi todo o problema estrutural com o João Cândido, tanto na solda como na montagem.

Quando o estaleiro se deu conta do que havia feito, montou uma força tarefa para resolver o problema e eu estava nesta força tarefa.

O Navio foi todo cortado novamente para que pudéssemos fazer o retrabalho, minha equipe trabalhava a noite para que os fiscais da Petrobras não vissem o que estava sendo feito.

Tudo pronto, o navio volta ao cais de acabamento, e o E.A.S. demite todos os que trabalhavam no noturno e boa parte dos funcionários do dia também.

Gostaria de saber se o E.A.S. tem noção do que ele fez.

Muito do meu trabalho ficou como sendo mérito de pessoas como o Sr. C… que sempre trabalhou com tubulação e após ser contratado pelo E.A.S. se deu conta de que não sabia o que fazer, mas sabia quem poderia fazer por ele.

Houve uma parte na proa do navio do lado bombordo nos blocos H que quando fui trabalhar nela, após remover a pintura, havia somente argila no local da solda, isto porque o ex-presidente do estaleiro Sr Belele prometeu ao então Presidente da República, Sr Lula que iria tirar o navio do dique seco antes das eleições que elegeriam a então candidata a presidente Dilma.

Quando fui procurar meus direitos sobre minha avaliação de desempenho, que havia sido prometida, um pouco antes de minha demissão sem justa causa, para poder fazer melhor ainda meu trabalho, ouvi o que jamais pensaria em ouvir, “Nós do E.A.S. fizemos o favor de repatriar todos os que voltaram do Japão”.

Acho que isto tudo reflete no mau planejamento e na má decisão do RH em contratar as pessoas para o quadro de funcionários do E.A.S.

Infelizmente no Brasil currículo não conta, o que vale é indicação, e as pessoas responsáveis pelas contratações não verificam o quão importantes são as experiencias.

Nota: esta carta foi enviada pelo leitor após a leitura de um clipping que fizemos, que segue no link abaixo:

http://portalmaritimo.com/2012/04/09/transpetro-recebe-navio-torto/

Carta do leitor Marcos

8 COMMENTS

  1. Eu acompanhei a vinda dos dekasseguis ( Inclusive eu ) desde o começo. Havia um desejo do então chefe de departamento do EAS em contratar Brasileiros com experiência naval do Japão.No entanto , havia uma disputa seríssima dos profissionais tradicionais dos estaleiros de Itajaí-SC e Rio de Janeiro. As idéias trazidas pelos ex-dekasseguis foram rejeitadas e ridicularizadas pelos tradicionais profissionais. Idéias hoje aplicadas pela Japonesa ISHIKAWAJIMA ( IHI de Chiita-Estado de Aichi-Japão )que hoje é sócia-acionista do EAS. O que realmente assustou os ex-dekasseguis foi a falta de interação entre o chão de fábrica e as supervisões , o abismo das diferenças de salário e os símbolos hierárquicos gritantes. O então Presidente Dr. Ângelo Bellelis , afirmou não ter experiência em indústria naval e julgava ser bom gerir daquela forma.Mas a indústria naval tem seus ardis, seus segredos, seus planejamentos de cronograma. É muito mais sério do que simplesmente contratar multidões de pessoas que não entendem bulhufas de construção naval. Gerências de setores diferentes com suas comunicações deficientes se atrapalhavam nas sequências enquanto o PCP abrigava salários altíssimos para apenas enviar os debutantes plebeus locais conferir no chão de fábrica. Ainda houve o Judas que negaceou colegas do Japão prometendo emprego no EAS , quando na verdade ao chegarem ao Recife descobriam que se tratava de uma empreiteira terceirizada.Houve grande desgaste , com “juízes” parciais e terminou assim do jeito que nosso amigo Marcos escreveu acima.

  2. Eu li um livro na minha pesquisa de mestrado (A Saga do Petróleo no Brasil), no qual o autor comentava a dificuldade de se construir uma refinaria nos anos 1940, como foi a de Mataripe, visto que era um tipo de construção diferente de tudo o que já tinha sido feito no Brasil.

    Triste saber que, em pleno século XXI, depois de todo um histórico passado do Brasil sobre construção de embarcações, o relato acima ainda fosse possível.

  3. MEUS CAROS AMIGOS INFELIZMENTE ISTO OCORRE EM TODOS OS LUGARES DO BRASIL, PARA UM SOLDADOR FAZER UM TESTE É QUASE IMPOSSIVEL, TEMOS QUE IMPLORAR E NO FINAL ACABAMOS SENDO SACANEADOS,VENDIDOS,EM UM PAIS QUE PROMETE EMPREGOS , QUALIFICAÇÃO E OPORTUNIDADES, ESTAMOS MUITO LONGE DO IDEAL.

  4. Pessoal,vendo esse comentários fiquei preocupado pois uma empresa de recrutamento renomada ,entrou em contato comigo para realizar uns testes justamente para trabalhar no E.A.,S e morar no Japão , fiz varias provas mas depois fui informado que houve mudanças na diretoria e suspenderam a vaga sem falar no escândalo da Petrobras , porém todas as montagens do E.A.S Pernambuco será transferida para o Japão onde a Mitsui, associada à IHI, e Mitsubishi irão realizar todos os projetos.

  5. CONFIRMO TODAS AS INFORMAÇOES PRESTADAS NA MATERIA ACIMA, ESTAVA NO EAS DURANTE ESTE PERIODO, EXISTIAM EQUIPES DE DEKASSEGUIS ALTAMENTE COMPETENTES, MAS O INTUITO NAO ERA ADIANTAR A OBRA E SIM ATRASAR, TANTO QUE ESTAS EQUIPES FORAM DIZIMADAS POR ESTAR ENTREGANDO OS BLOCOS DENTRO DOS PRAZOS, SOFREMOS MUITO PRINCIPALMENTE NAS MAOS DO SR LUIS CARLOS, GERENTE DA NOITE, QUE POR COINCIDENCIA APOS A SAIDA DELE DO ESTALEIRO , APARECEU COMO UM DOS GESTORES DA ENGITA, EMPRESA TERCEIRIZADA QUE MAIS COLOCOU HOMENS NO ESTALEIRO A PESO DE OURO, INCLUSIVE TRAZENDO HOMENS DO JAPAO PARA TRABALHAR NO EAS….. FOI UMA EPOCA BOA, MUITOS AMIGOS FIZEMOS, MAS DESTRUIRAM TUDO….

  6. Em relacao ao comentario do leitor Marcos, profissional do setor da industria naval, concordo com seu parecer. As empresas de grande porte acham que sao donas da razao e que estao acima do bem e do mal, e quando seus faturamentos quebram, acham mais facil descartar e mandar embora bons profissionais que tem visao e capacidade de adaptar linhas de producao automatizadas no setor naval e que tambem possuem visao de desperdicio de contratacao de mao de obra sem necessidade. Sao gastos desnecessarios, desempregos gerados pela ilusao que as pessoas terao salarios gerados por seus servicos, e um baque socio economico sem precendentes e de grave prejuizo aos funcionarios dispensados. Falta bom senso e visao administrativa coerente por parte das industrias navais do Brasil.Sinceramente, no Brasil a industria naval infelizmente esta muito a desejar.

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